
Feirantes da capital são
obrigados a subir valores
das mercadorias para não ficar no prejuízo
O aumento do petróleo, além de ter obrigado o combustível e o gás de cozinha a um reajuste abusivo no preço, também não deixou os feirantes ficar de fora. “Eu tive que aumentar o preço de meus produtos para não ficar na mão. Lógico que as vendas baixaram, mas eu sou obrigado a reajustar meus preços também”, indigna-se o feirante Wellington Holanda Bandeira.
Wellington tem uma banca de cereais no Mercado Novo e explica que infelizmente não teve como escapar do aumento, uma vez que, com o reajuste, o valor do frete subiu assustadoramente.
“Eu calculo o meu preço de acordo com todos os meus custos, se o motorista que faz o frete resolveu cobrar mais caro pelo transporte, tive que incluir esse reajuste na minha mercadoria”, afirma.
Os preços das verduras não sofreram qualquer alteração, pelo menos em alguns pontos do centro, mas já as frutas e hortifrutigranjeiros tiveram um aumento de mais de 100%. Wellington costumava vender o quilo do milho a 40 centavos, hoje o vende por 80. O preço que mais subiu segundo ele, foi o quilo da farinha que de 70 centavos passou a ser 1,50 real.
Já Fernando da Silva, que há 10 anos trabalha vendendo frutas em um caminhão, diz que todos os seus produtos aumentaram, pois boa parte deles são do Sul e aproveitou o surto de aumento para reajustar o preço das frutas regionais também.
“Há 10 anos eu trabalho nesse mercado e nunca vi um aumento tão abusivo nessas mercadorias e olha que boa parte deles são da região. O que vem de fora é o que mais custa a sair, por ser o mais caro. As frutas regionais eu aumentei porque as que vêm de fora não tiveram tanto aumento, então eu compensei nas regionais”, ressalta.
Consumidor diz que alguns reajustes são abusivos
Com todo esse aumento, quem fica mais triste é o consumidor que é obrigado a consumir boa parte dos produtos como o arroz, feijão, entre outros.
“É um absurdo. Eu compro nesse mercado há mais de 15 anos e de uns tempos pra cá, as coisas estão aumentando de um dia para o outro. Desse jeito não tem bolso que agüente. E o salário que é bom, não sobe nada”, reclama a dona de casa Patrícia de Lima.
Ela afirma que nem tudo deveria aumentar, pois sabe que boa parte do que se vende no mercado é da região. E sempre que vai comprar algo, reclama para o vendedor e pede justificativas.
“Eu sei que não adianta reclamar, mas não dá para ficar calada diante dessa roubalheira toda. Infelizmente são coisas que temos que consumir, é impossível não comprar”, desabafa.
Essa onda de aumentos atingem em especial as pessoas de baixa renda que infelizmente são obrigadas a diminuir o consumo e apelar para uma dieta nem um pouco saudável, como é o caso da lavadeira Maria Aparecida da Conceição.
Maria é divorciada, mãe de sete filhos, e explica que o pai das crianças não paga pensão todo mês. Apesar de lavar roupa para famílias, diz que o que ganha não dá pra muita coisa e com essa onda de aumento, terá que economizar quando estiver cozinhando.
“A situação está cada dia mais complicada. Quando vou cozinhar, tenho que diminuir a quantidade de comida. O regime lá em casa não é voluntário não, mas sim obrigatório”, conclui.