| COTIDIANO | |
Projeto SOS Tracajás e Iaçás cria enfermaria e UTI para quelônios Intervenção do homem no processo natural de desova e eclosão de tracajás e iaçás ajuda a natureza a repovoar os rios |
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Uma inovação tecnológica pioneira na Região Norte é o pontapé para a idéia de recuperar totalmente a saúde dos filhotes de tracajás e iaçás que nascem com algum tipo de deficiência, dispensando cuidados especiais e tratamento adequado para cada caso. Ao nascer, eles são frágeis e sensíveis e muitos sofrem com inflamação umbilical, o que pode levar à morte. A perda no período de eclosão dos quelônios atinge em média 30% nos tabuleiros naturais, sendo que esse percentual corresponde praticamente a 100% dos indivíduos com problemas pós-eclosão, e mais cerca de 10% nos tabuleiros artificiais. Foi para reduzir o número de óbitos que a equipe do projeto SOS Tracajás e Iaças, localizados as margens do rio Abunã, abragendo os municípios de Acrelândia, Plácido de Castro e as praias bolivianas, implantou a primeira enfermaria e UTI da Amazônia, uma iniciativa que tem o apoio do governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Naturais (Sema) e do Instituto de Meio Ambiente (Imac), e passou a ser respeitada e elogiada por profissionais da área devido à eficiência e bons resultados, com índice de sobrevivência de até 60%. “A nossa responsabilidade com a questão ambiental do Estado não nos permite deixar de apoiar essa grande iniciativa, que é de suma importância no contexto da florestania com ganhos sócio-ambientais”, diz o secretário de Meio Ambiente, Carlos Edegard de Deus. Na base do projeto, tubos de pvc de 100mm da marca Tigre são cortados em pedaços milimetricamente iguais e colocados ordenadamente lado a lado, dentro de caixas de isopor, em um tabuleiro especial protegido dos raios solares mais fortes e das chuvas. Os caixotes térmicos, chamados de enfermarias, recebem quantidades iguais de areia, que deve ter temperatura e umidade na medida certa para a melhor e mais rápida recuperação dos “pacientes”, que ficam em observação até que estejam totalmente recuperados. Cada enfermaria tem capacidade para até 50 filhotes. Já nos pedaços de tubos, denominados UTIs, permanecem apenas os que estão em estado mais grave, em total isolamento. Os pacientes feridos recebem curativos feitos à base de vinagre e larvicida num período que varia de dez a quinze dias, dependendo da recuperação de cada filhote. Tudo é acompanhado e supervisionado pelos irmãos e coordenadores de campo do projeto Abrahão e Rolberto Libdy Kerdy, que exigem o máximo cuidado na confecção das enfermarias e UTIs, manuseio e tratamento dos quelônios. “A iniciativa de criarmos esse complexo de enfermaria e UTI nasceu da necessidade de revertermos o índice de óbitos durante o período de eclosão. Verificamos que as mortes ocorriam devido aos ferimentos no umbigo dos bichinhos. Então, mesmo com a deficiência de material, conseguimos improvisar a primeira enfermaria com UTI. Deu certo e agora estamos ampliando essa idéia”, comemora Abrahão Libdy. Multiplicando vidas A desova dos quelônios ocorre no período de 20 de julho a 20 de setembro e a eclosão, entre os meses de setembro e novembro. Já a soltura dos filhotes para o repovoamento do rio Abunã acontece de dezembro a janeiro de cada ano. Este ano, foram contabilizados 15.635 ovos e a expectativa é de que até janeiro de 2007 sejam soltos 12 mil filhotes. “Hoje, temos certeza de que para 2007 necessitaremos de pelo menos mais uma enfermaria composta de UTI, tão grande foi o sucesso do projeto. Atualmente a capacidade do nosso complexo é de mil filhotes. Para atender a demanda do próximo ano, certamente precisaremos aumentar para pelo menos quatro mil filhotes a capacidade”, diz Roberto. Ecologicamente correto O projeto SOS Tracajás e Iaças no Acre ganha destaque nacional tanto pela sua importância de preservação da espécie ameaçada pelo próprio homem e repovoamento dos rios e lagos quanto pelos resultados positivos que alcançou nesses sete anos de existência, no que diz respeito, especialmente, a uma conscientização da população ribeirinha, que hoje defende o objetivo da iniciativa. Esse reconhecimento vem, inclusive, de profissionais de respaldo, como é o caso de Júlio Rezende, engenheiro de pesca do Instituto de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), uma das maiores autoridades de quelônios da Amazônia. Júlio afirma que a cada visita na base do projeto se surpreende com a iniciativa e criatividade dos profissionais que atuam nele. A mudança cultural da população ribeirinha foi tão grande que já se torna essencial para a manutenção do projeto e execução de vários trabalhos. “Muitas famílias ajudam voluntariamente na época da desova, eclosão e soltura dos quelônios. Isso é uma demonstração de apoio e a constatação de que a idéia de preservar ganhou força nas comunidades dos arredores”, diz Abrahão. “Antes, as famílias costumavam coletar os ovos para consumo ou até mesmo para comercializar. Isso era tão forte na região que os quelônios já estavam ameaçados de extinção.” |
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| GIRO GERAL |
| Com Moisés Alencastro |
| NA TRIBO |
| Com Roberta Lima |
| PORONGA |
| Da Redação |
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