© Copyright Página 20 todos os direitos reservados
Rio Branco - Acre, terça-feira, 14 de janeiro de 2003
Produtores do Seringal Cachoeira
oferecem produtos para São Sebastião

Caravanas da zona rural de Xapuri são organizadas para levar os agroextrativistas na festa do padroeiro do município

O seringal Cachoeira, localizado na zona rural de Xapuri, está vivendo uma das melhores fazes de seus quase 30 anos de existência. A produção das 75 famílias que moram no projeto agroextrativista atinge números cada vez maiores e a qualidade de vida dos moradores melhorou substancialmente nos últimos anos.

As crianças têm escola, atendimento médico e os adultos recebem capacitação técnica. Com o apoio do governo, um centro de florestania foi construído e no espaço funciona uma espécie de pousada para receber visitantes de todo o mundo.

Nesse ambiente de muita prosperidade e avanço, os 318 moradores decidiram celebrar a passagem pelo dia de São Sebastião, padroeiro do município, com uma festa diferente. Eles irão oferecer para a paróquia de São Sebastião, alguns de seus produtos do projeto para serem leiloados e ajudar a Igreja Católica na realização da festa que já é uma tradição no Acre e costuma reunir milhares de pessoas todos os anos no dia 20 de janeiro.

“A festa de São Sebastião é uma tradição que faz parte da nossa rotina de todos os anos. Por isso é importante que a gente agradeça ao nosso santo padroeiro doando símbolos do nosso trabalho e das conquistas que alcançamos nos últimos tempos”, explica uma das lideranças do Projeto, Nilson Mendes, primo legítimo do saudoso ecologista Chico Mendes.

Seu irmão, Antônio Teixeira Mendes, presidente da Associação dos moradores e produtores do projeto agroextrativista Chico Mendes, conta que a festa de São Sebastião é uma chance para a população do projeto ir para a sede do município e divulgar mais ainda o trabalho de desenvolvimento sustentável na floresta, que foi um dos grandes ideais defendidos pele líder seringueiro Chico Mendes.

PÓLO - A idéia dos moradores é desenvolver no projeto também um pólo turístico onde os visitantes iriam conhecer não só a floresta, mas também o modo de produção sustentável do homem da mata, sem ferir a natureza. O Cachoeira produz produtos madeireiros e não madeireiros que geram anualmente grande parte das riquezas do município de Xapuri. Atualmente, o produto da época é a castanha. “Nós estamos agora juntando a castanha, quebrando, medindo e colocando nas sacas para vender na cidade”, conta Nilson Mendes.

A expectativa dos produtores é superar a marca de 420 mil quilos de castanha este ano. Além da castanha, o Cachoeira também tem aumentado a produção de borracha que é vendida para o pólo de indústrias agroflorestais na sede do município, criado há três anos pelo governo do Estado em parceria com o ministério do Meio Ambiente. Tem também no projeto a madeira certificada que garante o fornecimento de madeira para a produção de peças e móveis pelas marcenarias na cidade, sobretudo para o pólo moveleiro, que já exporta produtos para o sul do país e também para a Europa e Estados Unidos.

Xapuri espera receber mais de
10 mil pessoas no fim de semana

A festa que é considerada uma das maiores manifestações populares do Estado está se aproximando e o clima em Xapuri é de muito trabalho e preparação. A procissão de São Sebastião deve reunir, nesse final de semana, no município, mais de dez mil pessoas. A movimentação nas estradas começa a aumentar na quinta-feira. Ribeirinhos de outros municípios próximos a Xapuri já começam a chegar na cidade para participar da festa. Hospedam-se na casa de amigos, parentes e até em acomodações da própria igreja.

É grande a expectativa dos moradores da cidade para as celebrações do dia do padroeiro da cidade São Sebastião, santo que viveu no século IV, na Europa, e foi o comandante da guarda pessoal do imperador Diocleciano. As novenas já começaram. Todas as noites a praça da igreja reúne centenas de devotos. Mas o grande dia será dia 20, quando às seis horas da manhã a banda vai percorrer as ruas chamando o povo e anunciando a hora de início. A grande procissão ocorre na parte da tarde, depois a celebração da eucaristia e o cumprimento das promessas pelos devotos.

Segundo os religiosos, a festa de São Sebastião é uma oportunidade para reforçar a cidadania da população, onde se procura refletir sobre a situação atual do povo de Xapuri e dos desafios que ainda se colocam diante de todos, além de ser importante para manter uma bela tradição do Acre. Para o padre Luiz Ceppi, trata-se de uma festa popular que tem a figura de São Sebastião como exemplo de vida a ser seguido, onde é valorizada a realidade local e relacionada com a vida do seringueiro na floresta e a cidadania do município.

“A história de São Sebastião é muito bela e nos ensina muito. Ela pode ser traduzida para os dias de hoje e podemos ganhar muito com sua reflexão”, conta o padre. Segundo ele, Sebastião tinha um desejo que era ajudar e encorajar os irmãos na fé. Fazia o trabalho missionário que era proibido pelo imperador. Foi condenado a morrer porque descobriram que era cristão. Atado a um poste, seu corpo recebeu várias flechadas.

Horas depois do martírio, alguns cristãos vieram pedir o seu corpo. Mas quando preparavam o enterro, perceberam que Sebastião ainda respirava. Bastaram então poucas semanas para que Sebastião se recuperasse. Seu primeiro gesto após isso foi apresentar-se ao imperador. Furioso, o imperador ordenou que fosse morto então ali mesmo a pauladas. São Sebastião é considerado na devoção popular como o santo que protege seus devotos contra a peste, a fome e a guerra.

Colunas
Cotidiano
Expediente
Editorial
Estilo
Especial
Esporte
Política
Principal