COTIDIANO

Rio Branco fez arrastão contra a dengue

Crianças e adultos fortaleceram as barreiras de combate ao mosquito Aedes aegypti que infesta a cidade


Val Sales

As crianças acordaram cedo para cumprir uma missão especial no dia de ontem, considerado em todo o país como o Dia “D” de Luta Contra a Dengue. Enquanto os técnicos da vigilância epidemiológica notificavam os possíveis casos da doença e colhiam amostras para os exames de sorologia, os alunos de 10 escolas da capital se embrenhavam por ruas e vielas dos bairros, levando informações preventivas contra a dengue.

“A gente diz para as pessoas não deixarem água acumulada nos vasilhames e até ajudamos elas a colher garrafas do quintal e colocá-las de ‘boca’ para baixo” explicou contente o “agente escolar” Jhards Luan, 11 anos, aluno da Escola Estadual Francisco Salgado Filho, no bairro Floresta. Seu colega, Yury Fernando, também de 11 anos, disse que todas as crianças foram bem recebidas pelos moradores. “Infelizmente encontramos muitas pessoas doentes com dengue, mas a maioria já estava se tratando com medicamentos passados pelos médicos” acrescentou Yuri.

Onze postos de atendimento foram montados em locais de maior incidência da doença e várias caçambas da prefeitura ficaram o dia todo à disposição dos moradores para efetuar a coleta do lixo doméstico. Cada grupo foi composto de enfermeiro, técnico de laboratório e agente sanitário. Centenas de pessoas foram atendidas, e algumas que apresentavam os sintomas da doença tiveram de encaminhadas para o Centro de Saúde Barral e Barral, no Estação Experimental. Nesse, o atendimento se estendeu até às 17 horas.

A técnica em enfermagem, Rogéria Régis Soares, que integrava a equipe instalada na Escola Francisco Salgado Filho, lembrou que o trabalho dos agentes de saúde continua até que cessem os riscos de infecção da doença. “Os setores de saúde continuam trabalhando intensivamente no atendimento dos casos e no combate à dengue”, explicou.

As vítimas da dengue

No bairro Bela Vista, muitas pessoas se queixam dos sintomas da dengue. A dona de casa Maria Liberdade disse que contraiu a doença há 8 dias, e apesar de estar tomando o medicamento receitado pelo médico, ela garantiu que ainda sofre com fortes dores na cabeça, olhos e juntas. “Pensei que os sintomas fossem logo embora, mas estão demorando muito. Por outro lado, a maioria dos meus vizinhos também tem, ou já tive dengue”, ressaltou.

De acordo com liberdade, é difícil manter a unidade de limpeza nos quintais para afastar o mosquito Aedes aegypti, já que o mato e as valas de esgoto escondem os entulhos que abrigam os insetos. “A gente mantém o máximo de limpeza possível, mas a falta de estrutura, aliada ao esgoto que passa nas nossas portas enfraquece a nossa luta”, concluiu ela.

Convivendo com o perigo

O quintal da dona de casa Marinês Costa da Silva (foto) abriga uma lagoa de esgoto com 9 metros de profundidade. A água esverdeada é um criadouro peixes minúsculos, girinos e, segundo ela, o mosquito transmissor da dengue. “Eu e meus filhos já tivemos dengue, e possivelmente o mosquito saiu desse ‘pinicão’ que temos no fundo do quintal”, explicou. Ela disse ainda que seu marido já tentou esvaziar a piscina incomoda, mas a água volta.

Marinês lembrou que em certa ocasião, seu filho menor caiu dentro da “piscina” e o marido teve que mergulhar em seguida para resgatá-lo. “Graças a Deus ele não sentiu nada na época, mas o perigo é constante, tanto para as crianças como para a saúde da família e dos vizinhos” concluiu.

 

 
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Rio Branco-AC, 21 de novembro de 2004
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