| OPINIÃO | ||
| CRÔNICA DE DOMINGO | ||
José Augusto Fontes |
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Tarde que se afoga no rio Acre Um balãozinho enfeita o vento e percorre o céu, já quase possuído pela noite, que vem tirando o dourado das águas do rio. O balãozinho é azul e o céu não é cinzento. A tarde vai caindo na água e algum pensamento se afoga distante. A própria tarde se afoga no Rio Acre, acostumado já com tanto entardecer, com toda a paisagem próxima e com viagens para longe, para onde vai também afogar-se, incessantemente. Segue para um fim, mas não pára de seguir. Uma canoinha pinta um banzeiro no rio e as bordas roçam mais longe, areia, capim e até concreto. A canoinha vai passando e levando o barulho que já cortou a tarde e agora penetra a noite. O sol caiu na água e afogou-se no rio, abraçado com a tarde. Tudo vai, tardes passam, noites voltam, e o rio não pára de passar, estando no mesmo lugar, aqui e mais adiante. Quem sabe, a canoinha que sobe na contramão do rio, descubra a origem desse incessante seguir. Enquanto viajo algum pensamento fisgo a lua, no visgo do olhar nascente, e a trago para perto, clareando o sentimento que não salta da boca da noite. A noite é para calar. O dourado ficou escuro e já é possível dizê-lo prateado. O balãozinho perdeu-se em outro azul. Meu pensamento afogou-se no verde das matas ao redor, no olhar que me navega. As águas refletem perto o distante céu estrelado. A cada instante, são novas águas. A cada instante, é preciso seguir. |
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