| COTIDIANO | |
Crianças carentes sonham com um Natal em família Educandário Santa Margarida abrirá as portas para quem deseja oferecer um Natal às 34 crianças atendidas no espaço |
![]() Edileuza Ferraz disse que o Natal é a data que mais preocupa |
É Natal, tempo de festa, de ir às compras e planejar uma ceia farta e harmoniosa em família. Mas em alguns lugares de Rio Branco não existe esse tempo. Crianças carentes, sem pai nem mãe, ou ao menos um tio distante que as visite, sonham com o dia em que o fim de ano possa realmente ser uma boa época para confraternizar. Por enquanto, o único Papai Noel capaz de realizar um sonho e levar um sorriso a elas são os solidários à causa dos menores abandonados. “Entra ano e sai ano e o Natal é sempre uma data de preocupação para a gente. Isso porque atendemos 34 crianças e queremos que todas sejam presenteadas no Natal para que nenhuma se sinta inferior ou menos amada que a outra”, disse a coordenadora do Educandário Santa Margarida, Edileuza Ferraz. O educandário é uma entidade filantrópica que presta assistência social completa para crianças abandonadas de zero a 12 anos. Lá, a meninada tem estudo, lazer, alimentação e tratamento de saúde. Tem também amor, carinho e dedicação oferecidos pelos funcionários que trabalham na casa. Mas assim como outras entidades fundamentadas na filantropia, tem suas dificuldades. “Aqui o consumo de alimentos, materiais de limpeza e de higiene é muito grande. Por isso, para não faltar, a gente depende da doação das pessoas”, completa a coordenadora. Outra dificuldade enfrentada pelos funcionários da casa é a ausência insubstituível de um pai e de uma mãe para cada uma das crianças internadas. O sentimento de rejeição é uma das características inevitáveis em algumas horas do dia, diz uma educadora. Quando cansam de brincar, algumas crianças ainda pedem para ir para casa. “Tem coisas que está ao nosso alcance e outras não. E a família é aquilo que as crianças mais sentem falta porque elas não entendem o motivo de estarem aqui. Eu já fiquei comovida várias vezes, com várias crianças. Minha mãe, que também já trabalhou aqui, adotou uma”, destacou a responsável pelo berçário, Laudemir da Silva. Durante alguns anos, o Educandário realizou uma campanha em consenso com o Juizado Especial da Criança e do Adolescente para que uma família adotasse uma criança para que ela pudesse passar o Natal em casa. A intenção era das melhores e as crianças ficavam muito felizes quando sabiam que ganharia uma família nem que fosse por um dia. Porém, algumas crianças – geralmente as mais velhas – deixavam de ser atendidas, o que provocou o fim da programação. “Esse ano nenhuma criança sairá do educandário. Por isso, pedimos que as famílias não deixem de ser solidárias, e que aceitem essa mudança. Invés de levarem uma criança para passar o Natal em casa, as famílias poderão vir passar uma manhã ou uma tarde com elas aqui, assim todas podem participar”, argumentou a coordenadora. Sonho de criança Suzi, como é chamada pelos irmãos que ganhou no educandário, tem mais ou menos seis anos e está na casa há três meses. A idade certa e o nome completo ainda são desconhecidos pelas funcionárias do educandário, já que a menina ainda está com a documentação pendente. “Ela veio para cá porque vivia abandonada em casa. A mãe saía e a deixava só o dia inteiro, sem a mínima preocupação com a segurança ou o bem-estar da criança”, disse uma das educadoras. Sempre sorridente e carinhosa com os visitantes do educandário, Suzi não expressa sentimento de revolta por causa do seu destino. Pelo contrário, ela diz que gosta do educandário porque tem com que brincar. Quando perguntada sobre o que pediria para o Papai Noel este ano, a menina mudou a fisionomia. Disse que ficaria contente com uma bicicleta. Mas em vários momentos deixou claro para a equipe de reportagem que gostaria de ter uma família. “Tia, tu vai me levar?”, concluiu Suzi. Abandono e maus-tratos Segundo a coordenadora do educandário, todas as crianças sonham em ser adotadas um dia. A maioria perdeu a família pelos mesmos motivos: abandono e maus-tratos. “Tem pais que não querem os filhos porque não têm condições de criar e outros perdem a guarda porque maltratam demais as crianças, ou porque são alcoólatras e motivos como esses que lhes tornam incapazes de serem responsáveis por menores. Alguns conseguem reverter a situação e reconquista a guarda na justiça. Já outros, não mudam”. De acordo com o que prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a adoção é um processo que possui várias etapas. Ela não é deferida a qualquer pessoa que tenha interesse em adotar uma criança. Algumas formalidades, alguns requisitos e razoáveis medidas de prevenção e segurança são elementos que formarão o processo para habilitar um pretendente. Entretanto, são medidas simples, não se tornando obstáculos suficientes para desestimular a adoção ou dificultar a realização da vontade do adotante. Aos que não pretendem adotar, mas que gostariam de ajudar às crianças internadas no educandário, a coordenadora disse que as portas estão abertas e que toda ajuda é bem vinda. “Nós precisamos de coisas muito simples, mas que se não tiver aqui, faz muita falta, como papel higiênico, por exemplo. Por isso que além de pedir alimentos, pedimos que as pessoas doem materiais de limpeza e de higiene também”. Quanto ao Natal com as crianças, as famílias interessadas podem procurar o educandário em qualquer dia da semana. As visitas estão sempre abertas, antes, durante e depois do Natal. | |
|
|
| GIRO GERAL |
| Com Moisés Alencastro |
| NA TRIBO |
| Com Roberta Lima |
| PORONGA |
| Com Leonildo Rosas |
| |