
Detalhes da vida local são
explorados em trabalho de
J. Diaz de forma educativa e profunda
Itaan Arruda
A partir de hoje, todos os domingos, o Página 20 publicará os 22 painéis do fotógrafo J. Diaz sobre a realidade do interior acreano. A intenção é levar ao leitor uma noção clara, expressiva, dos costumes e da vida simples no interior acreano. O painel de hoje, referente a Marechal Thaumaturgo, encontra-se na contracapa.
J. Diaz também tem um trabalho específico. A exposição “Acre Imagens” do repórter fotográfico José Diaz é uma aula de geografia e história flagrada em várias cores. A proposta já nasceu ambiciosa por colocar todos os municípios do Acre perfilados com dados estatísticos e históricos e confirmados por um olhar de difícil paralelo.
Diaz nasceu em uma região de tríplice fronteira, nas proximidades da cidade de Assis Brasil. É peruano de registro, mas descobriu-se boliviano um dia desses. Nessa bagunça geográfica de sua identidade, o repórter destaca sua lente com um olhar panorâmico da realidade de cada povo, de cada costume que merece ser conferido a partir dessa segunda feira, no Memorial dos Autonomistas, no centro de Rio Branco.
José Diaz é um daqueles cinqüentões com sangue novo: sempre disposto a fazer uma imagem diferente das demais: o momento preciso que logo após se desfaz e a imagem desaparece. Nas andanças pelo interior com o governador Jorge Viana, reconhece-se o bom fotógrafo também pela capacidade de acompanhar o ritmo alucinado do mais popular político da história do Acre nas subidas e descidas de barrancos, nos barcos e aviões, com a preocupação de registrar a história sob uma nova luz, com um novo ângulo.
J. Diaz percorreu todos os municípios do estado. Em todos os instantes parava, conversava com as pessoas e depois, e só depois, vinha o “clik” fatal. Há quem diga que Diaz goste mais da conversa. Tem fundamento: com uma barba grisalha e malfeita, um sorriso quase congelado no rosto e um jeito de avô meio germânico, dificilmente Diaz não consegue a simpatia dos que estão próximos a ele.
E essa aproximação muitas vezes é fundamental para se fazer uma boa imagem. “Sem uma boa conversa antes, dificilmente se registra uma boa imagem documental”, afirma Diaz, marcando a diferença entre um trabalho de documentário e um trabalho jornalístico, embora a “Acre Imagens” misture as duas coisas.
“Gostaria de agradecer a todos os amigos que contribuíram para a realização deste projeto” conclui.
Período de mudanças políticas e econômicas
A Amazônia Ocidental passa por um momento de mudanças políticas e econômicas importantes. A intenção de J. Diaz é registrar essa história, seja pelo aspecto produtivo, seja pelo aspecto humano envolvido no dia a dia de cada acreano.
E o fotógrafo continua os trabalhos pelo interior, logo após a exposição que fica por uma semana no Memorial dos Autonomistas. Diaz vai percorrer todos os municípios novamente levando todo o material e colocando em contato nas escolas e centros culturais pelo interior “para que as pessoas se vejam em cada foto”, revela o autor do documento em imagens.
A Acre Imagens é, na verdade o início de um trabalho que vai se estender a partir desse ano. José Diaz e mais um pequeno grupo de fotógrafos já criaram a Acre Imagens como uma agência de imagens que retratam o Acre em todas as suas vertentes. “A idéia é agenciar todos os que se interessem pelo Acre e que queiram ter uma parte do estado em imagens”, disse o fotógrafo.
Exposição Acre Imagem
Fotógrafo: José Diaz
Abertura da exposição: 27/01/03 (segunda-feira)
Horário: 19 horas
Local: Memorial dos Autonomistas