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Cheiro de mato Acre terá primeira fábrica de extratos da floresta para aromatizar alimentos e bebidas e combater a impotência |
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Juracy Xangai Cascas, folhas, flores e frutos de plantas típicas da Amazônia estão sendo transformados em extratos concentrados com os quais o paulista Luiz dos Santos Poklen aromatiza cachaças, vinhos e alimentos como carne e frango, além de dar novos sabores ao tradicional café. Em 1980 ele veio para Rondônia interessado na exploração de madeiras que vendia em toras. De lá passou para o Acre onde trabalhou em Tarauacá, Porto Acre e Acrelândia, mas, com o aumento no rigor das leis ambientais, migrou para a compra de gado, com o que tem trabalhado nos últimos sete anos. “Desde os tempos que a gente trabalhava na mata sempre admirei os cheiros e sabores das nossas madeiras, ervas e frutas com as quais o povo fabrica garrafadas medicinais, doces e licores. Mas foi durante uma viagem à minha cidade natal, Vilarema, em São Paulo, que encontrei um amigo produzindo cachaça envelhecida com madeiras. Daí pensei: se a madeira é tão boa, as cascas, que é onde estão as principais essências de nossas plantas, aí é que vai dar uma essência boa mesmo”, recorda Poklen. Mas da idéia à prática o processo já consome mais de três anos, período em que ele aliou-se a um bioquímico que o orienta nos processos de extração dos extratos com apoio da Unidade Técnica de Alimentos (Utal) da Universidade Federal do Acre (Ufac) e do laboratório de toxicologia da Universidade de São Paulo (USP) de Araraquara, a única que faz esse tipo de teste na América Latina. “Tive muito trabalho e mesmo assim cometi erros que causaram a perda de alguns extratos, mas depois peguei o jeito. Praticamente não há informações de como fazer a legalização desse tipo de trabalho, por isso encontrei muitas portas fechadas, mas foi com a ajuda do deputado Thaumaturgo Sá acionando o Ministério da Agricultura que as coisas começaram a andar e vieram os apoios dos laboratórios”, esclarece. Cuidados compensados - Tanto esforço e dedicação estão sendo compensados, conforme explica Luiz Poklen. “Agora já estou com as patentes dos extratos de bálsamo, catuaba e copaíba. Nos próximos dias saem os da imburana [cerejeira], jatobá, ipê, quina-quina e jurubeba.” Neste momento já está entrando com o pedido de patente dos extratos de açaí, buriti, pacoba, guaraná, araçá-boi, castanha, marolo, andiroba, lima, cereja, maçã, café, gengibre e hortelã. Tudo é feito em nome da empresa de extratos naturais Kynã, nome criado por ele combinando a letra “K” de seu sobrenome e o nome indígena Taynã. No rótulo, uma ararinha colorida e uma foto do rio Acre serpenteando pela floresta dão identidade ainda mais amazônica ao produto que entrará no mercado ainda neste ano. Articulando-se para instalar a futura fábrica em Senador Guiomard, o patenteador dos extratos da floresta espera ser beneficiado com os incentivos da Comissão Política de Incentivo às Atividades Industriais no Estado do Acre (Copiai) para financiar a construção e instalação dos equipamentos, que hoje, ainda são totalmente artesanais. Apesar disso, a proposta inicial de trabalhar com bebidas já evoluiu porque ele descobriu que pode transformar suas essências em pó, com o qual, as pessoas podem aromatizar tanto bebidas quanto alimentos ou dar o uso que bem quiser. Valorização da cultura - Ele faz questão de lembrar que não é o descobridor desses aromas e sabores já consagrados pela cultura cabocla de índios, seringueiros e colonos, os verdadeiros doutores da floresta que, por necessidade descobriram nestas planas na apenas o prazer, mas o socorro na cura de muitas doenças, inclusive soluções para a impotência sexual. “Colonos, seringueiros e índios acumularam um grande conhecimento que nunca foi devidamente valorizado, com meu trabalho espero estar valorizando e preservando o que é nosso antes que outras pessoas façam isso”, diz Poklen. Empolgado ele acrescenta: “Essa lista que citei é um quase nada diante de muito que existe para ser aproveitado sem que seja necessário derrubar uma única árvore, pois nosso objetivo é trabalhar somente com as cascas da galha das madeiras retiradas nos projetos de manejo. Ao mesmo tempo, queremos incentivar as pessoas a plantarem essas essências, assim, daqui a 30 ou 40 anos nem vamos precisar mexer na mata para conseguir nossa matéria prima!” Outro fato lamentado por Poklen é o fato de que nenhum dos alambiques que produzem cachaça artesanalmente no Acre e em Rondônia estão legalizados, isto o obriga a importar de minas gerais o álcool que usa no preparo de suas essências. Produtos de mercado - Já estão devidamente registrados e até com modelo de rótulo pronto três extratos de cachaça branca formados pela combinação com copaíba e bálsamo. A simples com 39º GL de cor mais clara e sabor leve, já a especial de 41º GL é de cor mais escurecida e sabor marcante. “Eu não costumo beber, mas dia destes quando ia pela BR-364 para Tarauacá acrescentei a essência à garrafa de 61 que o pessoal estava bebendo, eles ficaram em dúvida, pediram para eu beber primeiro, gostaram tanto que beberam três garrafas e eu acompanhei. Cheguei em casa, dormi e no dia seguinte não tinha ressaca, o hálito estava limpo e não saía aquele cheiro ruim no suor, foi então que descobri sua propriedade anti-ressaca, contra o mal hálito e o cheiro forte no suor. Foi uma surpresa”. Seus produtos estão devidamente registrados no Ministério da Agricultura e prontos para serem comercializados, mas algumas qualidades destes são surpreendentes: “Minha esposa utiliza tanto o pó quanto o extrato de bálsamo e copaíba para amaciar carne e melhorar o sabor do frango de granja”. Mas ele também faz questão de esclarecer que embora a cultura tradicional tenha consagrado as propriedades medicinais da maioria destas plantas, sua comercialização como medicamento só pode ser autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) num processo caro e demorado. Por isso, quem quiser conhecer as propriedades medicinais destas plantas, frutos e fllores pode faze-lo acessando o site www.plantamed.com.br, através do qual terá informações sobre o que a ciência já confirmou delas. Ele produz, ainda não comercialmente, bebidas estimulantes são combinações do bálsamo e catuaba; as afrodisíacas combinam bálsamo com copaíba e catuaba. Licores de açaí, catuaba, bálsamo, jatobá, ipê e cerejeira. Aperitivos de catuaba, jurubeba, batidas compostas de amendoim, limão e coco, vinhos de açaí, uva, jaboticaba e jatobá. Além disso, faz o leite de onça, uma das bebidas inventadas pelos seringueiros misturando leite condensado, álcool e açúcar. Tesão da Amazônia - Muitas pessoas vem buscando o extrato do ipê roxo, que a ciência já comprovou combater vários tipos de câncer, mas a impotência ou falta de apetite sexual, embora seja assunto tabu, é um dos que causa maior procura pelos homens e mulheres. A fórmula da solução consagrada pela tradição é o uso da combinação de catuaba, guaraná, gengibre, copaíba e bálsamo pra socorrer os caídos. Elaboradas as fórmulas, agora Poklen está trabalhando a proposta de criar uma embalagem que dê uma identidade bem regional ao seu produto. “Minha idéia é ter alguma coisa mais típica, assim além de ajudar a conservar a floresta e valorizar o conhecimento tradicional, ainda vamos estar gerando emprego e renda para os artesãos de nosso Estado”. Contatos pelo telefone (68) 8115-0619. |
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