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Rio Branco - Acre, domingo, 12 de janeiro de 2003
Dabs faz operação para deter
avanço da dengue na fronteira

Entidade pede colaboração dos moradores
para impedir que mosquito se alastre no Acre

Josafá Batista

O aumento dos casos de dengue na fronteira entre o Acre e o Departamento Del Pando, na Bolívia, obrigou o governo acreano a criar medidas drásticas para deter o avanço e impedir a chegada à Brasiléia. Desde os primeiros rumores da epidemia boliviana, equipes de técnicos e sanitaristas do Departamento de Ações Básicas de Saúde (Dabs) foram até o local para diagnosticar, tratar e fazer um cerco contra o Aedes aegypti.

Com a decretação do estado de alerta pelo Departamiento Del Pando, a expectativa dos técnicos é que as visitas às residências e o diagnóstico dos casos aumentem consideravelmente, diminuindo os riscos de uma epidemia que atravesse a fronteira e alcance o lado brasileiro.

“Só precisamos que as pessoas colaborem. Em Cobija, o mosquito encontrou condições favoráveis e se alastrou porque as pessoas atiram com freqüência recipientes como latas e garrafas nos quintais e não vinham sendo alertadas para o perigo do Aedes. Mesmo nos locais onde não há surtos maiores, como Xapuri, Plácido de Castro e Rio Branco, além de Brasiléia e Epitaciolândia, os cuidados devem ser redobrados. A dengue parece uma doença simples, mas imagine tratar centenas de pessoas, em caso de epidemia”, relatou um dos diretores do setor de Endemias do Dabs, Raimundo Costa.

ACOMPANHAMENTO - Nesse momento, equipes acreanas percorrem de barco os arredores de municípios de Brasiléia, Epitaciolândia, Cobija e imediações. Os técnicos fazem cadastramentos, distribuem hipoclorito de sódio, tratam os casos encontrados e entregam cartilhas de esclarecimento sobre a doença. Os fascículos contém medidas simples de combate ao Aedes aegypti, que podem ser adotadas por qualquer pessoa.

Cartilhas explicam dúvidas
mais simples sobre a doença

O material didático distribuído no triângulo compreendido por Brasiléia, Epitaciolândia e Cobija é peça-chave da política preventiva desenvolvida pelo Dabs em Rio Branco e nos outros municípios acreanos. O material, de fácil compreensão, contém itens necessários à compreensão e combate à dengue.

Com a ajuda do Departamiento Del Pando, cartilhas em castelhano também serão distribuídas na região de circunscrição. Veja e se informa com alguns detalhes dessa publicação:

A picada do mosquito é a única forma de transmissão da dengue?

Sim, a dengue não é transmitida por pessoas, objetos ou outros animais.

Qual é o principal mosquito transmissor da dengue?

É o mosquito Aedes aegypti.

É verdade que somente a fêmea do mosquito pica as pessoas?

S im, pois é a fêmea que necessita do sangue em seu organismo para amadurecer seus ovos e assim dar seqüência no seu ciclo de vida.

Como a pessoa reconhece o mosquito Aedes aegypti?

O Aedes é parecido com o pernilongo comum, e pode ser identificado por algumas características que o diferencia como: corpo escuro e rajado de branco e possui hábito de picar durante o dia.

De onde veio o mosquito Aedes aegypti?

É originário da África Tropical característico de países com clima tropical e úmido, introduzido nas Américas durante a colonização. Atualmente encontra-se amplamente disseminado nas Américas, Austrália, Ásia e África.

Qualquer inseticida mata o mosquito da dengue?

Sim, porém a aplicação dos inseticidas atua somente sobre a forma adulta do mosquito, surtindo efeito momentâneo com poder residual de pouca duração.

Uma pessoa infectada pode passar a doença para outra?

Não há transmissão por contato direto de um doente ou de suas secreções para pessoas sadias. A pessoa também não se contamina por meio de fontes de água, alimento, ou uso de objetos pessoais do doente de dengue.

É possível distinguir a picada do Aedes aegypti com a de um mosquito comum?

Não. A sensação de eventual coceira ou incômodo é semelhante à picada de qualquer outro mosquito.

Algum outro mosquito é capaz de transmitir a doença?

Sim, o mosquito Aedes albopictus, que também pode ser encontrado em áreas urbanas, também pode transmitir a dengue.

Todo Aedes transmite a dengue?

Não, apenas os infectados. O mosquito só transmite a doença se tiver contraído o vírus.

Todo mundo que é picado pelo mosquito Aedes aegypti fica doente?

É preciso que o mosquito esteja infectado com o vírus de Dengue. Além disso, muitas pessoas picadas pelo mosquito Aedes aegypti infectado não apresentam sintomas. Outras apresentam sintomas brandos que podem passar despercebidos ou confundidos com gripe, existindo ainda, aquelas que são acometidas de forma acentuada, com sintomatologia exacerbada.

Por que foi possível fazer uma vacina para febre amarela e não está sendo possível fazer uma vacina contra dengue?

No caso da Febre Amarela só existe um tipo de vírus. Na dengue, são conhecidos quatro variedades de vírus – chamados den1, den2, den3, e den4. Os quatro tipos já foram registrados no Brasil (sendo que o tipo 4 só na Amazônia). A rigor, uma vacina para um tipo não dará imunização para outro.

Quais são os principais sintomas da dengue?

Febre alta, dor de cabeça, principalmente na região ocular, dores nas articulações, músculos e muito cansaço. Também é comum náuseas, falta de apetite, dor abdominal, podendo até ocorrer diarréia e vermelhidão na pele.

Em quanto tempo os sintomas aparecem?

De três a quinze dias após a picada do mosquito infectado.

A pessoa pode estar com a doença e apresentar apenas alguns dos sintomas? Não ter febre, por exemplo?

Sim. A intensidade dos sintomas varia muito de pessoa para pessoa.

A pessoa pode confundir a dengue com uma gripe forte? Como saber a diferença?

Sim. A melhor forma de se ter certeza é procurando um médico e eventualmente realizando exames.

Quem teve Dengue fica com alguma complicação?

Não. A recuperação costuma ser total. É comum que ocorra durante alguns dias uma sensação de cansaço, que desaparece completamente com o tempo.

A partir de que momento deve-se procurar um médico?

A partir dos primeiros sintomas.

Qual é o tratamento para a doença?

A pessoa doente deve repousar e ingerir bastante líquido (água, sucos naturais ou chá), evitando qualquer tipo de refrigerante ou suco artificial. Antitérmicos e analgésicos que contém em sua fórmula, ácido acetilsalicílico, como a aspirina, devem ser evitados.

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