
Apuí que nasce nas entranhas da palheira, alimenta-se
dela e depois toma-lhe o lugar, matando-a
SIMBIOSE O amor que era o sol dela
Ele deixou pra lá, trocou
Ela espalhou para ali, acolá
Entregou pra cá, multiplicou
E só então se mostrou grande
O amor que até ali era único
Virou fera, quase saiu de si
Saiu dela, uma dor expandiu
Semeou o prazer, a vastidão
Único querer não espera, sorri
É o que existe e o que devora
O que após perdido se revela
Emoção plena a reabrir a flor
Ele abraçou esse amor vasto
Ela perdeu aquele amor puro
Para lá e para cá o querer dançou
A recriação da dor, a reprodução
As várias faces do amor, quisera
Uma música nele tocou, cantou
Ela espalhou e semeou, quimera
Um amor desses assim, quem dera.
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