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Rio Branco - Acre, terça-feira, 14 de janeiro de 2003
Falta d’água castiga o centro
de Rio Branco e beneficia pipeiros

As constantes interrupções no fornecimento de água estão mudando de endereço, abandonando os bairros para invadir o centro de Rio Branco. Ontem, em menos de trinta dias, diretores administrativos de órgãos públicos, como a Assembléia Legislativa e o Fórum Barão do Rio Branco, além de empresas particulares, como hotéis e escolas de ensino fundamental, passaram o dia com as caixas vazias.

De acordo com o gerente de um hotel local, o serviço dos pipeiros é o mais procurado nesses momentos de crise. O setor surgiu na metade de 2000 e desde então não conheceu crise. O fornecimento de água paga já se configura, inclusive, entre os campeões de lucratividade. Os números apresentados pelos pipeiros são impressionantes.

“Por dia dá para fazer até 2,5 mil reais, se trabalharmos direito. O problema é que, nos bairros, muita gente não tem caixa d’água e vem com aquelas panelas e baldes pedindo para comprar 50 centavos, um real de água. E aí não dá”, explicou José Santos de Arruda, ex-funcionário público que abandonou o emprego para faturar com a jamanta nas ruas da capital. Não se arrependeu.

A ausência de água nos órgãos públicos e empresas deve multiplicar consideravelmente a renda desses profissionais da seca, como já começam a ficar conhecidos. Explica-se: nesses locais, como o uso de água é considerável, usam-se cacimbas com capacidade para até 500 mil litros.

Com o litro vendido a 10 centavos, o pipeiro poderá dispor, no final do dia, da bagatela de R$ 50 mil. Nada mal para um mercado “informal”.

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