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Rio Branco - Acre, domingo, 26 de janeiro de 2003
Os detalhes da parceria do Acre com
a melhor medicina da América Latina

Investimentos nos próximos quatro anos darão ao
Estado a excelência na Medicina Comunitária

O governador Jorge Viana estabeleceu um acordo com técnicos e cientistas em ciência médica cubanos para a melhoria da qualidade da saúde pública no Acre. Ficou acordado que o Acre será o estado brasileiro onde será concretizada uma parceria na fabricação de remédios. Os cubanos se disponibilizaram a dar o suporte técnico-científico e o governo do Acre colabora com a infra-estrutura e garantia do fornecimento de matéria-prima.

Os primeiros fármacos a serem produzidos são vacinas e “interferóns” (medicamentos usados no combate da hepatite). Os remédios produzidos por um processo conhecido no meio médico como “bioprospecção” (processo que utiliza elementos naturais) é uma alternativa viável, sobretudo para o projeto de política sustentável defendido pelo governo de Jorge Viana. O potencial farmacêutico da floresta estaria em harmonia com a produção dos remédios, embora a bioprospecção exija uma pesquisa detalhada e rigorosa.

“Mas o principal benefício da aproximação da saúde pública acreana com os médicos e cientistas de Cuba está em outra esfera”, adianta Eduardo Farias, médico sanitarista. De acordo com Farias, a humanização dos processos de saúde e o fortalecimento da medicina comunitária são os principais fatores que explicam a procura do atual governo pela medicina cubana. “O Governo do Acre já procura concretizar a filosofia da medicina comunitária não só com o programa Saúde da Família, mas com toda a atenção estratégica dada ao longo dos últimos quatro anos para a saúde pública no estado”, avaliou Farias.

“Será uma experiência pioneira”, afirma Viana

Na viagem à Ilha, o governador Jorge Viana estava otimista em relação à concretização da nova fábrica de remédios. “Essa é uma experiência pioneira e pode servir de exemplo até para questionar os grandes laboratórios que funcionam quase como uma grande máfia dos medicamentos”, disse Viana ao sair do Centro de Engenharia Genética e Biotecnologia de Cuba.

O Secretário de Planejamento, Gilberto Siqueira, estava confiante no acordo com os técnicos de Cuba. “O Acre passa a ser um estado que pode ter excelência no atendimento médico à população carente com o acordo fechado aqui em Cuba”. A busca pela concretização da produção de remédios e pela formação de profissionais ligados à área de Farmácia-Bioquímica, utilizando a estrutura local, já estavam previstas no plano “Cuidando Bem do Acre”, elaborado pela equipe do governo e coordenada pelo vice-governador, Arnóbio Marques.

Além do Turismo, nos últimos 10 anos, Cuba intensificou os investimentos na área de biotecnologia aproveitando o know-how conquistado desde a Revolução de 1959. Hoje, já consegue ser destaque mundial na produção de vacinas e de alguns fármacos.

Compromisso com a saúde pública

Foi um compromisso revolucionário o investimento maciço na educação e na saúde. O comandante Fidel Castro assumiu o poder a partir de 31 de dezembro de 1959 e recebeu uma Cuba totalmente comprometida com a exclusão e com a miséria. Com a promessa de mudar o quadro da saúde pública no país, os revolucionários fizeram uma espécie de “revolução sanitária” na Ilha e eliminaram algumas doenças.

A Poliomielite teve a primeira grande campanha em 1962, com vacinação aplicada em crianças tanto da zona urbana quanto rural (seguindo a dinâmica do quadro). Cinco anos após, em 1967, os médicos cubanos já perceberam o quase desaparecimento da doença no país. Desde 1970, não há registro de um único caso de pólio na Ilha.

A dengue foi muito mais difícil de ser exterminada. Em 1981, mais de 350 mil cubanos estiveram com a doença, segundo dados da Organização Mundial de Saúde. Naquele ano, 151 pessoas morreram com a doença. A situação voltou em relativa normalidade durante quase quinze anos. Em 1997, novamente Cuba sofre um surto de dengue, mas com números bem mais modestos: 826 casos da doença e três mortes. Hoje, a situação voltou à normalidade. As vacinas produzidas em Cuba e que têm merecido destaque mundial são: vacinas contra a hepatite B, tétano neonatal (eliminado do país), pólio, rubéola e febre-amarela.

Acre inicia diálogo no momento estratégico

O Governo do Estado do Acre iniciou o diálogo com Cuba de maneira mais efetiva em um momento estratégico para a saúde pública local. Há quatro anos, não adiantaria iniciar qualquer espécie de diálogo com a estrutura do sistema de saúde esfacelada como estava. Além dos problemas financeiros internos que o Estado vivia, a saúde (principalmente no interior) era usada como curral eleitoral.

Passado quatro anos, o contexto histórico do Acre está completamente modificado. Com as contas públicas saneadas, o Estado pode investir em obras como a do Hospital de Cruzeiro do Sul que será o maior centro médico do Estado do Acre. Os hospitais públicos no estado já oferecem uma mudança significativa, tanto para o profissional da saúde como para o cidadão e pode pensar em dialogar com países mais desenvolvidos do ponto de vista médico para dinamizar o atendimento médico na rede pública.

Foram essas mudanças que garantiram o otimismo do governador Jorge Viana e do Secretário de Planejamento nos acordos feitos em Cuba.

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