OPINIÃO
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Adilson Luiz Gonçalves *

 

Brasil eficiente

A participação do Brasil nos Jogos Pan-americanos do Rio foi muito boa! Mas ainda ficamos atrás dos EUA e de Cuba, extremos opostos nas Américas.

Razões para isso? Com certeza, a falta do poderio econômico dos EUA; talvez um pouco da ideologia dos cubanos, com ressalvas de ambas as partes.

Mas, o que dizer, então, do primeiro lugar do Brasil nos Jogos Para-Pan-americanos? Dos recordes mundiais de nossos atletas?

Porque foram tão melhores, tão mais determinados? Talvez por serem portadores de necessidades especiais: antes de serem atletas, já precisaram superar vários obstáculos para se adaptarem ao mundo dos “perfeitos”. Mas, todos já tivemos ou teremos necessidades semelhantes, pois já fomos crianças; se Deus quiser, seremos idosos; já ficamos temporariamente limitados! A diferença é que não pensamos nisso...

Fechem os olhos ou apaguem as luzes, e tentem andar dentro de casa ou na rua; tapem os ouvidos e tentem ouvir um alerta de perigo; imaginem-se com qualquer limitação física ou sensorial e tentem imaginar um dia comum.

Deve ser preciso buscar força e motivação onde a gente nem sabe que elas existem para suplantar essas dificuldades! Por isso, todo dia é um desafio para eles, e o esporte é um imprescindível meio de condicionamento físico e sensorial para enfrentá-lo.

Assim, nossos atletas do Para-Pan-americano, além de vencedores na vida, também são vencedores no esporte. E se nossos esportistas do Pan reclamam de falta de condições para treinar e sobreviver, o que dizer dos do Para-Pan?

Mas essa lição de competência e determinação não foi a única que eles nos deram. Talvez nem eles saibam que outra, uma analogia, muito mais importante:

O Brasil, no contexto mundial, também não é um país cheio de limitações? Ele também não tem dificuldades para superar as limitações impostas pelo “mundo perfeito” do neoliberalismo de mercado? Não somos um país cheio de necessidades especiais?

Então, porque não conseguimos a mesma superação de restrições, enquanto país?

Talvez porque nossas limitações sejam de um nível que afeta a todos nós: portadores de necessidades especiais, ou não. Estão na “cegueira”, na “surdez” e no “autismo” da maioria dos que comandam, legislam e julgam em nosso país!

Não será em razão dessas “deficiências” de poucos, que se dizem elite, que dezenas de milhões de brasileiros vivem limitados em suas aspirações, dependentes de “favores” de políticos ou de programas sociais que tratam dos efeitos sem eliminar suas causas?

Pois é... A magnífica atuação de nossos atletas, do Pan e do Para-Pan, prova que, mesmo com todas as nossas as nossas limitações funcionais e organizacionais, somos capazes de grandes feitos em qualquer área!

Resta saber quando conseguiremos superar a, ainda, intransponível barreira que é a crônica deficiência moral e ética que grassa na política nacional.

* Escritor, Engenheiro e Professor Universitário (UNISANTOS e UNISANTA)
Cursando Mestrado em Educação (UNISANTOS)

www.algbr.hpg.com.br
(13) 97723538 - Doe sangue!

 

 
 
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Rio Branco-AC, 22 de agosto de 2007
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