
Atualmente o Acre vem restaurando o seu amor-próprio, está deixando de ter vergonha de si e isso pode ser percebido no fato de que a cultura acreana vem aos poucos reerguendo sua antiga glória. Artistas acreanos, como Clarice Baptista e outros, vêm ganhando destaque nacional.
A criatividade aflora de todos os cantos e o grande público passa a admirar não apenas os atores que aparecem nas novelas da Vênus Platinada (TV Globo), mas os nossos artistas, aqueles que não ganham salários milionários - e que às vezes nem mesmo ganham qualquer coisa. Fazem cultura apenas pelo prazer de ver seu povo repensar a realidade em que vive.
A cultura acreana atual procura dar ênfase à luta dos seringueiros que vieram para este Estado procurando ter uma condição melhor. Homens e mulheres que vieram cheios de sonhos, de ter uma vida digna, um lugar para si e, se preciso, lutar para defender esse sonho.
Daí a importância da cultura local: por meio de peças de teatro e livros podemos conhecer, um século depois, a luta desses acreanos. Nossa cultura indígena também não fica atrás e passa a ser supervalorizada. Nossos índios fazem apresentações em cerimoniais e mostram seu artesanato.
Os antigos palcos de glória acreanos estão sendo restaurados. O Teatrão volta a funcionar com o mesmo esplendor de outrora apresentando variados espetáculos. A Companhia de Teatro vem trabalhando a todo vapor produzindo peças e mais peças.
Resta torcer, diante de todo esse quadro, para que manifestações artísticas que há muito se perderam no ralo da incoerência administrativa voltem com todo o fervor de outrora. Como o carnaval de rua, por exemplo. Esta geração não lembra, mas aqui também já deu samba.