VARIEDADES

Renã Leite lança livro hoje

Obra de escritor guiomarense aborda questões sociais em forma de poesia

Regiclay Saady
Renã disse que fez uma obra
independente de questões políticas


Whilley Araújo

“O (in)consciente coletivo de cada um”. Esse é o nome do livro que será lançado logo mais a noite pelo escritor acreano Renã Leite, em solenidade no Memorial dos Autonomistas, a partir das 19 horas.

A obra, que reúne 86 poesias de Renã e mais 80 sonetos de Matinho Ferreira de Lima, aborda questões sociais que retratam em forma de versos o drama de pessoas desempregadas, doentes, acometidas por depressão e outros cidadãos que não conseguiram encontrar o caminho da felicidade. “É um livro basicamente focado nos problemas sociais e existenciais humanos de forma geral”, resume Leite.

O escritor conta que procurou fazer um trabalho independente de questões políticas e partidárias, uma obra livre que marca um momento cultural da história do Acre. “Vale ressaltar que esse é um livro ecologicamente correto, feito com material reciclável. Um trabalho que não deixa nada a desejar em relação aos livros que vêm sendo publicados pelos escritores do Estado”, destaca Renã.

Professor de educação física formado pela Faculdade Católica de Batatais (SP), Renã, que hoje leciona nas escolas Glória Peres, Raimundo Gomes e José Rodrigues Leite, nasceu no município de Senador Guiomard em 1967. “Convido toda a população do Quinari para prestigiar o lançamento do livro. Espero contar com a presença maciça das pessoas de minha terra natal e da capital na noite de hoje, pois todos sabemos que a sociedade acreana costuma prestigiar bem os filhos da terra”, frisa.

O livro “O (in)consciente coletivo de cada um” é um projeto patrocinado pelos Supermercados Araújo, com financiamento da Fundação Elias Mansour e realização do Sesc-AC.

Algumas poesias do livro

O Pássaro

Outro dia eu estava ali meditando.
A mente em branco, em simples vê zero.
De repente, verbaliza um quero-quero.
É, isso ocorre, só de quando em quando.

Na seqüência piou: são treze horas!
Eu ouvi uma voz... Não era pio.
E sondei no relógio um desafio.
Vi exatas treze horas, não imaginas.
Tu me criticas: - isso é impossível!
- um pássaro dar horas, nada crível!
- “Sempre e amiúde”, todo leigo ufana!

E eu respondo, então, com toda calma:
Foi a minha alma, que ouviu a sua alma,
Liberta da loucura que te engana.

A Esperança

Comparo a esperança a uma vela acesa,
que ventos de desilusão vêm e apaga,
mas que acende de novo e se propaga,
iluminando as cartas sobre a mesa.

É como navegar no barco da incerteza,
a nau partinte de porto à outras plagas,
que antevendo a procela, clama à natureza,
não ser mais um barco de sonhos, que naufraga.

É cultivar um navio eivado de quimeras;
do cálice de uma flor da próxima primavera,
haurir sua fragrância, num enlevo fundo...

E sendo a esperança o dom mais veemente,
perdê-la é apagar uma luz que não há gente,
e não ver mais o sol brilhar no mundo...

 
 
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Rio Branco-AC, 19 de dezembro de 2007
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