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| ALMANACRE | |
| Elson Martins | |
Somos todos parentes
O segundo, bem maior (cerca de 40 minutos), é uma produção recente da TBS (Tokyo Broadcasting Sistem) Vision, Inc.: um especial feito pela tv japonesa sobre escavações arqueológicas em Moxos, região do Beni, na Bolívia. Foi exibido no Japão em março, despertando enorme interesse. Mas haja pipoca até o pessoal se acostumar com o áudio em japonês e sem legenda. Sem falar que a atenuante, em alguns trechos, era um pesquisador alemão falando... alemão. Felizmente, o professor Alceu tinha traduzido um resumo em inglês e foi generoso nas explicações. Além disso, da segunda para a terceira parte ninguém mais ligava para o idioma, porque as imagens, rodadas na Bolívia, tinham tudo a ver com nossa região do Alto Acre. Aqui, como lá, existem sítios arqueológicos, só que ainda não pesquisados. O filme japonês apresenta os resultados das escavações de duas equipes de arqueólogos - explica o professor Alceu Ranzi. A equipe do professor Sanematsu recolheu cerca de 15.000 artefatos desde o inicio dos trabalhos. Ela também encontrou um esqueleto de mais de 1,80 metro, cujo DNA indica ter pertencido ao povo de Shandong, na China, terra do filósofo Confúcio. Sanematsu, que utiliza imagens de radar em seus estudos, acredita que o sítio é uma tumba. Já a equipe do Instituto Alemão de Arqueologia, encabeçada por Heiko Prümers, trabalha numa área a 50 quilômetros de Trinidad e acredita estar escavando restos de uma civilização. No local encontraram um esqueleto com mais de 2 metros de altura, ao qual foi dado o nome de “O Nobre”. Enterrado, supostamente, aos 35 de idade, o Nobre hoje esqueleto exibe ornamentos de pedra, um disco de metal ornando a testa, bracelete de ossos, colar de dentes de onça e brincos com estranho padrão. A datação da peça sugere que ele viveu em torno do ano 660. E a análise de DNA indica que pertenceu ao “Haplo-group B”, ou seja, era mongolóide como os japoneses. Após as filmagens na Bolivia, a equipe passou para o lado brasileiro para ver as estruturas geométricas (ou geoglifos) do Acre. Nas redondezas de Rio Branco foram achados, desde alguns anos, mais de 120 dessas figuras na forma de círculos, quadrados, quadrados ligados por um canal e estruturas de forma octogonal. Para Alceu Ranzi, um pioneiro nos achados arqueológicos do Acre, as pesquisas feitas na Bolívia podem representar sinais de uma civilização altamente avançada que viveu em harmonia com a natureza. “A paisagem de Moxos, formada por belas e complexas linhas, pode ser a expressão de uma antiga cosmologia”, diz ele, citando Clark Erikson, da Universidade da Pensilvânia (USA). “E as estruturas com padrões geométricos, encontradas no Acre, talvez sejam uma mensagem gravada no solo para as futuras gerações.” RECLAMAÇÃO “Senhor Editor, Ao ler o jornal PÁGINA 20, dos dias 13 e 14.05.2007, coluna Almanacre, página 20, tive a impressão que o autor escreveu a matéria eivado de bairrismo acrescido com discriminação, na matéria sobre a Praça dos Tocos. Inicialmente, quero informar que trabalho eventualmente no estado do Acre desde 1998, sou engenheiro mecânico, natural de Santa Catarina, formado numa das melhores faculdades de engenharia mecânica do Brasil (ufsc), segundo a classificação da mídia. Mas, pessoalmente, não me considero melhor nem pior do que os engenheiros formados nos outros estados do Brasil seja norte, nordeste, centro-oeste e sudeste. Quando a matéria cita: “Olha, a praça ficou acolhedora, bucólica, linda. Dá vontade de ficar lá horas, protegido pelo tom natural...”, gostei muito. Uma leitura fácil. Contrastando com esse trecho citado, também está escrito: “O recado serve aos atuais engenheiros e arquitetos, muitos dos quais preferem ambientes que abusam do ferro, do aço e do cimento, sem falar no design estilo caixote que aprendem nas escolinhas de engenharia do sul maravilha. Será tão difícil construir solidez com beleza e conforto de um modo amazônico?”. Que tristeza! Quanta discriminação com o povo do sul! Em todos estes anos que trabalho aqui, nunca tinha ouvido tanta discriminação. Pelo contrário, sempre fui muito bem tratado, respeitado, sem que alguém tivesse proferido tamanha sandice.Quero crer, que V.Sª. deve pensar isto mesmo, senão não tinha escrito tamanha besteira. Já fui convidado e palestrei para alunos das faculdades locais e sempre os tratei com a maior urbanidade e cidadania, tendo recebido tratamento igual e por vezes até mais cordial da parte deles. V.Sª. se expressou com muita infelicidade. “...escolinhas de engenharia do sul maravilha.” é um termo pejorativo e discriminatório utilizado por pouquíssimas pessoas desta região, porque nós não falamos que somos maravilha. Pelo contrário, temos tantos problemas no sul quanto em qualquer outra parte do Brasil. O jornalista deve escrever suas matérias como se tivesse escrevendo para todo o Brasil e não somente para satisfazer seu ego. Desculpe-me, mas não pude me conter.Tive a sensação de que fui discriminado pelos termos usados por V.Sª., impressão também compartilhada por colegas de outros estados: RR, RJ, SP e RJ, que trabalham aqui neste estado, aos quais mostrei a reportagem”. Cordialmente, Airton Lopes --------------------------------------------------------- PURUSSAURUS Elson, Foi uma agradável surpresa para mim, receber, outro dia, a matéria tão simpática que você escreveu sobre as minhas esculturas e a possível chegada do Purussaurus. O Professor Alceu Ranzi me mandou a página, e fiquei muito contente ao saber que o nosso vertebrado já começou a ser notícia. Outra coisa que me chamou atenção foi a qualidade da matéria, mostrando que você, diferente de outros jornalistas, realmente presta atenção no que o entrevistado tem a dizer. Meus parabéns! Está muito bem escrita. Agora, só nos resta esperar o aval do “nosso” novo Governador. Eu estou indo novamente a Rio Branco e espero que isso aconteça logo, terei muito prazer em encontrá-lo. Um abraço e obrigada pelo apoio. Christina Motta (Rio) |
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