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Rio Branco - Acre, terça-feira, 14 de janeiro de 2003
Dinheiro na Vale

O Japan Bank for International Cooperation aprovou um empréstimo de US$ 300 milhões à Vale do Rio Doce. É a primeira operação de crédito de uma agência oficial (o JBIC pertence ao governo japonês) ao Brasil na era Lula. O financiamento terá dois anos de carência e prazo de pagamento de dez anos — indício de confiança no futuro da economia brasileira, diz Roger Agnelli, diretor-presidente da Vale.

Agnelli embarcou ontem mesmo com Fábio Barbosa, diretor-executivo de Finanças da mineradora, para Tóquio, onde assina o contrato com o JBIC nesta sexta-feira. O dinheiro será desembolsado em duas parcelas iguais. Agnelli espera que os primeiros US$ 150 milhões entrem no país nos próximos dois meses.

Ele explica que os recursos serão integralmente investidos no setor de logística, notadamente na compra de locomotivas, na melhoria de trilhos e dormentes das linhas férreas da Vale e na automação da ferrovia. Outra parcela vai para os portos de Tubarão (ES) e de São Luiz (MA).

Agnelli e Barbosa explicam que o investimento terá impacto forte na competitividade da Vale, mas também na capacidade de transporte de grãos e de aço no país. Mineração, agricultura e siderurgia são três das mais importantes áreas do comércio exterior brasileiro. Portanto, são bem-vindos os projetos que melhorem o escoamento dos itens exportáveis.

A última captação da Vale no exterior ocorreu em março de 2002. Na ocasião, a companhia recebeu também US$ 300 milhões, mas via emissão de bônus. Agora, o dinheiro virá de um organismo de governo, com prazo e condições favoráveis. Além dos dez anos para pagamento, o empréstimo será corrigido pela taxa Libor mais 1,85% de juros. Segundo Barbosa, isso equivale a menos de 4% ao ano.

— Ficamos animados com a demonstração de confiança do governo japonês no Brasil. Nenhuma instituição empresta por dez anos se não acreditar no crescimento da economia. É um sinal de que o país está indo bem, que a administração do PT está surpreendendo positivamente — diz Agnelli.

O JBIC é o resultado da fusão do The Export-Import Bank of Japan (JExim) e do The Overseas Economic Cooperation Fund, Japan (OECF), antigas instituições de financiamento ao comércio exterior e de cooperação internacional. Melhor que o empréstimo recém-aprovado é seu efeito no mercado. A retomada do crédito ao Brasil, ainda tímida, tende a ganhar força daqui para a frente, prevêem Agnelli e Barbosa. Tomara.

Carneiro no páreo

Ricardo Carneiro, professor do Instituto de Economia da Unicamp, está cotado para assumir a presidência do Ipea. Ligado ao senador eleito Aloizio Mercadante, Carneiro deixou a coordenação do programa econômico do PT em julho passado, depois de ter criticado o sistema de metas de inflação. Atribuiu a razões pessoais seu afastamento, mas, no partido, muito se comentou sobre as divergências de Carneiro, afinado com a esquerda petista, com a ala mais moderada, representada por Antônio Palocci e Guido Mantega, ministro do Planejamento, pasta a que o Ipea é subordinado.

Ilegal

A pirataria está sendo considerada a grande culpada pelo péssimo resultado do setor de CDs no ano passado. Segundo uma pesquisa da Fecomércio-SP, as vendas de CD na região metropolitana de São Paulo caíram 39,26% em relação a 2001. Do estudo, foi o setor com pior desempenho de venda.

Apreensão

O Veirano Advogados acompanhou em 2002 operações que resultaram na apreensão de mais de 200 mil artigos falsificados. Entre os produtos, estão isqueiros Zippo, potes Ziploc, ceras Johnson e jeans Wrangler. Se fossem vendidos, teriam gerado um prejuízo de R$ 3 milhões às empresas.

BBVA acha seu nicho

A venda do BBV já era notícia velha. E a compra pelo Bradesco, pedra cantada. Os resultados do banco espanhol no Brasil não vinham sendo os esperados. Isso porque o BBV nunca definiu muito bem qual era o seu papel por aqui. Nem tinha força para competir no varejo com os grandes bancos, nem tinha atuação representativa entre os clientes corporativos.

Os analistas brasileiros explicam que, no nosso mercado, se um banco não definir bem o seu nicho, pode não sobreviver. Os analistas espanhóis concordam e acham que a mudança faz com que diminuam os riscos para os negócios do BBVA na América Latina — o tombo na Argentina foi grande. Além disso, a atuação no Brasil se torna mais estratégica, considerando-se que, na negociação, o espanhol tornou-se sócio do Bradesco.

Do lado do brasileiro, o que se vê é apenas uma ampliação no volume, já que a área de atuação de ambos era bastante semelhante. No entanto, pode ser um ponto forte na competição com o Itaú já que, com a compra, os ativos do Bradesco cresceram 12%. Há ainda os que enxergam os primeiros passos na internacionalização do maior banco privado do país...

paneco@oglobo.com.br
Miriam Leitão
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