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Arte nativa no Kupixawa Índios investem na tecnologia e no mercado para garantir a sustentabilidade da arte e da cultura de seus povos |
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Ponto de encontro de todas as tribos, o Kupixawa (casa grande na língua huni kuin) está reativado oferecendo o autêntico artesanato indígena na forma de colares, alianças, cerâmica, tecelagem feita à mão e enfeitadas com os desenhos sagrados (Kenês) dos kaxinawá, imagens também impressas em camisetas de malha e bolsas de algodão cru. Localizado na Praça Thomas Edson, ao lado da biblioteca pública, no centro, abre das oito ao meio dia e das duas às sete da noite, de segunda a sexta e serve de referência para negócios a quem queria encomendar alguma peça, em especial, produzida em uma das centenas de aldeias do Acre. Carlos Alberto Benjamim o responsável pelo kupixawa explica que: “Esta loja é muito importante para garantir a sustentabilidade do artesanato praticado em nossas aldeias, porque ao vendermos estas peças estamos enviando dinheiro ou produtos que eles necessitam. Com isso os artesãos se sentem estimulados a continuar produzindo e valorizando nossa cultura e nossas tradições”. Para quem quer apresentar um visual da arte nativa tipicamente acreana, pode comprar camisetas de malha com a aplicação de oito diferentes kenês, escrita ritual do povo huni kuin, mais conhecido como kaxinawás. “É através destas camisetas e bolsas estilizados com a marca característica de nosso povo que nós garantimos a manutenção e até o pagamento de salário a quem trabalha no kupixawa. Desta maneira estamos conseguindo que o dinheiro da venda das peças possa ir todo para os artesãos que vivem nas aldeias”. Parceria indígena - O Kupixawa que antes só vendia peças produzidas pelos kaxinawás do rio Jordão, democratizou o espaço e além de vender peças de outras aldeias huni kuin, também está oferecendo colares e outros adereços produzidos pelo povo apurinã. “Entendemos que a sustentabilidade ambiental e socialmente justa só acontece quando as pessoas conseguem colocar dinheiro no bolso. Com isso a gente consegue ter autonomia e poder para dizer como quer desenvolver as comunidades indígenas sem ter de ficar dependentes de quem quer que seja”. Mulheres na frente A Associação das Mulheres Produtoras de Artesanato Indígena de Tarauacá e Jordão é representada pela tesoureira Raimunda Nonata da Silva Pinheiro Huni Kuin, a “Mawa Pêy” que está se fixando em Rio Branco para comercializar as peças. “Nossa associação resolveu manter alguém para vender nossas peças como forma de garantir o recebimento do dinheiro dos trabalhos que enviavam para cá. Perdemos dinheiro com pessoas que compravam as peças e acabavam não pagando, isso destimulou muitas artesãs, mas agora esperamos dar novo ritmo à produção”. Apostando na tradição aliada à tecnologia, Mawa Pêy explica que graças à divulgação destes trabalhos em feiras e na própria internet, elas receberam apoio do Sebrae para que aprendessem a operar os 30 teares de pente liso, um tear catarina, 88 pares de pentes de cardar (desembaraçar fios) e oito rocas que estão agilizando a fabricação dos fios. “Com o uso destes teares nós estamos conseguindo produzir peças com maior rapidez e regularidade, sem abrir mão de nossas tradições, pois mantemos o mesmo padrão dos kenês que caracterizam nossos trabalhos”. Explicou Mawa Pêy, para então complementar: “A maioria das artesãs ainda trabalham com o ter manual tradicional, o problema é que além da produção das peças ser muito demorado, essas mulheres acabam tendo sérios problemas de saúde, principalmente na coluna, por causa do número de horas que ficam trabalhando naquela posição forçada”. Renascimento da arte O estímulo que vem sendo dado por essas vendas revertidas em favor das aldeias, fez com que comunidades da Terra Indígena do Carapanã, que após anos de escravidão nos seringais, haviam deixado de plantar algodão para tecer e produzir outras peças de artesanato. “Foi realizado um treinamento para 125 pessoas durante um período de três meses para que reaprendessem as técnicas que tinham se perdido e hoje o Carapannã é a terra indígena que mais produz artesanato”, garante Mawa explicando que a grande maioria das mais de cem artesãs ligadas a sua associação vivem na região do Jordão. A meta agora, é levar teares e treinamento para as comunidades da Terra Indígena do Humaitá, também em Tarauacá, cuja característica tem sido o uso das resistentes fibras da envira e palha de xila, ao in vês de algodão, na sua tecelagem. Ali também fazem brincos colares e outras peças com desenhos bem característicos usando fibras naturais e sementes. Já na aldeia do Caucho, os artesãos trabalham mais com a produção de colares, bolsas, faixas e miniaturas de animais com miçangas. “Nós nos organizamos de tal maneira que nos comunicando por rádio e trabalhando em parceria nas aldeias, estamos garantindo a entrega de nossas encomendas de maior volume, desde os altos rios, em no máximo 30 dias. Coisa que a gente antes não podia garantir”. Kenê in - A melhoria da qualidade nas peças de artesanato e, mais especificamente, na tecelagem huni kuin está permitindo que elas não só profissionalizem, mas e, principalmente, valorizem suas peças, como explica Clóvis Pereira coordenador do Núcleo de Design e Desenvolvimento de Artesanato. “Intermediamos os contatos com novas técnicas que melhoraram a produção do artesanato indígena e agora estas artesãs estão conseguindo fechar negócios com lojas como a Íris Tavares que se destaca como uma das mais importantes e chiques da capital. É por aí que vamos consolidar a sustentabilidade”. |
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