| OPINIÃO | ||
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| Maria Regina Canhos Vicentin * | ||
Esta semana entrei em contato com o texto base do I Congresso da Família - Diocese de São Carlos - SP. Muito interessante, aponta as novas tendências e também a realidade do casal de hoje em dia. Separei alguns aspectos para apresentar aos meus leitores, principalmente, porque considero que merecem uma reflexão da nossa parte. Entre outras coisas, o texto aponta que nas classes média e alta, verifica-se o fenômeno da adolescência prolongada. Eu já havia abordado esse fato em algumas de minhas palestras. Brincava com os pais, perguntando quantos anos tinha seu filho adolescente: 15, 18, 21, 25, 29, 32...? Muitos riam e alguns, obviamente, ficavam sérios. Esse é um problema dos tempos atuais. Nossos filhos não querem amadurecer. Preferem ficar em casa, confortavelmente instalados e com suas necessidades básicas supridas. Quando desejam casar, costumam trazer o parceiro para se agregar à família. Lembra aquela marca de desodorante? Sempre cabe mais um quando se usa... Além disso, de uns tempos para cá passou a existir a predominância da subjetividade, e aumentam a cada dia as uniões que estão alicerçadas unicamente no pacto do amor pessoal. Importa que “eu” seja feliz, ainda que o “outro” não seja. Agora, pergunto: será que dá pra ser feliz quando a pessoa que amamos está infeliz? Ou será que, quando isso acontece, estamos amando apenas a nós mesmos, na mais pura expressão do egocentrismo? Outra tendência apontada no documento diz respeito ao trabalho da mulher. Tal situação faz com que os filhos permaneçam muito tempo em creches e fora de casa, ou na rua. Vivem no mundo televisivo e cibernético. Praticamente possuem mais “amigos” virtuais que reais. Passam muito tempo junto aos videogames, e conversam através de “torpedos” celulares. Obviamente, já estamos vendo o resultado disso na prática. Nossos pequenos estão ficando mais agressivos e insensíveis, indiferentes ao sofrimento alheio, consumistas, comodistas, cheios de direitos, e esquecidos quanto aos seus deveres, entre outras coisinhas. Com a influência da mídia, principalmente das novelas, e a diminuição da pressão social, o vínculo conjugal se torna cada vez mais frágil. Nossas famílias vão pouco a pouco se esfacelando. Mesmo entre católicos, observa-se que muitos estão em segunda ou terceira união. Não souberam ou não puderam construir a conjugalidade, não se serviram do diálogo, ou de outros princípios importantes, presentes nos relacionamentos duradouros. Demonstram imaturidade no momento da opção pela vida a dois e familiar. Falta consciência do que vem a ser assumir compromissos. Existe uma falta de preparação para a vida, para o casamento, imaturidade psicológica, incapacidade de compreenderem o sentido de um projeto para toda a vida, e dificuldade no entendimento do que vem a ser fidelidade conjugal. De uns tempos para cá, nossos casais praticam a fé, mas não conseguem vivenciar uma espiritualidade conjugal, pois suas ações costumam ser marcadas pelo individualismo. Essa é a realidade do casal de hoje em dia. Precisamos cuidar de nossas famílias para que elas sejam realmente fonte de vida para nós. Não há como construir a paz em meio à discórdia e desunião. Precisamos amadurecer, preparando-nos para a vida familiar e ensinando nossos filhos a procederem de igual forma. Necessitamos ter um tempo maior junto de nossas crianças e jovens para que possamos educa-los de acordo com os ensinamentos de Cristo, caso contrário, o mundo irá educa-los, como já vem fazendo, e os resultados podem não ser tão satisfatórios, à semelhança do que temos visto ultimamente. * Psicóloga e escritora (e.mail: mrghtin@jau.flash.tv.br). Conheça o site da autora: www.meguia.net/buscandoafelicidade . |
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