OPINIÃO
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Chagas Batista *

 


Integração: bandeira de um sonho antigo

A intenção de integração do vale do Juruá é uma bandeira antiga. Tem sonho, pesadelo, enganação e muito folclore político. Em função das frustrações, uma (des) crença ganhou força: a integração não interessava porque, no dia que acontecesse, os políticos não tinham mais discurso para enganar e, portanto, não iam ter o mais importante, voto para se eleger.

A ditadura dizia que somente ela e seus aliados tinham força e compromissos para integrar o estado de ponta a ponta. Não fizeram e foram acusados de incompetentes pela oposição. Depois da redemocratização e a chegada ao poder dos oposicionistas em 1982, vieram novas promessas, afirmando a pavimentação da estrada como ação prioritária, para demonstrar o amor pelo Acre. Em Tarauacá políticos locais anunciavam que, se eleitos fossem, construiriam a estrada e as pontes. Ai, “nem doce nem amargo”, até a abertura do verão foi inviabilizada.

Com tanta promessa e desilusão, apareceu um salvador, acusando os políticos de enganarem os Juruaenses e o povo Acreano. Dizia que se eleito fosse poderia até não fazer outra coisa, mas a estrada seria concluída de Rio Branco a Cruzeiro do Sul. Quando percebeu a frustração popular pela promessa não cumprida, passou a acusar a esquerda acreana de ser inimiga da estrada e do progresso. Lembro que em uma audiência publica realizada em Tarauacá, aquele governador, com toda sua tropa de choque, de forma virulenta, agrediu tanto a Frente Popular e a senadora Marina que o povo queria tocar fogo na sede dos nossos partidos. Só não apanhamos porque não tivemos medo de cara feia.

Em 1998, quando a Frente popular se preparava para a disputa eleitoral, a maior preocupação era como enfrentar as acusações referentes à questão ambiental e a pavimentação da estrada. As forças conservadoras diziam em atos e comícios que se Jorge Viana vencesse o sonho de asfaltamento da BR estava acabado. O Dep. Chico Sombra dizia em versos e prosas que a Senadora Marina gostava mais de um macaco prego do que do povo acreano. Felizmente o povo não acreditou na macacada do Deputado... E a Frente, mesmo sem prometer o asfaltamento, venceu a eleição.

Em pouco mais de 8 anos, a Frente fez muito mais que os defensores da estrada e do “progresso” fizeram em 30 anos. Se no comparativo desse item, não houver questionamento, torna desnecessário comparar os demais. O volume de recursos investido para ligar Feijó a Cruzeiro do Sul são os maiores investimentos injetados em toda a história da região. Esse investimento, além de construir a estrada, gerou direta e indiretamente, milhares de empregos, recuperou a infra-estrutura urbana da cidade de Tarauacá, produto do imposto de ISS, gerada para a prefeitura.

Agora, ao anunciar a contratação de pavimentação do trecho Sena Madureira – Feijó e a garantia dos recursos para as construções das pontes dos rios Purus (Manoel Urbano), Envira (Feijó), Tarauacá (Tarauacá) e Juruá (Cruzeiro do Sul), o governador Binho Marques e a Frente Popular sinalizam concretamente que o sonho da integração está ao alcance das nossas mãos. Embora conscientes das dificuldades que ainda temos a romper, o bom é que não vivemos mais de ilusão, sabemos que niguém vai mais nos enganar como antes. O que pode ser feito nesse sentido, a Frente Popular já está fazendo.

Quando ouço o discurso de que o governo está parado, vejo que essa afirmativa tem dois viés. A primeira é enviesada, da oposição conservadora tentando formar uma palavra de ordem agourenta para balizar seus pálidos argumentos. Mas o povo não é bobo, sabe que, quem está cobrando não foi capaz de fazer quando teve oportunidade. A segunda, de certa forma motivada pela primeira, tem preocupação sincera, são pessoas do nosso campo que querem ver o governo acelerado, em velocidade máxima. O governo precisou fazer alguns ajustes na máquina, mas já começa ganhar ritmo para continuar a corrida. Os indicadores de popularidade do governador Binho dizem isso.

A proximidade da integração do vale do Juruá, interligando Feijó, Tarauacá e Cruzeiro do Sul, já é uma chegada concreta. Essa realidade tem pra nossa região um significado histórico. vivemos um século construindo nossa identidade, separados por rios e menos de 300 km de terra e floresta. Agora temos a possibilidade da integração política, econômica e cultural. Temos a oportunidade de debater e implementar um projeto de desenvolvimento econômico e sustentável integrado. Viabilizar projetos e programas de infra-estrutura, de produção, saúde, educação, espaços de lazer e cultura, direcionados para atender as necessidades materiais, culturais e espirituais dos Cruzeirenses, Taraucaenses e Feijoenses.

É preciso celebrar um pacto entre os governos e o povo dessas cidades, especialmente, Tarauacá, Feijó e Jordão, cidades mais próximas entre si e mais carentes de investimentos. Muitos problemas desses municípios podem serem resolvidos em projetos comuns de interesse regional. Nessa hora é preciso espírito publico, compromissos elevados, capacidade administrativa e credibilidade política. Feijó e Tarauacá não podem viver de rivalidade boba. Com a velha idéia de que, o que é bom para Tarauacá é ruim pra Feijó e vice-versa. Somos praticamente uma cidade, apenas separadas por 46 km e dois Rios. Com entendimento e coerência é possível mudar a lógica da disputa pela união e conquistar significativos investimentos e melhoria dos indicadores sociais de nossas cidades.

Que a Frente Popular continue com energia e saúde para que o Acre não retroceda. Sabemos que a viagem é longa, mas o bom é que há um farol, um caminho, disposição e um jeito de caminhar. Quem viveu e acompanha a história do Acre, sabe como funcionava a política e o poder no estado. Vi muita truculência e desrespeito às necessidades mais elementares da nossa gente. Não tenho saudades do passado e os acreanos também não! Por isso, é preciso reafirmar a cada dia nossos compromissos com as causas mais legitimas e elevada do nosso povo, preservar as conquistas e avançar em frente, sinalizando e manobrando à esquerda.

A eleição de 2008, além de ser a ante-sala de 2010, é o momento oportuno para qualificar nosso projeto. As eleições de bases são os pilares que irão dar sustentação a uma estrutura mais duradoura do nosso pensamento. Redefinir nossas orientações sobre como acumular forças sem perder a identidade e o rumo é questão chave. Em suma, dar centralidade ao debate político para consolidar o projeto que queremos, que seja democrático e popular, para realizar nossos sonhos, novos e antigos.

* Presidente do PC do B de Tarauacá

 

 
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Rio Branco-AC, 20 de julho de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
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Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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