COTIDIANO

Disputa de campeões

Alguns dos melhores pilotos de toda a América Latina estarão competindo durante os cinco dias do Rally Bolpebra

Juracy Xangai
Evento foi lançado na manhã de ontem pelo presidente da Femac, Cassiano Marques, em café da manhã no Hotel Pinheiro


Juracy Xangai

45 pilotos da América Latina confirmaram participação no V Rally Internacional Bolpebra Amazônia – Andes que acontece de 24 a 28 de outubro com pilotos e máquinas partindo de Rio Branco para Cuzco no Peru percorrendo mais de 1.600 quilômetros de selva, deserto e montanha com altitudes de mais de 4.850 metros acima do nível do mar.

Penta campeão brasileiro de motocross, terceiro colocado no campeonato deste ano, o piloto Jean Azevedo já confirmou presença neste rally. Ele é o único brasileiro que conseguiu vencer uma etapa do rally Paris – Dakar. Outro piloto de renome nacional que estará participando da festa é Dimas Mattos piloto da ACW racing, famoso por seus feitos nos rallies dos Sertões e dos Pampas, pilotando uma moto KTM EXC 525 cilindradas durante os cinco dias da prova.

Dentre os 14 pilotos acreanos se destacam o octacampeão estadual, Gilberto Silva, Jefferson Cogo, Júnior Damasceno, Riderson Rocha. De Rondônia vem Augusto Pellucio, Marcos Rainho e João Tagino (Campeão do III Rally e vice do IV), de São Paulo vem 11 pilotos, um do Amazonas e três do Rio de Janeiro.

Eles serão acompanhados pelos principais meios de imprensa de aventura do Brasil, inclusive da Alemanha projetando o evento para toda a América Latina e o mundo.

A cerimônia de lançamento do Rally, que aconteceu às nove horas da manhã de ontem no Hotel Pinheiro, foi prestigiado pelo presidente da Fundação Garibaldi Brasil, Marcus Vinicius representando o prefeito Raimundo Angelim.

Ele declarou: “O Rally Bolpebra é hoje uma marca consolidada no Acre e na Amazônia e agora se projeta internacionalmente mostrando ao mundo o que temos de bom. Esta competição esportiva exerce papel fundamental para ajudar a consolidar a integração regional, além disso comprova na prática, a viabilidade do turismo regional amazônico e andino através desta fronteira trinacional que temos unindo o Brasil, Peru e Bolívia.

O empresário da Star Moto Honda, um dos principais parceiros de organização e patrocínio do rally participa dele representando a federação dos esportes sobre duas rodas. “Estaremos apoiando todas as equipes a fim de vê-las chegando em Cuzco como forma de consolidar esta prova esportiva e mais uma etapa de um sonho iniciado há 30 anos, quando cheguei ao Acre num trabalho pioneiro de integração com o Brasil e, nestes últimos 15 anos, trabalhando pela integração com o Pacífico Através do Peru numa parceria com a empresa de transportes Araçatuba”.

Osvaldo destacou o papel fundamental que vem sendo exercido por pessoas como Bento, Rubens Ortiz e Mancini que, não puderam participar do lançamento, porque estão percorrendo as trilhas de selva e montanha para garantir a segurança dos pilotos durante a prova.

Para maior segurança dos pilotos, dois médicos estarão acompanhando as provas em motos e outros dois em ambulâncias. O Exército Brasileiro está realizando uma grande operação combinada com as polícias Federal, Rodoviária Federal, Polícia Militar e Corpo de Bombeiro para apoiar e orientar os pilotos nas estradas e trilhas da selva. A exportação temporária das máquinas está sendo orientada pela Receita Federal e outros serviços são apoiados pelos ministérios da Saúde, Esporte e Turismo, as secretarias estaduais de Saúde, Esporte s Turismo, além da prefeitura de Rio Branco.

No lado Boliviano aprova é apoiada pelo governador Leopoldo Fernandes do Departamento de Pando, no Peru, em Iñapari pelo governador do Tahuamanu Mário Montes, em Maldonado pelo governador de Madre de Dios Rosa Maestro e em Cuzco Carlos Quaresma. As máquinas e os mais de 2.400 trabalhadores que estão construindo a Estrada do Pacífico, maior obra de infra-estrutura em andamento na América do Sul, suspenderão seus trabalhos durante a passagem dos pilotos que sobem da selva para as montanhas.

Cinco dias suados

Seguindo as três caminhos de turismo do Acre, os pilotos partirão de Rio Branco para Porto Acre para chegar a Cobija capital do Departamento de Pando na Bolívia, percorrendo 524 quilômetros no primeiro dia, cumprindo assim o Caminho da Revolução Acreana. No segundo dia homens e máquinas partem de Brasiléia passando por Epitaciolândia para Xapuri até Assis Brasil cumprindo o Caminho de Chico Mendes e a partir de Assis Brasil entram para o Peru cumprindo o Caminho do Pacífico até Puerto Maldonado onde param para dormir.

No dia seguinte, os pilotos partem para Mazuko onde pernoitam depois de cumprir o sétimo trecho de disputa especial com marcação de tempo. A partir daí, por conta do relevo acidentado das montanhas com estrada estreita e cheia de curvas ladeada por altos barrancos e profundos precipícios o restante do trajeto até a cidade de custo se dará na forma de deslocamento onde o que conta é a regularidade e o respeito aos regulamentos da prova.

De Mazuko as equipes partem para vencer a parte mais acidentada e alta da montanha com seu ápice no santuário de Huallahualla a 4.875 metros acima do nível do mar, daí por diante iniciam sua descida rumo à cidade de Urcos e depois para Cuzco. A festa de chagada está prevista para acontecer às cinco horas de sábado na a praça de armas tombada como patrimônio da humanidade.

Que vença o melhor

“Vence o Rally aqueles que conseguirem cumprir as especiais no menor tempo, os deslocamentos com maior regularidade e menos penalidades sem quebrar suas máquinas, pois todos precisam chegar rodando à Praça de Armas de Cuzco para não serem desclassificados”, explicou Cassiano Marques, o presidente da Federação de Motociclismo do Acre (Femac).

O retorno dos corredores terá início na manhã de segunda-feira, com previsão de chegada a Rio Branco na noite de terça-feira, dia 31.

Escola de campeões

Octacampeão estadual de motocross do Estado do acre, Campeão da Região Norte, Hexa Campeão Estadual de Enduro Inverno a Verão, Bicampeão de Motocross da classe Open, Tetracampeão Cross Country e Trilhas, o piloto acreano Gilberto Silva, 50 anos, pai de seis filhos exibe a experiência de 25 anos competindo na região e, vai enfrentar pela primeira vez as montanhas dos Andes.

“Conheço estas nossas estradas e trilhas até Puerto Maldonado no Peru, mas nada a partir dali, por isso esta prova será cheia de novidades, uma verdadeira aventura por uma região de altas montanhas, pista de pedras soltas, cheia de curvas e cercada de precipícios”, explica ele.

Beto, como é mais conhecido estará enfrentando mais que uma estrada e uma região desconhecida, mas um inimigo invisível e intocável, mas não menos perigoso, a altitude. “Pilotar uma moto na selva de na lama durante uma competição já é um desafio, mas fazer isso a quase cinco mil metros de altitude vai exigir muito de meu corpo e da minha máquina. Nesta prova estarei testando o mais novo lançamento da Honda, a moto CRF 230, das quais, só há duas circulando no Brasil. Para mim isso é uma honra e mais uma força para conquistar meu lugar no podium”.

 

 
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Rio Branco-AC, 20 de outubro de 2006
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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