

Juventus, 1984. Em pé, da esquerda para a direita: Lécio, Vinícius, Joneudes, Sabino, Milton, Roberto, Delci, Mauro, Maurício (preparador físico) e Raimundo Castro (fisioterapeuta). Agachados: Manoelzinho, Gerson, Zito (destaque), Antônio Júlio, Dadão, Adriálvaro, Vidal e Aníbal
Zito: uma meia habilidoso, veloz e de passes precisos a serviço de Juventus e Atlético
Aos 39 anos, o ex-craque
diz que sente muita saudade do futebol
do passado e que não frequenta mais o estádio José de
Melo
Francisco Dandão
Dois dos mais tradicionais bairros de Rio Branco, Base e Mascarenhas de Morais, foram as testemunhas dos primeiros chutes numa bola de futebol do cidadão José Maria da Silva Félix, o Zito. Habilidoso, veloz e de passes precisos, mesmo nos campinhos irregulares da periferia, ele não poderia deixar de chamar a atenção dos olheiros dos principais clubes da cidade.
Foi assim que, em 1982, aos 18 anos (ele nasceu em 07 de janeiro de 1964), Zito foi levado para a equipe de juvenis do Atlético Clube Juventus, pelas mãos do técnico José Aparecido, o Nino. E logo de cara ele sagrou-se campeão da categoria, jogando ao lado de muita gente boa, casos, por exemplo, do centroavante Antônio Júlio e do ponteiro-direito Vinícius.
Em 1983, o técnico Aníbal Tinoco, famoso por gostar de dar oportunidade a jovens jogadores, requisitou Zito para o time principal do Clube do Povo. Mas o craque jogou pouco. Na sua posição, o meio de campo, o Juventus tinha Emílson, Carlinhos e Mariceudo. “Com essas feras todas, o máximo que eu podia era entrar alguns minutos e aprender”, diz Zito.
No ano seguinte, já mais amadurecido, Zito chegou a imaginar que seria a sua primeira grande temporada. Uma contusão no joelho num treino, entretanto, o fez ficar alguns meses no “estaleiro”. Quando se recuperou, o Juventus tinha importado do Rio de Janeiro o excepcional jogador Alexandre. A chance mesmo, então, só veio quando este foi embora para o Equador.
Nos campeonatos de 1985 e 1986 ganhou a posição no Juventus, jogando ao lado de Dadão e Aníbal. Mas resolveu mudar de ares em 1987 e foi defender o Atlético, onde só disputou um campeonato. Em 1988 voltou ao Ninho da Águia, com o pensamento de encerrar a carreira. Quase cumpriu a promessa, não fosse, tempos depois (ele não lembra o ano), um convite do Independência, já no regime profissional. O Tricolor foi seu último clube.
Uma tabela inesquecível com o amigo Carioca
O
lance que não sai da cabeça do ex-meia Zito, apesar dos muitos
que protagonizou nos oito anos de carreira, aconteceu num jogo em 1988, pelo
Juventus, contra o Atlético Acreano, na vitória de 3 a 2 do
seu time.
Ele e o amigo Carioca (Francisco Nepomuceno, hoje professor de História na Ufac e assessor do Gabinete Civil do Governo do Estado) tabelaram desde o seu campo de defesa. “Na entrada da área deles eu bati com força, no ângulo, sem chances para o Tidal”, relata Zito.
“Em compensação, no campeonato de 1984, num jogo contra o Rio Branco, eu me meti a bater um pênalti e mandei a bola longe. Foi um vexame, mas todo mundo me deu força”, completa meio que envergonhado.
Os
melhores jogavam no Juventus
Os melhores do futebol acreano em todos os tempos?
Zito Balança a cabeça e diz que essa é uma indagação extremamente difícil. “Tinha muito cara bom de bola”, explica. Mas resolve escalar o melhor time que viu jogar, o Juventus do seu começo de carreira: Milton; Mauro, Neórico, Paulão e Duda; Emilson, Carlinhos e Mariceudo; Paulinho, Antônio da Loteca e Roberto Pitola. Técnico: Aníbal Tinoco.
“Fora esses”, completa Zito, “eu posso citar, ainda, como jogadores excepcionais, os seguintes: Dadão, Carioca e Antônio Júlio. Este último, um centroavante como poucos, habilidoso e rompedor ao mesmo tempo”.
Futevôlei todas as tardes
Aos 39 anos, Zito leva a vida trabalhando pela manhã no escritório do deputado Ronald Polanco, e na parte da tarde jogando futevôlei com os amigos numa das quadras de areia do Parque da Maternidade.
Ao estádio José de Melo nunca mais voltou depois de encerrar a carreira, por considerar que o nível dos espetáculos caiu muito de lá para cá. “A última vez que fui ao estádio foi na minha despedida, jogando pelo Independência, contra o Andirá. Pelo que eu sei, não vale à pena”, afirma.
Mas o ex-craque não deixa de ter uma ponta de esperança no futuro. “Se essa moçada que está aí, bem como os que estão chegando das categorias inferiores, resolver dedicar-se, tudo pode voltar a ser como antes. No meu ponto de vista, tudo passa pela dedicação e pelo amor à camisa”, finaliza.