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Feira do Pirarucu: manejo transforma cidade de Manuel Urbano Evento foi aberto pelo vice-governador César Messias. Em apenas um lago, manejo fez crescer em 235% a população do peixe em três anos |
![]() Pirarucu é um dos peixes mais apreciados da região amazônica |
O evento teve a participação massiva da comunidade e das mais importantes autoridades do Estado, como o governador em exercício, César Messias, o secretário Nilton Cosson, da Secretaria de Extensão Agroflorestal e Produção Familiar (Seaprof), e o deputado estadual Luiz Tchê. Mantenedora do Projeto Alto Purus, a Seaprof montou um arranjo institucional que trouxe resultados até agora considerados muito positivos para as comunidades. Estão atuando no projeto organizações como a Universidade Federal do Acre (Ufac), Sebrae e a prefeitura de Manuel Urbano. Nilton Cosson fez questão de ressaltar que o idealizador do projeto foi o deputado Francisco Cartaxo, na época titular da então Seater e que morreu este ano. A feira marcou a primeira despesca coletiva do pirarucu autorizada pelo Ibama. O manejo do Santo Antônio também foi o primeiro do país a receber autorização do órgão para as atividades. Para a feira foram preparados 950 quilos de carne do peixe. O trabalho de manejo é atualmente realizado em seis lagos, beneficiando dezenas de famílias em Manuel Urbano e Sena Madureira. A Seaprof trouxe de Santarém (PA) os pescadores Juvenal Silva Pinto e Raimundo Pinto Rocha para ensinar aos comunitários técnicas de arpoamento e abate dos animais. Atividades - Muitos dias antes da abertura da feira, técnicos da Seaprof e do WWF já se encontravam em Manuel Urbano para as atividades que antecederam o evento. Foi montada uma estrutura de acampamento próximo ao lago para apoio logístico de toda a equipe técnica e do grupo de vinte pescadores; realizadas coletas de material biológico para diferentes estudos como a genética populacional, contaminação da água, estudos de alimentação e crescimento. Além disso, foram capturados, utilizando-se várias técnicas, pirarucus que chegaram a medir dois metros de comprimento, com peso de 85 quilos. O manejo participativo desse peixe é uma iniciativa que surgiu em 2004 no Fórum Municipal da Pesca em Manuel Urbano com as comunidades ribeirinhas e pescadores da Colônia Z-7. Em 2005, foram iniciadas as ações de intercâmbio, treinamento e avaliação do pirarucu em 13 lagos. Neles, foram detectadas situações críticas para a espécie e os técnicos decidiram, pelas condições sociais e ambientais, iniciar o manejo pelo lago Santo Antônio. Entre 2005 e 2007, o crescimento da população de pirarucu nesse lago, que possui 17 hectares, foi de 235% a partir do manejo. Com a despesca, a previsão de Marcelo Apel, do WWF, é de que as famílias fiquem com R$ 8 mil da venda de carne salgada e fresca na feira. O quilo da carne salgada foi vendido a R$ 15 e da fresca, a R$ 10. “Para mim, está muito bom”, comemorou Geraldo Bispo, líder da comunidade do Santo Antônio. Pesca tem de se manter sustentável, alerta César Messias Para César Messias, governador em exercício na cerimônia de abertura da 1ª Feira do Pirarucu Manejado de Manoel Urbano, toda a atividade pesqueira tem de promover a sustentabilidade econômica, social e ambiental. Messias citou seu pai, criterioso pescador no Vale do Juruá, para exemplificar a necessidade de obedecer aos processos de manejo. “Neste caso, aqui em Manoel Urbano, podemos ver que o trabalho vem sendo bem feito. Estão de parabéns os técnicos e os pescadores”, disse Messias. O governador em exercício cumprimentou os moradores e visitou cada stand da feira. Em seguida, esteve no Lago Santo Antônio. Ao final, participou da degustação dos pratos criados pelos restaurantes da cidade. População de pirarucu no Lago Santo Antônio Ano Nº de peixes Feira criou 11 novos pratos a base de pirarucu Ainda como atividades da feira, a Seaprof realizou uma oficina de culinária (dias 14 e 15 de agosto) com os restaurantes locais e a comunidade em geral para capacitação na preparação de treze pratos a base de pirarucu que estiveram disponibilizados na praça de alimentação do festival. Dos 13 pratos, 11 foram criados na oficina. No dia 17, organizadores e convidados participaram do seminário de manejo e pesca, no qual foram abordados temas de manejo e debate de possível expansão das experiência de Manuel Urbano para outras bacias do Estado. Participaram pescadores de Feijó, Tarauacá, Sena Madureira e Santa Rosa do Purus, além de indígenas da região. O QUE ELES DISSERAM “O passo está dado. Agora só depende de nós porque temos a natureza, que é a nossa grande riqueza.” (Manoel Almeida, prefeito de Manuel Urbano) “É fundamental ressaltar o trabalho de todos, principalmente o esforço do governo do Estado neste evento.” (Juliana Miranda, representante do senador Sibá Machado) “O manejo dos lagos será um dos elementos mais importantes para a redenção econômica e social das comunidades ribeirinhas.” (Anselmo Forneck, gerente regional do Ibama) |
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