OPINIÃO
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Raimundo F. Souza *

 

 

Relaxando e gozando

Quem não teve a oportunidade e o privilégio de nascer em “berço de ouro”, às vezes nem de dormir em um de madeira, como é o caso da maioria dos brasileiros, e conseqüentemente enfrenta inúmeras dificuldades para sobreviver neste país de contrastes e desigualdades, certamente pode entender na teoria o que pensam sobre eles - ou melhor, sobre nós - os abastados e donos do poder. Sua Excelência a ministra do Turismo, Mata Suplicy, resumiu e explicou com três palavrinhas - relaxe e goze - e a gente nem pra lembrar disso nas horas difíceis!

Lamentavelmente a maioria da população brasileira ainda tem que sobreviver com um salário mínimo, ou menos que isso, nos casos em que nem um emprego fixo é possível conseguir; enfrentar filas por madrugadas a fio, às vezes a noite inteira, para conseguir uma consulta médica e muitas vezes, quando conseguir, ainda ter que esperar de sessenta a noventa dias para ser consultada; perder horas em pontos de ônibus para conseguir se deslocar para algum lugar e ultimamente, esperar dias em aeroportos tentando embarcar em algum vôo, e tudo isso, sem perder a postura, tendo que ser cortês, não perdendo a esperança, se possível com bom-humor.

Lamentavelmente essa mesma população tem que pagar a maior carga tributária da América do Sul; conviver com a má conservação da malha rodoviária; enfrentar a violência urbana e se arriscar com o perigo das bolas desorientadas que podem se perder do primeiro alvo, mas encontrar o segundo; digerir os fatos noticiados através dos meios de comunicação de que os políticos estão satisfazendo suas vaidades mais fúteis com o dinheiro público; assistir à degradação do meio ambiente (rios e floresta), em especial da Região Amazônica, quase sempre de forma oficializada e ainda ter que se submeter às regras e sofrer e/ou pagar o prejuízo do investimento com a refinaria de gás que foi nacionalizada e indenizada pela proposta mais conveniente para o presidente da boliviano e que pode acarretar em elevação de preço desse derivado consumido no Brasil.

No país que ainda conta uma taxa de analfabetismo funcional, acima de 15 anos, na média geral, em torno de 24%, em algumas regiões atingindo os 41%; com uma média geral da população abaixo da linha da pobreza em torno dos 29% e nas regiões mais pobres (Maranhão) chegando a 63%; taxa de desemprego na média geral estimada em torno dos 17%, mas nas regiões menos favorecidas atingindo 55%, certamente, ainda há muito a ser feito para garantir a inclusão da maioria desse povo carente em um padrão de bem-estar aceitável e digno para a população. E esse contingente de excluídos, que em algumas regiões menos desenvolvidas, somando as deficiências em todos os setores, ultrapassa a casa dos 60%, está longe de resolver seus problemas e sentir-se verdadeiramente cidadão apenas com o conselho jocoso e confortante da ministra do Turismo.

Conforme se comenta em tom de paródia popular: pagar o pato, descascar o abacaxi, segurar o pepino, a batata quente e a onda são tarefas que enfrentamos cotidianamente por toda a existência para sobreviver e demonstrar que somos capazes de enfrentar as adversidades que se apresentam de cabeça erguida e com dignidade. Mas muitas vezes as dificuldades podem se apresentar além de nossa capacidade, ou o nosso potencial está aquém das dificuldades a serem enfrentadas. No entanto, o povo, especialmente o menos favorecido, sempre encontra uma maneira de transpor as barreiras e sobreviver - às vezes ilesos, outras vezes com algumas avarias, mas, via de regra, entre os mortos e os feridos, quando não são achados por uma bala perdida, a maioria resiste de pé.

O ideal seria que todos conseguissem viver dignamente, relaxando e gozando, não para esquecer as iniqüidades da vida, mas no momento certo, na ocasião propícia e com quem julgasse conveniente.

* Bibliotecário/Documentalista

 
 
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Rio Branco-AC, 22 de junho de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
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Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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