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POLÍTICA

Governo divulga calendário
de 2008, incluindo o 13º salário


Antes de 1999, todo o funcionalismo público estadual sofria com até cinco meses de salários atrasados. O comércio trabalhava com insegurança. O rigor na gestão fiscal e o resgate da credibilidade política e financeira do Acre consolidam um novo tempo

O governo do Acre divulga o calendário de pagamento do funcionalismo de todos os meses de 2008, incluindo o 13º salário. Com isso, o governador Binho Marques cumpre compromisso anunciado pelo secretário de Fazenda, Mâncio Lima Cordeiro, em outubro do ano passado, por ocasião da liberação do calendário dos meses de outubro, novembro, dezembro e 13º.

O secretário de Finanças e Gestão Pública, Mâncio Lima Cordeiro, membro do Conselho Nacional de Administração (Consad) e do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), diz que no país há muitos Estados em que a situação remonta ao Acre anterior a 1999, quando os servidores e fornecedores do governo passavam até cinco meses sem receber pagamento. “Organização, saneamento financeiro, zelo com a coisa pública e respeito ao servidor são os elementos que permitiram ao governo assegurar o calendário de um ano inteiro”, disse Cordeiro. Trata-se ainda, na observação do secretário de Gestão de Pessoal, Clóvis Melo, de mais um meio de o mercado planejar os negócios.

Quando assumiu o governo do Acre, em janeiro de 1999, Jorge Viana encontrou os cofres públicos endividados: apenas em salários atrasados o rombo chegava a R$ 45 milhões. Havia um misto de tensão e esperança com o que seria feito para pagar os atrasados. Viana convocou líderes políticos e sindicais e pactou que o pagamento seria algo religioso no governo que se instalava, mas era necessário tempo para colocar tudo em dia. Os atrasados foram pagos em algumas parcelas, sendo que o salário do mês era pago dentro do período trabalhado - algo inédito até então.

Lutas intensas - O calendário, segundo Mâncio Lima, traz uma segurança muito grande para o comércio e mantém a economia aquecida na medida em que as empresas têm como se planejar. É importante manter a lembrança dos tempos difíceis porque, para chegar ao atual estágio, a luta foi intensa. O diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas da Administração Indireta (Simdecaf), Nilson Rocha, é servidor de carreira da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), hoje incorporada pela Secretaria de Extensão Agroflorestal e Produção Familiar (Seaprof). “Chegamos a passar cinco meses sem receber”, afirmou. Nesse tempo, as greves e manifestações eram instrumentos constantemente usados pela categoria.

Sindicatos eram portais do sofrimento dos servidores

As instituições representativas dos trabalhadores, os sindicatos e associações, eram, naquele tempo, verdadeiros portais do sofrimento dos funcionários. “Saímos de uma fase em que o trabalhador perguntava em que mês ia receber para o pagamento em dia dentro do período trabalhado”, observou Manoel Lima, presidente da Centra Única dos Trabalhadores (CUT) e do Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sinteac), que reúne a maior parcela dos servidores estaduais.

O diretor financeiro de outro grande sindicato do Acre, o dos Trabalhadores em Saúde (Sintesac), José Pinheiro da Silva, é funcionário público há 31 anos e fez a seguinte avaliação sobre o calendário anunciado pelo governo: “Essa medida traz a certeza do dia em que vamos receber. Portanto, do dia em que a gente pode cumprir os compromissos. Traz mais tranqüilidade.”

Alegria e tranqüilidade com anúncio de calendário do ano

Consultados sobre o tema, servidores de diferentes repartições vêem no calendário de pagamento do ano todo a complementação da estabilidade que o governo já vinha oferecendo à classe. Veja algumas opiniões:

“O calendário sempre ajudou muito. A gente trabalha sabendo a data que vai receber. E esse do ano todo então é ainda melhor.”
Maria Auxiliadora Oliveira da Silva, 23 anos no serviço público

“O governo traz credibilidade. Quem tem credibilidade tem tudo.”
Aluízio Cezar, funcionário da Fundação de Bem-Estar Social do Acre (Funbesa) e presidente do Simdecaf


“A influência do calendário é grande. O servidor tem planejamento para comprar e para pagar. O comércio abre as portas porque sabe que irá receber.”
Edvaldo Nunes da Silva, o Gaguinho, servidor do Deracre desde janeiro de 1965

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Rio Branco-AC, 20 de janeiro de 2008
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Com Leonildo Rosas
 
 
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