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“O cinema ainda é a cereja do bolo” Cineasta Newton Canitto encerra sua primeira participação no curso de cinema e vídeo apresentando filme no Cine Clube Aquiry |
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Nos altos e baixos de uma das artes mais caras a se produzir, o cinema, o paulista Newton Canitto, 33, cineasta que encerra hoje sua primeira participação no Curso de Cinema e Vídeo, na Usina de Arte João Donato, fala aos acreanos com realismo sobre a sétima arte. Ele acredita que é ilusão achar que o Acre pode de imediato se transformar em um grande pólo de cinema, pois os países não conseguem descentralizar os grandes eixos de produções, mas aposta no diferencial para que seja feito o que chama de “feijão com arroz”, que é o cinema permanente na vida dos acreanos, e a partir daí, quem sabe, descobrir grandes talentos. A Amazônia é o principal tema na visão de Canitto, sua cultura, gente, cenário, mas antes de pensarem em mostrá-la, quem vive nela tem de conhecer, gostar de cinema e não repetir os modelos de outros lugares, dando uma identidade que deve sempre mostrar o diferencial, o que tem nessa parte do Brasil e apresentá-la ao mundo. Canitto começou no cinema aos 21 anos e desde então, não parou. É considerado um dos profissionais da boa safra brasileira. Roteirista de “Cidade dos Homens”, ele também apresenta hoje o filme “Quanto Vale ou é por Quilo”, de Sérgio Bianchi, que foi seu primeiro grande roteiro. No curso, coordenado pelo cineasta Maurice Capovilla, Canitto ensina a criação de roteiro para documentário e ficção, técnica de entrevista, abordagem. Conta que trabalha com os alunos a partir dos projetos que ele tem, e que pretendem produzir ao longo do curso. Os projetos possuem que considera interessantes, entre eles está uma releitura da lenda do boto, uma ironia aos que indagam sobre a existência do Acre, a história do cinema no Estado, as benzedeiras. Filmes - Newton Canitto conta que, diferentemente de outros lugares, em que existem grandes, médios e pequenos filmes, o Brasil atua só com os grandes ou pequenos, o que é ruim e representa a falta de oportunidade do mercado, plano de produção, falta de estrutura e fomento. É muita gente inventando no que chama de um cenário escuro, segundo ele, e sem estrutur. Mas o cineasta também reconhece o grande momento que viveu o cinema brasileiro em 2002, e alerta que se não houver política de estabilidade, o ritmo será perdido. “A produção das televisões são permanentes, mas é necessário outros tipos de sedimentação”, diz. Acre –-Aos amantes e praticantes da sétima arte no Acre, Canitto argumenta que nessa área não será arrumado emprego, mas criado. E o papel da Usina de Arte, como escola de cinema, é dar o contexto cultural, incentivar a uma produção cotidiana, onde aí sim, dela pode haver o excepcional. “É preciso criar um caldo cultural. As pessoas ainda assistem poucos filmes, tem poucos espaços de cinema, isso é preocupante, e o cine clube contribui para mudar esse quadro, mas precisa de mais. Os resultados não são imediatos, mas quando acontecem, é criada uma indústria cultural. É preciso ter o feijão com arroz para depois ter talentos excepcionais. O cinema ainda é a cereja do bolo, mas precisa ser a proteína”, diz o cineasta. Newton Canutti realiza palestra hoje, após a exibição do filme “Quanto Vale ou é por Quilo”, que começa às 19 horas, na Usina de Arte João Donato, que mantém a programação todas as sextas-feiras, gratuitamente. |
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