VARIEDADES

Fábrica de sonhos

Professora Mazé quer manter a alfabetização de crianças e ensinar artesanato para adolescentes


Andréa Zílio

Ela aceitou o desafio de construir um humilde espaço para atender cerca de 40 crianças filhas de mães solteiras ou de pais que passam o dia trabalhando. Essas crianças tinham nas brincadeiras de rua seu único passatempo. A professora Maria José Loés da Silva, a Mazé, 52, agora quer fazer de outro sonho uma realidade: alfabetizar as crianças e ensinar o artesanato para adolescentes, como opção de fonte de renda.

Mas o sonho de Mazé, que pode mudar diversas vidas, gerando novos caminhos a meninos e meninas do bairro Montanhês, depende apenas da doação de tecido “etamini”, agulha e linha de crochê. Parece até irônico que tão pouco possa fazer muito, mas para a professora esse é mais um custo que ela não tem como pagar, pois diariamente oferece a essas crianças educação, carinho e alimentação, com ajuda de doações feitas à creche, batizada de Centro de Educação Infantil e Alternativa Pequena Thaysla Janine Lopes e Silva.

Atender as 40 crianças e 15 adolescentes de 9 a 14 anos com a prática do artesanato é também uma agregação de valor ao trabalho social, segundo Mazé e sua filha, Franciene da Silva, 29, fiel parceira da mãe nesse trabalho, junto com mais quatro voluntárias. Mais as necessidades também levam ao encontro de pequenas coisas que podem ser resolvidas com gestos solidários.

Mazé fala que há um mês está cozinhando com lenha, mas os pedaços de pau que juntavam na redondeza estão escassos. Por isso, pede a alguma serraria que possa doar, que entre em contato. Um novo fogão que foi doado, continua na casa do doador por falta de transporte para ir buscar.

A Creche da Mazé, como ficou conhecido o lugar, existe desde 2000, e elas se dedicam e revezam nos afazeres que começa às 6 e termina somente às 17 horas, período de atendimento na pequena casa construída de madeira, com a ajuda dos próprios moradores do bairro.

Repassando conhecimento – De corpo franzino, aparentando fragilidade, quando fala ela mostra porque é a professora das adolescentes, com uma voz firme e clara. Thaynara Cristina tem apenas 16 anos, aprendeu a fazer artesanato, mas viu que usar o conhecimento para seu único bem, não era de grande valia. Ensinar as meninas do bairro tornou-se mais que uma diversão, uma missão na vida da jovem. Ela diz que ensinar a fazerem objetos decorativos de semente, inclusive, recriando os bichos da floresta, como jacaré, e também colares, pulseiras. Além disso, elas têm aula de ponto cruz e crochê.

Atitude e persistência - As voluntárias do Centro acreditam em um outro futuro para essa meninada que não seja a prática da violência. E a cada dia elas recebem pais que desejam colocar seus filhos no espaço, mas um outro problema começa a surgir, exatamente o espaço, o lugar está ficando pequeno para tanta gente, mas por enquanto, isso é o de menos a se preocupar, Mazé pretende mesmo é continuar oferecendo gratuitamente os serviços aos beneficiários dessa iniciativa.

“No Centro essas crianças e adolescentes estão longe da área de risco, estão brincando, estudando, aprendendo uma ocupação que pode gerar uma renda para ajudar a família. É um aproveitamento muito grande que oferecemos. Queremos continuar fazendo tudo isso, só pedimos ajuda de quem pode ajudar”, diz Mazé.

 

 
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Rio Branco-AC, 21 de abril de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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