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Aleac entra na luta contra as drogas

Sessão especial realizada em alusão à Semana Antidrogas contou com casos e soluções para o Acre

Cedida
Secretário de Segurança Pública, Antônio Monteiro, discursou ontem na Aleac durante a sessão especial sobre o combate à dependência química


Renata Brasileiro

A Organização das Nações Unidas (ONU) revelou em recente pesquisa que 10% da população mundial é composta por dependentes químicos. No Brasil, 17 milhões de pessoas convivem com o drama. E para cada três famílias, uma possui um parente viciado nos mais variados tipos de entorpecente.

Com esses dados, o deputado estadual Donald Fernandes abriu a sessão especial realizada na Assembléia Legislativa, na manhã de ontem, alusiva à Semana Antidrogas.

O deputado é o autor do requerimento para a realização da sessão e declarou aos presentes que se sentia muito satisfeito com a atenção dada pelos colegas deputados ao problema, que tem feito muitas vítimas no Acre.

Para ele, a droga é uma epidemia social que, diferentemente das doenças comuns, traz conseqüências muito mais desastrosas para a população. “A diferença entre um doente normal e um doente de drogas é que o primeiro tem vontade de ficar bom e recebe o apoio da família para que isso aconteça. Já o segundo não encontra forças para querer se livrar da doença e, com o tempo, passa a ser recriminado por todos que o rodeiam”, destacou o deputado.

É a partir dessa situação que surge uma infinidade de problemas, completa o parlamentar. A maioria dos casos de violência urbana está ligada ao uso e ao abuso de drogas. Na Unidade de Recuperação Francisco D’Oliveira Conde, 70% dos presos foram condenados por tráfico.

“O mais triste disso tudo é que esses 70% são jovens. E isso acontece porque são os jovens que se iludem com a facilidade de ter dinheiro nas mãos para poder ter tudo o que quiser. Por isso, acreditamos que não basta existir a figura policial para combater, é preciso também a participação da sociedade, a participação da mãe para orientar as crianças em casa sobre os malefícios das drogas. É em casa que se aprende muita coisa”, reforçou o secretário de Segurança Pública do Estado, Antonio Monteiro.

Da sessão, participaram ainda outras autoridades que representam o Estado e contribuem para a queda do índice da criminalidade relacionada às drogas. Participaram também as entidades que lidam com a reabilitação e reinserção social de jovens e adultos acreanos que sofrem com a dependência química. Alguns testemunhos foram dados na oportunidade por pessoas que depois de muitos anos conseguiram se recuperar e hoje ajudam outras a se livrarem das drogas.

“O meu problema era o álcool, uma droga que também mata. Passei 20 anos viciado, destruindo minha vida, vendo o tempo passar e eu não fazia nada, só me entregava mais ainda ao vício. Graças a Deus, tive a oportunidade de entrar no Projeto Arco Íris e depois de sete meses me recuperei totalmente. Depois disso reconquistei a confiança da minha família e hoje sou uma pessoa muito feliz”, disse o trabalhador Joelson Mota de Souza.

Joelson conta ainda que voltou a estudar depois de 15 anos longe da escola. Ele está concluindo o ensino médio e sente que os estudos o estão ajudando na recuperação da auto-estima.

“Sinto prazer por ser uma pessoa sóbria”

Muitos casos emocionaram o público presente na sessão de ontem, na Aleac. Mas o da servidora pública Cristine Alencar da Silva, 34, foi o que arrancou mais aplausos devido ao grande esforço demonstrado por ela, que durante cinco anos foi dependente química.

“Eu não entrei na dependência na juventude, como a maioria dos jovens. Entrei por influência de uma amiga e isso mostra que qualquer ser humano é frágil, não importa da idade. Comecei experimentando. E de repente tinha dias que eu chegava em casa sem os sapatos porque vendia para comprar mais drogas quando elas acabavam”, declarou.

A funcionária pública relatou em detalhes como foi sua vida com as drogas e como ela é hoje, na sobriedade. Conta que sequer teve condições de sentir a perda da avó - que a criara - porque no momento do velório estava drogada.

Cristine tinha uma vida social, tinha grande apego à família, aos amigos, mas deixou tudo de lado em nome do vício. Sem dinheiro para comprar entorpecentes, teve que usar o nome da mãe para pedir empréstimos, deixando um grande rombo financeiro dentro de casa.

O tempo foi passando e Cristine radicalizando as suas ações cada vez mais. “Eu cheguei a roubar e a me prostituir para poder comprar drogas. Mas só vim me dar conta da tragédia que eu tava provocando na minha vida e na da minha família quando tentei me suicidar porque não tinha mais de onde tirar dinheiro para sustentar o vício. Foi quando eu aceitei ser internada na Apadeq Feminina, onde passei nove meses em tratamento e saí totalmente recuperada”, completou.

Cristine pôde voltar ao seu emprego depois da fase de recuperação. Voltou também para a vida social, casou e teve uma filha, que completou dois anos. Hoje ela diz que seu maior prazer é estar sóbria e que muitas pessoas em sua volta a apóiam e incentivam para que ela continue na sobriedade.

“Eu me tornei monitora da Apadeq. Nos fins de semana vou para lá ajudar as pessoas que estão nas mesmas condições em que eu estive um dia. O que posso dizer é que eu me sinto muito bem por poder ajudá-las”, finalizou.

Pedalando contra as drogas

Juracy Xangai

Seguindo a máxima de que o ciclismo conserva o corpo e a mente e não polui o meio ambiente, a Federação de Ciclismo do Acre estará realizando na noite deste sábado a primeira cicleata contra as drogas.

A exemplo do que fazem todos os sábados, os ciclistas vão começar sua concentração na Concha Acústica do Parque da Maternidade às 18 horas, para partirem às 19 em trajetos sempre diferentes, mas com uma extensão média de 15 quilômetros.

“Pelo menos 50 pessoas de todas as idades e classes sociais participam de nossas Night Bike, que acontecem sempre aos sábados com o objetivo de estimular as pessoas à prática de um esporte que apresenta a vantagem de melhorar nosso condicionamento físico e mental, além de não poluir e ajudar no combate ao aquecimento global”, explicou Lucas Faer, vice-presidente da Federação de Ciclismo.

“Decidimos realizar essa cicleata em apoio à Semana Nacional Antidrogas, porque defendemos o meio ambiente e sabemos que é muito melhor viver sem drogas, fumo ou álcool, divertindo-se de maneira sadia ou praticando esportes, que além de fazer bem oferecem muita adrenalina e muito mais disposição para enfrentar os desafios da vid”, declarou Faer.

As Night Bike são apoiadas pela construtora Albuquerque Engenharia, Casa Araújo, Sebrae, Polícia Militar e a direção do Parque da Maternidade.

“Antes de cada passeio, aproveitamos para fazer exercícios de alongamento, damos dicas sobre a postura adequada de manejar as bicicletas e também sobre o uso das marchas para as diferentes situações e como se conduzir com menos riscos no trânsito. Mas o bom mesmo são as amizades que vão se construindo aqui porque toda semana tem alguém novo e os passeios vão ficando cada vez mais animados”, afirmou.

Grevistas se revoltam com corte de ponto e pedem apoio aos deputados

Renata Brasileiro

Em greve há 37 dias, os servidores do Instituto Brasileiro de Recursos Naturais Renováveis (Ibama) tiveram uma surpresa nada agradável esta semana. Os grevistas foram avisados de que a folha de pagamento fora encaminhada ao Ministério do Planejamento com 16 dias de ponto cortado.

A ordem teria vindo do próprio presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Os servidores não acataram a decisão e fizeram uma nova manifestação em nível nacional, solicitando o apoio de parlamentares para que não haja cortes no salário.

“Estamos aqui na Aleac hoje para chamar a atenção dos deputados da Casa para o que estão fazendo conosco. Espero que eles se sensibilizem com a causa e encaminhem um documento ao Ministério do Planejamento para que haja uma revisão dessa decisão do presidente Lula”, destacou o presidente da Associação dos Servidores do Ibama, Francisco Messias.

Na mesma situação estão os servidores do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Em greve há duas semanas, eles deverão ter seis dias de corte no salário deste mês.

Por essa razão, os servidores engrossaram a manifestação ocorrida em frente à Aleac, que contou com faixas e “apitaços” que chamaram a atenção da população a manhã inteira.

Os dois órgãos estão em greve devido ao Projeto de Lei que prevê a fragmentação dos órgãos, com a criação de novos institutos. A criação do Instituto Chico Mendes, que deverá assumir grande parte das atribuições do Ibama, por exemplo, vem sendo recusado pelos servidores da casa de forma unânime. Todos se mostram interessados em continuar na luta até que o projeto seja derrubado.

“Na semana passada não tivemos uma resposta muito favorável. A Câmara Federal aprovou o projeto por 250 votos, enquanto apenas 161 eram contra. Felizmente, no Senado as coisas têm sido diferente e estamos recebendo mais apoio. Esperamos que esse projeto nunca entre em execução e que se o governo federal enxerga como ineficiente o que o Ibama tem feito hoje, que invista mais no órgão, em vez de criar outro”, completou Messias.

 
 
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Rio Branco-AC, 22 de junho de 2007
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