VARIEDADES

Usina de Arte João Donato

Professor Juarez Dagoberto ensina aos alunos do curso de cinema e vídeo os processos de captação de som


Assessoria FEM

É fato que o som ao fazer parte da produção cinematográfica no inicio do século XIX causou certo reboliço nos bastidores do mundo do cinema. Quase um século depois o que poderia ser considerado um atraso em termos de linguagem hoje é indispensável para uma produção arrojada. Não somente na forma de narrar uma história e enriquecer o cinema (diálogos), mas como complemento estético. Para passar um pouco dessa mágica experiência do som no cinema está em Rio Branco um dos grandes profissionais da área: Juarez Dagoberto. Ele ministra a oficina de Captação de Som do Curso de Cinema e Vídeo da Usina de Arte João Donato, promovido pelo governo do Estado, através da Fundação Elias Mansour e Secretaria de Educação.

Surpreso com a proposta do projeto da Usina de Arte o professor falou da importância do curso de cinema.

“Fui convidado pelo meu amigo Capovilla e quando ele me falou fiquei meio indeciso, não sabia realmente o que era, mas quando cheguei aqui e tomei contato direto com a Usina e com os propósitos do curso achei maravilhoso. Acho que é um trabalho de muita força no sentido de que as pessoas que não tinham nenhuma idéia do que é o cinema, as artes visuais de um modo geral, tem nas mãos um belo projeto”.

Sobre o conhecimento teórico e prático do som e sua importância na linguagem cinematográfica, o professor nos três primeiros dias de oficina exibiu filmes nos quais participou, produções ‘barra-pesada’ no sentido da captação do som. Após a projeção foram dadas explicações sobre o processo.

“Tenho dito a eles que não é nada moleza. O som é um dos trabalhos mais árduos e mais difíceis na área do audiovisual de um modo geral, as condições quase sempre não são normais ou ideais, mas mesmo assim informei a eles, mais ou menos, como é que se procede porque esse processo de captação de som é muito complicado, depende de muitos fatores, inclusive da própria direção do trabalho que está sendo executado. Dei informações gerais sobre os equipamentos que eu trouxe e mostrei para eles. Com certeza foi o primeiro contato da turma com esses equipamentos de captação. Eles ficaram muito interessados”.

Dagoberto para complementar o trabalho que desenvolve na oficina uniu teoria a prática levando os alunos para uma sessão de captação, de tomada prática do processo. O local escolhido foi o Parque Chico Mendes.

“Fizemos duas cenas em que todos os alunos participaram e o resultado me surpreendeu no sentido bom da coisa. Os meninos são ótimos eles captam tudo muito rápido. Se aqui existe um problema em relação à captação de som, como em todo lugar, vejo que é uma questão de iniciação e tempo. O trabalho de som não se aprende em uma aula ou duas, nem dez. Leva tempo. Normalmente se tem aulas teóricas isso faz parte do currículo de algumas universidades, principalmente de escolas técnicas, mas se aprende mesmo na hora da aula prática e das tomadas pra valer”.

Para Dagoberto esse primeiro contato da turma com o processo de captação de som é como se fosse a primeira semente lançada.

“Usei exatamente essa palavra: semente. Os primeiros dias de aula, isso em todas as escolas do mundo, não somente do Brasil, o curso de preparação das aulas de som servem principalmente com um gerador de entusiasmo, todo mundo sonha em ser ator, atriz, técnico, fotógrafo. Então, o método básico desse sistema de aula é servir de um gerador de entusiasmo para os alunos que querem adentrar no show business”.

Encantado com a Usina de Arte João Donato, que em seu primeiro momento vem desenvolvendo oficinas de cinema, teatro e música com especialistas que realizam um trabalho arrojado no sentido das artes no país, Dagoberto aproveitou para relatar sua visão sobre o projeto.

“Quando entrei a primeira vez na Usina e vi aquela fábrica de sonho e conhecimento fiquei maravilhado. É realmente um projeto espetacular. É sensacional reunir todas as artes naquele núcleo. Acho muito boa a idéia e espero que seja daí pra frente. Gostaria de voltar novamente. A turma é muito interessada. O resultado do que fizemos é muito melhor do que eu esperava”.

Trabalhos de Juarez Dagoberto

Juarez Dagoberto tem em seu currículo participações em comerciais, curtas-metragens e os longas-metragens como Macunaíma (1969) e Os inconfidentes (1972), ambos de Joaquim Pedro de Andrade, Eles não usam black tie (1981), de Leon Hirszman, e Doida demais (1989), de Sérgio Rezende, Tolerância (2000), de Carlos Gerbase, Netto perde sua alma (2001), de Beto Souza e Tabajara Ruas, Filme de amor (2003), de Júlio Bressane, e Harmada (2003), de Maurice Capovilla. Além das produções estrangeiras Fritzcarraldo (1981), de Werner Herzog, e Hell hunters (1986), de Ernst R. von Theumer.

“O curso faz com que a gente perceba que o cinema não é tão simples, que é preciso ser mais elaborado”.
(Raquel Chaves)

“Estou gostando muito. Os professores são de alto nível e possuem uma ótima didática”.
(Eduardo Estefano)

“Com o curso a gente passa a ver o cinema de maneira diferente. Aumenta a nossa observação, ficamos com o olhar diferente, pois passamos a ver a fotografia, o roteiro do filme”.
(Nattercia Damasceno)

“O método básico desse sistema de aula é servir de um gerador de entusiasmo para os alunos que querem adentrar no show business”.
(Juarez Dagoberto)

 
 
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Rio Branco-AC, 21 de julho de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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