| OPINIÃO | ||
| RETRATOS DO JURUÁ | ||
Nelson Liano Jr. |
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Enchente Parece milagre. Mas, apesar da situação trágica em que se encontram os municípios de Porto Walter e Marechal Thaumaturgo, devido à cheia repentina do rio Juruá, não foi registrada nenhuma vítima fatal. Mas isso não quer dizer que a situação seja confortável. Ontem, conversando com o prefeito Neuzari Pinheiro (PT), de Porto Walter, apesar de o rio ter parado momentaneamente de subir, as águas já tinham ultrapassado em muito a cota de emergência, chegando a 12,2 metros. O próprio prefeito confirma que o município tem quase cinco mil desabrigados, portanto, mais da metade da população. O deputado federal Gladson Cameli (PP-AC), que acompanha a situação de perto, esteve no município e teve que dormir numa rede improvisada na varanda de uma casa. Todas as residências na sede do município estão tomadas por desabrigados. Segundo Neuzari Pinheiro, a situação ontem era mais crítica nas colocações do baixo Juruá. Isso quer dizer em direção a Cruzeiro do Sul A atuação do Corpo de Bombeiros e do grupo do governo do Estado, capitaneado pelo vice-governador, César Messias, foi bastante elogiada pelo prefeito pela agilidade nas ações. Mal-entendido O governo do Estado mandou 37 toneladas de alimentos, adquiridos no comércio de Cruzeiro do Sul, via barco, para Porto Walter. Mas houve um fato no mínimo misterioso. O prefeito reclamava que um vereador de oposição, juntamente com o ex-prefeito Vanderlei Sales (PMDB), questionou a ida dos alimentos por falta de licitação. Isso teria atrasado a viagem do barco em pelo menos 12 horas. Tanto o vereador quanto o ex-prefeito desmentem categoricamente a afirmação. Mas então fica uma pergunta: o que teria atrasado a saída do barco com os mantimentos do porto de Cruzeiro do Sul num momento emergencial? Bem, política à parte, o fato é que o barco chegou ontem à tarde a Porto Walter e os alimentos começam a ser distribuídos hoje. Graças a Deus. Solidariedade O senador Tião Viana(PT-AC) têm se mostrado preocupado e presente à situação que o Vale do Juruá vive com a enchente. O vice-presidente do Senado, tem se comunicado diariamente com o vice César Messias se inteirando da situação. E tem conversado diariamente com a população através dos meios de comunicação. Por conta disso, já acionou a Defesa Civil Nacional, inclusive, ligando os municípios do Juruá que não eram cadastrados ao órgão federal. O objetivo é facilitar que a ajuda do governo brasileiro se torne mais ágil. Também já providenciou que o projeto de sua autoria Saúde Itinerante atue nos municípios atingidos. Quando as águas baixarem doenças oportunistas como a hepatite, lepitospirose, malária, febre amarela, etc, podem continuar o estrago. O senador quer evitar que o contágio aconteça prevenindo com antecedência. Ele também já se prontificou a conversar com o Ministro da Integração Nacional para conseguir recursos para a reconstrução dos municípios atingidos Nesta terça-feira, o senador acreano chega à região para ver de perto a situação do Juruá. São Sebastião debaixo d’água Em Marechal Thaumaturgo, águas já baixaram cerca de dois metros. Mas a tragédia deixada para trás é enorme. A preocupação maior é com a situação pós-enchente. O município ficou por alguns dias sem água potável e o DEAS providenciou uma nova bomba de água para abastecer a população. Na zona rural, a tragédia é ainda maior e os prejuízos incalculáveis. Gado, ovelhas, galinhas e plantações ficaram destruídas. Está para chegar na região, segundo informou o vice, César Messias, o secretário da Seaprof, Nilton Cossons, que vai avaliar a situação para criar iniciativas que ajudem essas famílias a se recuperarem. Outra questão importante é que Marechal Thaumaturgo vive seu momento mais importante com o Novenário à São Sebastião, que tem seu ápice hoje. Nesse período, saem barcos lotados de todos os municípios do Juruá para participarem da festa. Acontece que Marechal Thaumaturgo tem na sua sede cerca de 800 famílias desabrigadas, segundo estimativa do prefeito Itamar de Sá (PT). Isso significa cerca de 4 mil pessoas. Então, a soma dos desabrigados com os peregrinos acabou criando uma situação caótica no município com a falta de água potável, local para hospedagem e alimentação. Segundo o que comentou o vice, César Messias, moradores de Thaumaturgo, com mais de 80 anos de idade, afirmaram nunca terem visto uma cheia do rio tão grande no Alto Juruá. Preocupação A novela da enchente do Juruá poderá ter novos capítulos. Acontece que o grande volume de água vindo do Alto Juruá está chegando a Cruzeiro do Sul. Segundo informações do comandante do Corpo de Bombeiros, tenente Jamesclei, o rio em frente à cidade já ultrapassou a cota de transbordamento - 13 metros - em cerca de meio metro. E como dizia o velho filósofo chinês, ainda muita água vai passar por debaixo da ponte. Os bairros da Lagoa e do Miritizal já estão inundados. Dez famílias já foram removidas e estão no Ginásio de Esportes Alairton Negreiros. Mas nos próximos dias a situação poderá se agravar se não houver uma vazante forte no rio Juruá. E a previsão é de mais chuva na região. Vamos rezar ao Santo Guerreiro, São Sebastião, que tudo volte ao normal. Viva São Sebastião! |
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