
Feijão e arroz tiveram o
maior reajuste de
preços nos supermercados da capital
A acreana Conceição Lopes Borges olha as prateleiras do supermercado. Com uma lista de produtos na mão, ela analisa o valor dos itens um a um. Às vezes, uma variação de centavos faz a diferença na hora de passar no caixa. A pesquisa de preços feita por Conceição, deve se estender a todos os consumidores acreanos. Segundo pesquisas da Secretaria de Estado de Planejamento (Seplan), a cesta básica vem aumentando desenfreadamente desde julho de 2002 e registrou no mês passado um reajuste de 7,36% nos supermercados da capital.
Para adquirir os 30 produtos pertencentes à cesta básica, o acreano teve que desembolsar 116,56 reais para a subsistência de apenas uma pessoa. Já para uma família padrão, composta por cinco pessoas (dois adultos e três crianças), o aumento representou uma despesa, no mês de dezembro, de R$ 304,92. Pouco mais de 1,5 salário mínimo.
A pesquisa produzida pela Coordenadoria de Estudos e Pesquisas da Seplan avalia a aquisição de produtos alimentares, de higiene pessoal e de limpeza doméstica. Dos 16 produtos que compõe a Cesta Básica alimentar, treze tiveram alta.
O grande vilão para o bolso dos consumidores foi o feijão que aumentou 30,52% e o arroz, que ficou 19,29% mais caro. Apenas o sal manteve seu preço inalterado. O tomate e a farinha tiveram uma queda nos preços de 7,92% para o primeiro e 2,82% para o segundo. Todos os produtos de Higiene Pessoal e Limpeza Doméstica tiveram reajuste de preço e o maior aumento foi no papel higiênico, que ficou 9,52% mais caro.
METODOLOGIA - Os dados, disponibilizados pela Coordenadoria de Estudos e Pesquisas da Seplan, são resultados de uma coleta de preços feita mensalmente em 20 estabelecimentos de Rio Branco. A coleta é realizada semanalmente, onde cada estabelecimento é visitado pelo menos duas vezes por mês.
Cesta básica do Acre é uma das mais baratas do país
A pesquisa realizada pela Seplan no mês passado serve para avaliar e analisar o poder de compra do salário mínimo na aquisição de produtos necessários à subsistência mensal de uma pessoa e de uma família padrão através de informações referentes ao custo da cesta básica.
A metodologia utilizada pela equipe de pesquisa em rio Branco é a mesma usada pelo Departamento Internacional de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Diee), que realiza a mesma pesquisa em algumas importantes capitais do país.
Em comparação com os resultados das demais capitais brasileiras avaliadas pelo Diee, a cesta básica do Acre é a mais barata. Na capital do Ceará, os 30 produtos da cesta chegaram a custar 119,39 reais em dezembro, e em Porto Alegre foi registrado o maior custo para aquisição dos itens num valor total de 164,05 reais.
Preços desaceleraram, garante pesquisador
Segundo o engenheiro agrônomo responsável pela pesquisa na Seplan, Quesnay de Lima, apesar do aumento, o resultado apontou uma desaceleração do aumento da cesta básica.
“De setembro para novembro, o aumento da cesta básica foi de 8,79%. O maior dos últimos meses. A queda desse aumento em dezembro é positiva se analisada sob esse aspecto”, afirmou.
Para Quesnay, com as medidas políticas do governo federal e com o incentivo do governo do Estado na produção local, a tendência é que essa queda se repita para os próximos meses.
As variações de preço, segundo ele, são reflexos da variação do dólar. Prova disso, é a diminuição do valor da cesta básica em maio do ano passado. A queda de 4,27% só aconteceu por causa da queda do dólar.
Pesquisa nos supermercados
pode ser solução para economia
As listas de compras são cada vez mais visíveis nos corredores dos supermercados de Rio Branco. A contenção de gastos costuma fazer cortes nos supérfluos e despesas desnecessárias. Para ajudar na economia da conta final, os consumidores começam a apelar para a pesquisa de preços em diferentes supermercados.
A dona de casa Josete Moreira, por exemplo, diz que costuma visitar os supermercados antes de fazer a compra e analisar qual deles está com os produtos mais baratos.
“É cansativo, mas acaba valendo a pena. Às vezes compro algumas coisas em um supermercado e depois vou comprar o restante em outro. Só levo mesmo o necessário porque os preços aumentaram demais. O que está muito caro eu deixo na prateleira”, garantiu a consumidora.