OPINIÃO
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Sandra Starling *

 

Fonte inesgotável de inspiração

Aos poucos, vou me dando conta de que FHC tem se tornado personagem recorrente em minhas colunas. Ainda bem: suas manifestações são, para mim, fonte inesgotável de inspiração. Não me faltará matéria-prima, enquanto FHC fizer o seu proselitismo. Há quem diga que ele tem, desesperadamente, buscado retornar à cena política, ao perceber que o futuro reserva a José Serra e a Aécio Neves os postos de destaque na condução do PSDB. De resto, há que se indagar: por que vacilam os tucanos em exibi-lo nos programas de Geraldo Alckmin, no rádio e na TV?

Sua última carta aos tucanos de carteirinha é manancial de que se deve sorver para um grande debate político. Infelizmente, meu espaço é pequeno e, por isso, farei meus comentários a conta-gotas. Começo por suas observações sobre o “mensalão”. Passemos ao largo da nunca apurada ou explicada suspeita de “compra de votos” para aprovação da emenda da reeleição, em 1997, que, curiosamente, teve, como primeiro beneficiário, o próprio FHC. Fernando Henrique sustenta que a fonte do “mensalão” foi pública: “é dinheiro do povo”! Curioso é que, desavisado, embarca numa canoa furada. FHC diz que o “valerioduto” estava no Banco do Brasil. A rigor, nem a CPI dos Correios, nem o Procurador-Geral da República conseguiram localizar essa fonte, após tudo vasculhar. Depois de um desesperado esforço resolveram, de forma ligeira, atribuir ao Fundo Visanet, do qual participava, minoritariamente, o Banco do Brasil, o epíteto de nascente do “valerioduto”; ali estaria a malsinada cornucópia de que fala FHC!

Tive o cuidado de ler a denúncia do Procurador-Geral da República contra os “quarenta ladrões”. Aliás, passado o estardalhaço, já se anuncia, em notas de rodapés, que o Ministério Público estaria inclinado a reduzir sua denúncia contra tão-somente doze pessoas. Mas, voltando às acusações de FHC. No que diz respeito ao Fundo Visanet como fonte do “valerioduto”, não compreendo a ignorância da imprensa em geral e do ilustre chefe do Ministério Público Federal. Com efeito, entre os anos de 2001-2002 (governo FHC) o Fundo Visanet repassou a diversas agências de publicidade (algumas, segundo a CPI dos Correios, contratadas irregularmente, inclusive a DNA, de que Marcos Valério era sócio), cerca de R$48 milhões, nos mesmos moldes em que foram repassados, a título de antecipação, os recursos que teriam nutrido o “valerioduto” no Governo Lula.

Estranho é que o Procurador-Geral da República não tenha dado a devida atenção para o que consta do item 6.4.16.3 do Relatório de Auditoria Interna do Banco do Brasil (Anexo 25, no Inquérito nº 2.245/STF), a saber: “não foram localizadas, na documentação disponibilizada, as notas fiscais, faturas ou recibos de fornecedores/prestadores de serviços que teriam sido contratados pelas agências para a realização das ações citadas no item 6.4.16 – antecipações ocorridas em 2001 e 2002 – no valor de R$48,328 milhões”. O Banco notificou as agências de publicidade sobre o assunto, solicitando o encaminhamento até 28/11/2005 de cópia de toda a documentação comprobatória das ações executadas no referido período, mas conforme dispõe o relatório: “até o encerramento deste trabalho, a Auditoria não recebeu qualquer comunicação formal sobre o assunto”. Quem sabe FHC possa nos responder a propósito desses nebulosos eventos, ocorridos durante seu governo, e ,ainda, explicar: por que diabos a DNA, após receber recursos do mesmo Visanet, teria, durante o Governo Lula, quitado um empréstimo de mais de R$700 mil da SMP&B, junto ao Banco Rural, firmado em novembro de 2004, com o aval de tucanos de larga envergadura?

* Bacharel em Direito, mestre em Ciência Política, ex-deputada federal (PT-MG) e assessora do senador Tião Viana (PT-AC)

 

 
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Rio Branco-AC, 21 de setembro de 2006
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