COTIDIANO

Programa Infopen revoluciona o sistema penitenciário do país

Sistema terá dados relativos a advogados e parentes dos detentos


Técnico do Depen analisa dados das penitenciárias pelo Infopen


Antes parecia difícil identificar nome, idade, características físicas, número de processos na Justiça, tipo de crime cometido, quanto tempo resta de pena e muitos outros aspectos dos presos brasileiros. Agora, o que antes era uma utopia hoje é uma realidade, com uma simples consulta no computador, por meio do InfoPen Gestão. Desenvolvido pelo Departamento Penitenciário Nacional (Depen) do Ministério da Justiça, o sistema permite a integração de informações dos sistemas prisionais do país. Além disso, o sistema terá dados relativos a advogados, parentes e quem mais visitar os detentos nos estabelecimentos prisionais.

Agora,por exemplo, o Pará e o Amapá – que fizeram convênio recente com o Depen para a implantação do InfoPen Gestão – poderão trocar informações com Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Norte, Maranhão, Distrito Federal, Mato Grosso, Espírito Santo e Pernambuco. Os 10 estados estão no projeto-piloto, instalado pelo Depen ao longo deste ano. A intenção é que, até 2009, todos os estados contem com o serviço.

A idéia do InfoPen, inédita na América Latina, surgiu em 2004. “Não existia nada (em termos de integração de informação). Nós mandávamos um ofício para determinado presídio e recebíamos a resposta 60 dias depois”, lembrou o coordenador-geral de Políticas, Pesquisa e Análise da Informação do Depen, Alexandre Cabana. “A informação é dinâmica, mas quando chegava aqui, já estava obsoleta”, completou.

Para resolver o problema, o departamento pensou em uma forma que integrasse os bancos de dados das penitenciárias brasileiras. E assim surgiu o Infopen. “O sistema é modular. A primeira fase foi o InfoPen Estatística. Todos os estados disponibilizaram vários indicadores quantitativos”, explicou a coordenadora do projeto, Ana Lúcia Chaves. Entre eles, número de presos, de estabelecimentos prisionais, o grau de escolaridade do detento, o regime de cumprimento de pena, entre outros.

O InfoPen Gestão, que está sendo implantado, é a segunda etapa do projeto. Esta fase possibilitará a unificação das bases de dados das informações penitenciárias do país. Será automatizada toda a rotina de uma penitenciária. Serão cadastrados os servidores, presos, advogados, parentes e quem mais passar pelo local.

Na prática, o sistema funcionará da seguinte forma: o servidor de determinada penitenciária terá acesso a todos os dados dos detentos. Será possível saber nome, idade, características físicas – desde aparência a tatuagens e cicatrizes –, dados jurídicos, processos na Justiça, quanto tempo resta de pena, etc. Hoje, estes dados, quando existem, estão espalhados por diversos órgãos, o que dificulta o trabalho da Justiça, da polícia e da defesa.

Com o Infopen Gestão, o processo se tornará mais ágil. Ficará mais fácil para as forças de segurança terem acesso às informações necessárias para a manutenção da ordem no sistema carcerário e para a definição de políticas públicas. Os presos também serão beneficiados. Não haverá mais o risco de uma pessoa que já cumpriu a pena continuar presa, por falta de comunicação entre determinados setores, também será reduzida a chance de que homônimos (pessoas que tem o mesmo nome) fiquem encarcerados indevidamente.

“Será feita a identificação inequívoca dos presos por meio das impressões digitais”, afirmou Ana Lúcia, se referindo à técnica da biometria. O InfoPen Gestão trabalhará em consonância com o Sistema Automatizado de Identificação de Impressões Digitais da Polícia Federal

De acordo com Ana Lúcia, a iniciativa tem importância ímpar. “O Depen passa a ter informações concretas para julgar as necessidades que lhe são apresentadas. Antes, não existia um parâmetro para julgar estes pedidos. O InfoPen norteia a tomada de decisões e facilita as rotinas dentro dos estabelecimentos prisionais”, defendeu a coordenadora do projeto. Cabana vai além. Para ele, o procedimento representa um divisor de águas. “Pela primeira vez na história, o Estado tem como observar o sistema (penitenciário) como um todo”, disse.

Mais uma etapa - Após a efetivação total do InfoPen Gestão, a próxima etapa será o desenvolvimento do InfoPen Inteligência. A proposta é a de prever os fatos para, assim, focar o trabalho em ações de prevenção. “Teremos uma maior previsibilidade dos eventos. Vamos poder antever motins, por exemplo”, contou Ana Lúcia.

Para tanto, servidores do Depen já trabalham no projeto. A equipe é composta por quatro analistas de sistemas, e gerentes de relacionamento, processos e projetos. Assim como acontece com as duas primeiras etapas, servidores do departamento irão até os estados capacitar os servidores locais, à medida que o software for implantado.

Penalidades - Por se tratar de informação privilegiada, o acesso ao InfoPen é restrito. Geralmente, os usuários são escolhidos pelas secretarias de justiça, mas agentes penitenciários e promotores também podem verificar dados. Todos, no entanto, precisam assinar um termo de responsabilidade no Depen. “A política de concessão de acesso é bastante segura”, garante a coordenadora do projeto.

 

 
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