OPINIÃO
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Sérgio Petecão *

 

Sobre política, vitórias, derrotas e aves de mau agouro

Costumo comparar as disputas eleitorais às esportivas. Faço isso porque nos embates esportivos há uma máxima que fala sobre a importância de saber perder. Cair diante de um adversário que lhe é superior na partida ou no decorrer do campeonato requer que os derrotados tenham esse sentimento de grandeza.

Essa relação, no entanto, tem que ser de mão dupla, porque também é fundamental saber ganhar sem tripudiar sobre a dor dos que não conseguem sair vitoriosos.

Admito que não cheguei a ser um grande jogador de futebol, apesar de ter me esforçado bastante. O problema é que essa é uma arte que não é para todos os mortais.

Mas, embora não tenha sido o craque que todos sonhamos ser um dia, admiro muito este esporte de massa, que consegue reunir sentimentos diversos em torno de uma bola. Essa, com certeza, é a modalidade esportiva mais democrática do mundo, graças à sua capacidade de envolver pessoas de posições sociais antagônicas em um mesmo sentimento.

É por meio do futebol que muitos pobres conseguem ascender socialmente. É nele que as tristezas são deixadas de lado. No decorrer dos noventa minutos o que vale é drible, gingado e bola na rede.

Se não fui feliz dentro dos gramados, o mesmo não posso dizer da política. Entrei nela incentivado por alguns amigos e com o sentimento de fazer o melhor pela população do Estado, em particular os mais necessitados que quase sempre ficam à margem dos benefícios que emanam do poder público.

Acredito que tenho uma carreira vitoriosa. Isso graças aos muitos amigos que consegui construir ao longo da minha trajetória. Foi graças, principalmente aos mais humildes, que fui eleito para três mandatos de deputado estadual e agora exerço o primeiro de deputado federal.

Nessa trajetória de treze anos na vida pública, também fui derrotado algumas vezes. Sofri como só sofrem aqueles que não conseguem ganhar. Mas, nesse sofrimento, tirei lições importantes. Posso dizer que soube perder e aprendi com a derrota.

Nessas derrotas encontrei forças para participar das muitas vitórias ao longo dos anos. E também soube ganhar. Comemorei sem jamais tripudiar sobre os meus adversários. A política tem que ser feita com grandeza e de forma limpa.

Dediquei a primeira parte deste artigo para falar sobre a importância de saber perder e saber ganhar porque venho sendo vítima dos maus perdedores.

Nas eleições do ano passado, depois de doze anos como deputado estadual, quando tive a oportunidade de presidir a Assembléia Legislativa do meu Estado por oito anos, fui convidado pelo meu partido para enfrentar o desafio de concorrer a deputado federal. Desafio esse que se mostrou, graças a Deus, vitorioso.

Fui eleito o segundo deputado federal mais bem votado do Acre, com quase vinte e oito mil votos. Em Rio Branco fui o mais votado, contando com a colaboração de 11,98% do eleitorado do maior colégio eleitoral do meu Estado. Tive votos em 21 municípios, dos 22 existentes.

Confesso que essa votação surpreendeu até a mim e aos meus companheiros de partido. Mas, a surpresa foi coisa rápida. Sabíamos e temos a consciência de que não somos políticos “Copa do Mundo”. Não trabalhamos apenas em véspera de eleição, ou de quatro em quatro anos. Nosso trabalho é diário e sempre antenado com os anseios da população.

Ocorre que esse resultado consagrador nas urnas incomodou alguns maus perdedores. Nesses primeiros meses do ano esperei pacientemente que essa turma se acostumasse com a derrota. Não foi isso que aconteceu. Soube ganhar, mas eles não souberam perder. O que é uma pena.

Atualmente, sou vítimas de denúncias forjadas, infundadas e plantadas por quem tem interesses em tirar o brilho de uma das mais consagradoras eleições da história política do Acre.

Toda a trama foi fomentada por um candidato derrotado, que teve a desfaçatez de aliciar e utilizar testemunhas, a fim de atingir o seu objetivo. A Justiça sabe quem está falando a verdade. E eu acredito nela.

O pior é que esse pessoal que tenta inviabilizar o meu mandato não tem histórico e nem moral para questionar atos considerados por eles ilícitos. São pessoas que tanto mal fizeram ao Acre e aos acreanos. Pessoas que, num período obscuro da nossa história, ocupavam gabinetes de secretários de Estado, ditando quem deveria ou não receber pelo fornecimento ou prestação de serviço para a administração estadual.

São essas pessoas que também criavam fundações filantrópicas onde se formavam filas gigantescas de famintos em busca de receber sacolões. Era a compra de votos configurada e expressa na miséria alheia. São pessoas que se vangloriavam de serem corruptas e corruptoras.

Eu entendo essas posições. É comum para certas pessoas imaginar que todas as outras são o seu espelho. É uma coisa bem narcisista, explicada na mitologia. É a vaidade intelectual que se mostra frustrada.

Se entendo, não posso aceitar, principalmente porque essa gente hoje se veste com a pele de cordeiro para tentar uma sobrevida. Querem que esqueçamos que, não faz muito tempo, soltavam o verbo e a verba para ofender lideranças da Frente Popular como o ex-governador Jorge Viana, o senador Tião Viana, ao deputado Edvaldo Magalhães, a mim e até o hoje governador Binho Marques. Devemos ter cuidado, companheiros!

A Frente Popular e os partidos que a compõe não podem aceitar passivamente que essas pessoas se insinuem para querer se aproximar de um projeto vitorioso que vem ganhando, sucessivamente, o apoio dos acreanos nas urnas.

Os lobos que se vestem de cordeiro são os mesmos cujo seu principal líder é um moribundo político, que sempre fez as coisas com ambição, ódio, rancor e preocupado com os seus interesses pessoais e familiares. É um sujeito que se vangloria de ter uma inteligência privilegiada, acima dos simples mortais.

O problema é que essa inteligência - se é que existe – é e foi utilizada apenas para produzir maldades. Deve ser por ter atitudes como essa que em torno dele há um cemitério de ex-políticos. Todos enterrados pela vontade soberana do povo, porque seguiram as orientações e as estratégias desse coveiro oficial.

Estou há pouco tempo em Brasília. Não me preocupei em procurar saber sobre a sua passagem do personagem em questão na Câmara dos Deputados. Mas vieram me falar sobre essa pessoa. Pessoas que conviveram com o coveiro da oposição me revelaram que tinha medo de conversar ao seu lado. Temiam se pegos de surpresa pela sua mania de gravar todo mundo, inclusive aliados. Esse é o “X da Questão”.

Finalizo dizendo que aprendi a perder e a ganhar, mas não me acostumei a apanhar. Não ficarei calado sendo acusado de coisas que não cometi, principalmente quando partem de políticos derrotados e nocauteados pelo povo acreano. Ficarei sempre atento para me proteger dessas aves de mau agouro. E trabalhando muito em Brasília para ajudar a tornar o Acre um dos melhores lugares para se viver. E todos podem ter certeza que sempre jogarei com a maior transparência e respeito aos aliados e adversários. Continuou acreditando que na política há espaço para o fair play. Embora as aves de mau agouro pensem o contrário.

* Deputado federal pelo PMN

 

 
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Rio Branco-AC, 22 de maio de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
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Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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