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Avanços cirúrgicos Médicos realizam cirurgia inovadora em alta complexidade na Fundhacre |
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Carlos Martins é um jovem agricultor de Acrelândia. Aos 26 anos, os médicos confirmaram que ele é uma pessoa com tendência a produzir pedra no rim e terá de ter acompanhamento clínico especial ao longo dos anos - mas não por isso deixará de levar uma vida normal. Carlos é a terceira pessoa a passar por uma cirurgia pioneira na Fundação Hospital Estadual do Acre (Fundhacre), que é a retirada de cálculo renal utilizando-se uma minúscula câmera de vídeo e uma sonda de pressão - método somente utilizado nos grandes centros urbanos. De seu rim retirou-se um cálculo de nada menos que quatro centímetros de diâmetro, uma pedra composta basicamente de cálcio que provocava cólicas horríveis no paciente. “Era muita dor que eu sentia”, contou Carlos, pronto para ir para casa um dia depois de ter passado pela mesa de operação. Além de Fernando Melo, o médico que operou Carlos, operaram o agricultor (e dois outros pacientes) por esse método os médicos Gabriel Cardoso, Mauro César e Rudney Kato. Carlos foi operado na quarta-feira pela equipe do médico Fernando Melo, um dos especialistas em cirurgia de alta complexidade da Fundhacre. Carlos já havia passado por uma operação com o mesmo objetivo num hospital de Belo Horizonte (MG). “Tinha uma pedra de três centímetros”, lembra o rapaz, convalescendo numa das camas da enfermaria D da Fundhacre. Uma enorme cicatriz ao lado da pequena cisão da sonda nas costas de Carlos revela as diferenças entre um método e outro. “Temos todas as condições de manter o acompanhamento também”, assegura Melo, referindo-se à propensão que o organismo de Carlos tem para produzir cálculo no rim. Para introdução da câmera e da sonda abriu-se um corte de cerca de 1,5 centímetro na pele e outro pequeno no fígado, que por esse sistema não fica traumatizado como ocorre na cirurgia convencional em que o órgão é praticamente aberto ao meio. “Como uma britadeira, a sonda faz pressão e estoura as pedras”, explicou Melo. Ao método os médicos denominam cirurgia renal percutânea, pioneiro nos hospitais do Estado. Há cerca de um ano, médicos da Fundhacre fizeram cirurgia parecida mas não com grau de alcance no órgão afetado. Esse método é de fato revolucionário no Acre e só sua utilização só está sendo possível pela esforço dos diretores da Fundhacre, como Thadeu Moura e Amsterdan Sandres, e do senador Tião Viana. Segundo Melo, “tudo o que a gente ia pedindo eles ajudaram a conseguir”. Os equipamentos, compostos de um nefroscópio, litotridor, arco de radioscopia e aparelhos de punção - materiais caros, que chegaram a custar R$ 300 mil. “A princípio, paga-se alto para ter o equipamento mas os benefícios são muito grandes porque reduz custo com a duração da cirurgia e com o pós-cirúrgico”, disse Melo. Custo-benefício – De fato, a relação custo-benefício dessa cirurgia é altamente positiva para o Estado e para o paciente, que passa duas horas a menos na mesa de operação e fica somente um dia internado no pós-operatório. Depois, pode descansar em casa uns três dias e retomar as atividades normais - no caso de Carlos, cujo trabalho é na agricultura, o tempo de descanso aumenta para uma semana devido ao esforço físico do dia-a-dia. Já na cirurgia convencional, o corte na pele é de cerca de 15 centímetros (13,5 a mais que com o nefroscópio) e o fígado é altamente traumatizado pelo corte que irá remover a pedra. A Fundhacre foi fundada em 1991 com apenas uma enfermaria com 24 leitos, 12 médicos, 14 servidores e era voltado exclusivamente para a assistência médica. Hoje, tem cerca de 100 médicos especialistas atuantes e cerca de 700 servidores. Unidade não pára de crescer em qualidade e excelência do conhecimento Hoje a Fundhacre é um hospital de ensino. É possível ver os estudantes de Medicina e Enfermagem da Universidade Federal do Acre (Ufac) e médicos residentes de outros Estados em todas as partes do hospital. Os hospitais universitários são os locais onde estão as tecnologias de ponta, onde há pesquisas e o tratamento das doenças mais complexas - e é o que vem acontecendo na Fundhacre. Existe um protocolo assinado entre as duas instituições de modo que os alunos de enfermagem e medicina têm no hospital seu campo de provas e de ensino. A residência é o mestrado que o médico faz e o nome residente se deve ao fato de que ele praticamente mora dentro do hospital acompanhando e vivenciando o paciente. Como resultado disso, a residência resultou em melhor atendimento aos pacientes da Fundhacre. Atualmente são oito programas de residência: cirurgia-geral, clínica médica, pediatria, obstetrícia e ginecologia, medicina da família e comunidade, ortopedia, infectologia e cardiologia, que é feita em parceria com o Instituto do Coração (Incor). Já foram formados dezenas de médicos pela residência da Fundhacre. Viagens para alta complexidade caem perto de zero no TFD As viagens para outros Estados no Tratamento Fora do Domícilio (TFD) em busca de cirurgias de alta complexidade estão com os dias contados no Acre. Ao menos em relação à urologia, os números despencam a cada ano: em 2004, foram realizadas 104 operações fora do Acre; em 2005, 2; e neste ano está prevista somente uma. Outras unidades estão se agregando ao complexo da Fundhacre e devem promover ainda mais a redução das viagens em busca de tratamento de alta complexidade em outras regiões do País. A Fundhacre é a maior instituição hospitalar do Estado e, além dos atendimentos de baixa e média complexidade, ali já se faz alta complexidade também em ortopedia e até a videolaparoscopia, procedimento cirúrgico através de fibra ótica em pequenas incisões abdominais utilizada, por exemplo, em tratamentos ginecológicos e das vias biliares. |
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