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Mulheres em ação

Elas melhoram de vida com pequenos negócios


A poucos quilômetros de Rio Branco, 12 mulheres do pólo agroflorestal Geraldo Mesquita conquistam renda para a família fabricando doces regionais. Na periferia da cidade, no bairro Mocinha Magalhães, outro grupo de oito está ganhando dinheiro vendendo flores. A alternativa financeira também chega para 30 mulheres do bairro Conquista, com a confecção de sabonetes artesanais com essências amazônicas.

Todas essas mulheres juntam-se a outras centenas espalhadas pela cidade e estão melhorando de vida cada vez mais, graças a um trabalho feito pela Coordenadoria Municipal da Mulher, desde 2006, através de cursos gratuitos de capacitação que fortalecem a organização feminina para alcançar autonomia financeira.

O projeto conhecido por “Empreendedorismo: Formação para a Cidadania” já beneficiou mais de 400 mulheres em atividades variadas, chegando até à zona rural, onde 100 fizeram cursos de cabeleireira, corte e costura, manicura e pedicura, jardinagem, doces e associativismo, entre outros.

A maioria, segundo a gerente de apoio ao empreendedorismo Elisângela Pontes, está trabalhando e ganhando dinheiro. E o bom resultado, segundo ela, está no empenho das mulheres. Mesmo com todas as dificuldades, a desistência dos cursos, que deveria ser comum porque se trata de mães de família, foi praticamente zero.

Vilma da Silva, por exemplo, nunca havia feito doce, por isso começou a freqüentar o curso de doces regionais no Pólo Geraldo Mesquita sem motivação. Entretanto, se descobriu uma doceira, e hoje sustenta a família vendendo bombom com recheio de frutas, castanha cristalizada, salaminho e outros tipos. A venda cresceu e ela virou fornecedora de uma panificadora. Mesmo assim, sai todos os dias e vende em média 50 reais em apenas uma manhã:

-Desde o dia em que comecei a vender não falta mais dinheiro em casa.

A jovem Márcia da Silva, 21 anos, aprendeu a fabricar doces regionais com a mãe, que fez o curso e a ensinava em casa. Dedicou-se tanto que quis incrementar fabricando caixas artesanais para depositar os doces. Felicidade e orgulho misturam-se quando diz que encontrou a saída para melhorar a vida:

-Sou muito feliz. Tenho como criar meus dois filhos e não durmo mais preocupada pensando no que vou dar para eles comerem amanhã.

A técnica Elizângela afirma que é exatamente isso que o projeto busca: autonomia não só financeira, mas também emocional com a liberdade de pensar e agir:

-É um retorno sem preço, a gente vê-las acreditarem em si mesma. É isso que queremos; ver essa alegria é muito gratificante.

Nova versão

Com o sucesso do projeto, a Coordenadoria já enviou um novo ao Governo Federal, que garante o recurso, para fortalecer o trabalho dessas mulheres e beneficiar outras. O novo projeto - Promovendo a Autonomia Econômica - vai desenvolver cursos voltados para gênero e gestão de pequenos negócios. O recurso também garante cursos de capacitação para novas candidatas. A previsão é de 400 mulheres.

O investimento do primeiro foi de pouco mais de 90 mil reais.

Exemplos de sucesso

Livaneiva, Maristela, Márcia, Maria de Lourdes e Mauricélia dão exemplo de organização em grupo e trabalho coletivo. O negócio com a venda de flores deu tanto resultado que motivou até o marido delas a entraram no grupo que elas formaram depois de concluído o curso de jardinagem.

Nélio Melo, marido de Márcia, não admitia o trabalho da mulher. Mas Márcia persistiu, mesmo a contragosto do marido. Ele mudou de idéia quando viu que o negócio ia para frente, e decidiu entrar para ajudar. Hoje a família inteira trabalha com flores:

- É tão gratificante ver o processo de crescimento que quando chega no ponto de vender, dá até pena.

Já Eliton Melo, marido de Livaneiva, acreditou no projeto desde o começo incentivando a mulher e também fazendo o curso indiretamente. Ele foi o primeiro dos homens a entrar para o grupo.

Os negócios vão tão bem que o grupo quer agora formar uma cooperativa para construir um viveiro e conquistar mais mercado. Como não têm outro espaço, elas transformaram seus quintais em viveiros. Cada uma delas ganham em média 600 reais mensais, isso apenas com as feiras de bairro. Em eventos já chegaram a faturar mil e duzentos reais.

-E um mercado novo que está superando nossas expectativas. E trabalhar com flores é unir o útil ao agradável – afirma Eliton.

Além do grupo de jardinagem do bairro Mocinha Magalhães, existem outros três que se revezam num espaço fixo no Mercado Elias Mansour.

 

 

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Rio Branco-AC, 20 de outubro de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Com Leonildo Rosas
 
 
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