OPINIÃO
   CRÔNICA

José Cláudio Mota Porfiro *

 

Nenhuma sutileza

O PRINCÍPIO elaborativo da falsa moral básica pura e a sexualidade transcendente entre homens e mulheres pouco sutis. Assim mesmo. Sem figuras de estilo piegas. Eis o título de um projeto que se pretende grande, sempre consideradas as reais possibilidades de um aborto prematuro, é claro.

Aqui, pois, o objetivo é dar foros de legitimidade e deixar registrada a idéia que não deve ser copiada, principalmente, por japoneses de olhinhos sacanas que nunca tomaram açaí, mas dizem-no de sua propriedade, com patente registrada e tudo por algum conselho internacional de bio-ladrões.

Então, rememorando Luís Vaz de Camões na primeira estrofe d’Os Lusíadas, que alguma força do bem dê fôlego a este poeta insano, pequeno burguês, que se aventura por estes mundos insondáveis que é a alma humana, notadamente, quando os temas nada têm de sutis... E por aí sigo eu na pretensão e na esperança de que Deus me ajude e, em alguma época, alguém possa ou consiga ler estas algaravias, às vezes picantes, às vezes tão ou quase educativas. Com mil perdões antecipados!

Metodologicamente, num primeiro momento, alguns cavalheiros desta amada terra de Galvez farão perguntas mordazes, no que até poderão ser ajudados pelas moças.

-   Qual é a sua opinião a respeito do sexo depois do casamento, na pulada da cerca, logicamente, com outro ou outra? É legal, é imoral ou engorda?

-    Vai que o seu filho arranja uma esposa sacana. Um dia a senhora descobre que o netinho tão amado, já com sete anos, não é filho dele, mas de um nobre cafajeste que se deita com a sua nora. O que a sua coerência mandaria fazer?

-    Se a filha do vizinho tem caso com homem casado, é claro, é uma puta. Se o filho do vizinho tem caso com homem solteiro, trata-se de um grande veado. E se o filho ou a filha fossem seus?

-    Coloque o seu projeto de Ricardão, o marido, para esquentar a barriga no fogão e esfriar no tanque. Aí, vai a senhora para o escritório e se aproveita daquele secretário sarado, estilo Gianechini. O esposo doméstico, em casa, poderia tirar uma casquinha daquela empregada metida a Juliana Paes? Por quê?

-    O que a senhora acha que os homens ficam conversando nas mesas de boteco até altas horas? Poderiam eles estar em outros locais mais aprazíveis? E as mulheres estariam obrigadas a tais práticas hoje tão convencionais?

E por aí vai...

Em um segundo momento, damas sem papas-na-língua, interpretando os perfis psicológicos abaixo delineados, responderão às perguntas feitas anteriormente. Caberá a cada uma escolher a personagem que melhor lhe aprouver.

Mariah Carey. Natural das Ilhas Jersey. Trata-se da mulher mais estressada do mundo. Tem um marido calmo, quase letárgico que, se não apanha de açoite, morre na peia todos os dias de tanto ouvir um palavreado cheio das conotações mais negativas de que se pode ter notícia. É de maus bofes, sim. Quando não está reclamando da vida e dos seres humanos, está falando dos defeitos dos parentes, posto que ela não tem nenhum. É vítima assumida do destino que lhe reservou um marido que nunca lhe deu umas boas mãozadas para ela se orientar e não lhe chamar nunca mais de “Abestado”, como faz sempre.

Madelaine Blanché. Nasceu entre os vinhedos da região da Alsácia e Lorena, na França. Depois viveu em Caiena. Está separada de um marido que acaba de ficar viúvo. A separação, praticamente, não foi sentida. O ex-marido ficou cego de um olho, tem uma perna mais curta que a outra, é meio zambeta e, por isso, foi rapidamente esquecido. É liberal e modernosa. Gosta muito de cerveja e está numa farra já programando a outra. No Carnaval, toma todas. A vida é uma festa. Cozinha maravilhosamente bem. Está sempre aberta ao diálogo. É amiga leal de todos a ponto de sempre se decepcionar com alguns porque, já no início da amizade, a tendência é sempre ver o novo amigo enquanto uma pessoa excepcional, gente boa, bacana, e tudo mais.

Giulliete Binoche. De origem humílima, veio à luz em Greenpines, Massachussetes, Estados Unidos. Quando adolescente foi empregada doméstica. Lavou, passou, cozinhou e foi maltratada. É professora de Geografia, mesmo sem saber exatamente quais e onde estão os quatro pontos cardeais. Faz parte de um seleto grupo de “adevogados” acreanos que se enrola todo quando a tarefa é procurar significados de palavras no Aurélio. É católica fervorosa e uma das pessoas mais corretas que o sol já cobriu, segundo ela própria.

Sue Andersen. É natural das terras altas da Escócia, mais precisamente do Condado de Horsevalley, nas proximidades de Edinburgo. Trata-se de um comportamento às vezes com doses exageradas de uma violência que, felizmente, não é colocada em prática. É católica praticante, mas odeia o próximo e quer que o próximo se lasque na primeira esquina. É ruim de gênio e maldosa.

Enfim, para arrematar toda a argumentação, caberá a este aprendiz de feiticeiro tabular o grande número de repostas e emprestar o toque final a estes alfarrábios que, um dia, haverão de ser vendidos nas melhores livrarias do Jordão, Santa Rosa do Purus, Japiim e adjacências.

Mas tudo isto é apenas um projeto.

* Cronista de Xapuri

 

 
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Rio Branco-AC, 21 de outubro de 2007
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