VARIEDADES

Reconstruindo os sonhos

Grupo de Teatro Vivarte se instala no Teatro Barracão e promete tentar reativar o espaço convidando também outros grupos para a causa

Regiclay Saady


Andréa Zílio

Há menos de três semanas, em um terreno abandonado coberto pelo mato, uma casa em ruínas que é símbolo importante da arte acreana. Agora, o cenário aos poucos tenta ser melhorado. O prédio ainda com as marcas do tempo, ganha timidamente cores branca e rosa que cobrem os atos vândalos e o matagal começa a ser controlado. É o Teatro Barracão que volta em cena para continuar fazendo história, sendo referências para outras gerações dos primeiros passos no universo das artes.

Dentro do prédio, o estado de conservação ainda não é dos melhores, mas os primeiro ocupante nessa ativação do espaço, o grupo de teatro Vivarte, tomou providências emergências com a questão hidráulica, a recuperação da instalação elétrica. As janelas quebradas, ganham improvisos com pedaços de madeira. O lugar, segundo os vizinhos, era ponto de boca de fumo.

Na arena do Teatro Barracão, os bonecos do espetáculo do grupo que estréia na próxima semana, “Manuela e o Boto” tomam espaço e dão um colorido ao lugar que ainda é sombrio. Em um pequeno espaço, Maria Rita Costa, que é diretora do Vivarte, improvisou uma sala de leitura. O lugar tem sido o atrativo da garotada do bairro, que todos os dias, às 18 horas, aguardam o início da contação de histórias. Alguns soletram até entenderem o que há no papel e assim conhecem mais da ficção e realidade.

Uma sala maior está sendo utilizada também como sede do grupo Vivarte. Ali, eles guardam os figurinos e outros objetos de quatro espetáculos que apresentaram. Para reavivarem o Teatro Barracão, que por muito tempo foi dirigido pelo saudoso Matias, e atualmente estava sendo lugar improvisado para aulas de capoeira, coordenada pelo filho do ator, Claudio Matias o grupo Vivarte diz ter tido apoio da Secretaria da Mulher e da Fundação Cultural Elias Mansour (Fem).

Nessa nova fase do que parece ser o retorno de um espaço que na década de 80 foi palco de grandes espetáculos, onde surgiram e se apresentaram talentos de apenas um dia e outros que se eternizaram na história da arte cênica, o Teatro Barracão, que mesmo oficialmente sendo da Secretaria de Saúde, é ligado a Federação de Teatro do Acre (Fetac), promete, segundo intenções do

Vivarte, ser um centro de cultura, com dança, teatro, artes plásticas e outras expressões artísticas.

Responsável por embalar sonhos de gerações, o teatro Barracão reanima as lembranças da população, que também anseia por outros bons momentos.

“Essa nossa iniciativa só foi possível também com a ajuda de Lenine Alencar, que é o presidente da Fetac e acreditou na idéia. A nossa intenção é que com esse primeiro passo, outros artistas venham para cá”, diz Maria Rita.

As preces da diretora do Vivarte são as mesmas de Cleudiane Gomes, de 19 anos. Ela conta que recorda muito bem da época em que Matias tinha atividades no Teatro Barracão e sempre estava por lá. “Depois que ele faleceu tudo acabou. Eu acho que é bom esse grupo tentar trazer de volta isso, porque assim, a cultura fica mais perto da gente de novo”, conta.

Valério Gomes, 69 anos, que coordena um grupo de teatro e vive as recordações do amigo Matias, no início não quis saber muito da instalação do grupo, agora dá boas vindas e acredita que se tentarem com persistência, poderão fazer um bom trabalho no local.

 

 
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