POLÍTICA

Ato público contra a violência acontece na manhã de hoje

Ato está sendo organizado pela comunidade

Regiclay Saady
Germano Marino (C) pede
empenho da polícia para elucidar
crimes contra homossexuais


Val Sales

O presidente da Associação de Homossexuais do Acre (AHAC), Germano Marino, convocou ontem os demais movimentos organizados e a sociedade civil em geral para participarem hoje de um ato público contra a crescente violência que se espalha na capital e no Estado.

A concentração vai acontecer às 9 horas, na frente do Sebrae-Centro, de onde os manifestantes saem em passeata até o Palácio Rio Branco, como forma de protestar e cobrar empenho da polícia na elucidação de crimes cometidos contra homossexuais.

“A gente solicita que os organismos de segurança pública tenham a informação devida sobre o assassinato do coordenador do DST/Aids, Francisco Dantas e do professor Aldemir Pereira”, ressaltou. Para ele, uma parcela significativa da sociedade ainda é muito preconceituosa em relação à homossexualidade e que, por causa da impunidade, estar-se constituindo um clima de terrorismo entre a população GLBT.

“Estamos recebendo denúncias de homossexuais que estão sendo ameaçados de morte pelo telefone, onde quem está do outro lado diz que ele será o próximo a morrer”, completou. Por esse motivo, segundo Germano, a polícia deve apresentar os culpados dos dois assassinatos e fazer de fato a caracterização de quem são eles, para que não fique configurada a existência de um esquadrão matando homossexuais no Estado do Acre.

“O que está exposto pela ausência do poder público e da própria polícia, em não se manifestar sobre o caso, é o fato de que está sendo implementado o terrorismo em relação à classe homossexual”, acrescentou. Ele, que estava acompanhado de outros membros do Fórum de Ongs de defesa das classes, aproveitou a presença da imprensa para pedir que o secretário de segurança pública, Antônio Monteiro, apresente a pessoa que matou Francisco Dantas, assim como os fatos que evidenciaram a sua morte.

Também lembrou do assassinato do professor Aldemir Pereira, cujo corpo foi encontrado em sua casa na última semana. “Não podemos deixar que esses fatos caiam no esquecimento ou que simplesmente fiquem evidenciados apenas como latrocínio”.

Três homossexuais mortos este ano

Desde o início deste ano três homossexuais foram mortos de forma cruel, sem que os assassinos tenham sido julgados e condenados pelos atos. “O primeiro foi um adolescente assassinado na Bonal por dois indivíduos, sendo que ambos alegaram que a vítima estava forçando a prática do sexo. O segundo caso envolveu o Francisco Dantas e o terceiro, um professor da rede pública de ensino”, lembrou Germano Marino.

De acordo com ele, os crimes relacionados a homossexual são é sim, de natureza homofóbica e que a polícia não deve observar como sendo uma classe que “pede para morrer”, apenas porque tem relacionamento com garotos de programa.

“Não podemos permitir que esse clima de terrorismo esteja implantado no meio da sociedade homossexual. A polícia tem que esclarecer e desvendar os crimes, para que eles saiam da especulação e dos números de violência que movimenta a população ainda tão preconceituosa em relação aos homossexuais”, afirmou.

Para ele, não se trata de uma moda relacionada à matança de gays, mas do alto índice que a violência alcança no Estado. “Estamos chamando a sociedade civil organizada e qualquer pessoa que sinta que seu direito foi infligido pelas mazelas sociais, para que possamos de fato combater a violência e não deixar que, não só os homossexuais sejam alvos da violência, mas qualquer outra pessoa”.

 
 
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Rio Branco-AC, 22 de agosto de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Com Leonildo Rosas
 
 
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