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Vanessa França * |
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Lendo o Folha Online esta semana me deparei com o seguinte título de uma matéria: “DEM prepara recurso ao STF contra aprovação da LDO pelo Congresso” e com o seguinte subtítulo: DEM prepara Adin no Supremo contra aprovação da LDO. Bem, o que o jornalista que escreveu a matéria quis dizer é o seguinte: O DEM (Partido Democrata) prepara uma Adin (Ação Direta de Inconstitucionalidade) para ser impetrada no STF (Supremo Tribunal Federal) contra a aprovação da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias). Ufa! Dizem que a moda sempre volta e neste caso creio que estamos voltando a escrita hieroglífica do Antigo Egito onde um símbolo representa uma ou várias palavras. É cada vez mais comum encontrarmos siglas em matérias, principalmente, as de economia e política, onde os termos usados para ações, partidos, instituições judiciárias e financeiras, leis e diretrizes preenchem as páginas. E cada raiar do dia é uma novidade, estas siglas se proliferam como criações de coelhos. O uso exagerado delas nos jornais e revistas nacionais pede a criação de um dicionário. O leitor desavisado ao se deparar com um título como esse acha que esta diante de uma nova língua e acaba se sentindo excluído, abandonando a leitura no meio do caminho. Aí eu pergunto: é falta de espaço para titular ou uma nova regra do jornalismo moderno? E a máxima que demanda ao jornalista o poder da informação? Será que só os economistas ou os políticos são capazes de entender estas matérias? Será o curso natural das palavras reduzirem-las a siglas? Uma nova linguagem já amplamente discutida e estudada é a usada pelos internautas. A velocidade do manuseio dos teclados é responsável pela deglutição de várias letras. A ânsia de que a ação acompanhe em tempo real o pensamento, reduz as palavras a símbolos lingüísticos que só quem participa da intimidade virtual, percebe. O jornalismo estaria no mesmo caminho? Seria esta a saída da enxurrada de informações que inundam nossas redações, computadores, jornais, agências de noticias? Reduziremos nossos textos a hieróglifos? Será que estamos preparados para mexer com a estrutura social? Sim, porque seria preciso uma atualização constante da população para a compreensão desta nova linguagem. Ou será que a intenção é esta, a incompreensão? Há que saudade de Carlos Drumond de Andrade, Graciliano Ramos, Euclides da Cunha... * Jornalista, assessora de imprensa do Sebrae |
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