COTIDIANO

Glicério Gomes quer revolucionar as artes na presidência da AAPA

Promotor cultural quer implantar pinacoteca virtual no Acre


Artistas reunidos na Intendência boliviana, em 1987

Cleber Borges

Idéias revolucionárias no campo das artes e mais espaço para os artistas acreanos. É isso que o marchand Glicério Gomes pretende implantar, caso seja eleito no final deste mês presidente da AAPA (Associação dos Artistas Plásticos do Acre). Ele quer criar uma pinacoteca virtual para facilitar a venda de quadros dos artistas locais e reabrir o museu de belas artes que funcionou nos altos da Biblioteca Municipal e foi fechado há doze anos com a promessa de que seria reaberto. Por não acreditar no pragmatismo da classe, ele também pretende entregar a direção da Associação para estudantes de Administração de uma faculdade local e passar a responsabilidade pela elaboração e apresentação de projetos junto à instituições particulares e governamentais para as mãos de um especialistas que deverá ser funcionário da Casa.

Glicério quer assumir a direção da AAPA porque tem a certeza de que vai ganhar mais espaço para contribuir com os artistas plásticos do que vem fazendo como dono de um atelier de moldura mantido pela esposa dele. “Eu e dona Lair, a rainha das molduras, às vezes estamos mais próximos dos artistas do que a associação. A gente vem ajudando, opinando e contribuindo com a classe”, diz o candidato, que também é, há 19 anos, agente de comunicação social da Fundação Elias Mansour (FEM).

Um outro argumento que o promotor cultural utiliza a seu favor é que ele não vai concorrer com os associados como fez a maioria dos ex-dirigentes da AAPA, todos pintores acusados de privilegiar suas obras em detrimento das dos colegas.

Glicério Gomes ajuda a AAPA, de forma indireta há 19 anos, desde que a instituição foi fundada. Nesse período, ele só participou da primeira diretoria, cujos membros fundadores eram os artistas Péricles Silva (presidente), Jorge Rivasplata (vice),Glicério Gomes (1º secretário) e Hélio Melo (2º secretário). “Naquele momento, as artes estavam em plena efervescência aqui no Acre. Nós nos juntamos a um grupo de artistas para reforçar esse movimento. Tivemos a sorte de ter o apoio do então prefeito Jorge Kalume, um homem sensível às artes - como senador havia criado o Dia Nacional da Cultura -, que gentilmente cedeu uma sala no térreo da prefeitura para criarmos a sede da Associação, onde funciona até hoje”, recorda o marchand, lembrando que essa iniciativa foi o embrião de futuras manifestações artísticas e para a sensibilização de empresários ligados à Educação que criaram, há dois anos, as primeiras faculdades de artes visuais do Estado.

“Antes da Lei 1.000 de Incentivo à Cultura que o então vereador Marcos Afonso criou na gestão do ex-prefeito Jorge Viana, nós já buscávamos credenciamento junto à Lei Sarney que depois virou Lei Rounet, durante o governo Fernando Henrique”, garante.

Depois, mesmo estando fora da direção da AAPA, Glicério Gomes nunca deixou de incentivar as artes e estudar. Em 1992, esteve em Cuzco (Peru) abrindo o intercâmbio cultural entre os dois países que ainda hoje dão resultados. Depois disso, esteve divulgando as artes acreanas no Paraná, Santa Catarina e em todas as cidades do interior do Acre. Na época não tinha o ensino médio, então resolveu correr atrás. Hoje, ele cursa Filosofia na Faculdade Sinal.

Particularmente, Glicério Gomes vem apoiando exposições no saguão do hotel Imperador Galvez, da Justiça Federal, TCE e Sesc. “Mas temos que ter nosso espaço próprio porque o da prefeitura tem pouco mais de 30m2, além disso, o artista que busca esses espaços alternativos tem que entrar na fila e enfrentar uma série de burocracia que queremos eliminar”, diz o também artista, alegando que num museu de belas artes próprio vai poder apoiar os iniciantes com cursos de desenhos, pintura e até escultura. “Ele vai estar onde já deveria estar”, disse José Matos, um renomado artista da cidade.

 

 
© Copyright Página 20 todos os direitos reservados    -      Imprimir       -       TOPO
Rio Branco-AC, 20 de julho de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
P E S Q U I S A

 COTIDIANO
 COLUNAS
 EDITORIAL
 ENTREVISTA
 ESPECIAL
 ESPORTE 20
 POLÍTICA
 OPINIÃO
 VARIEDADES
 EDIÇÕES
 EXPEDIENTE
 E-MAIL