COTIDIANO

Produtores descobrem que criar frango é lucrativo, mas exige dedicação e conhecimentos que não tinham

 


Juracy Xangai

Há um ano algumas famílias de produtores do ramal do Batista localizado no Projeto de Assentamento da Alcoobras, em Capixaba, participaram dos Eventos de Capacitação Em Campo (ECC) promovidos pelo Sebrae em parceria com o Incra e decidiram que iriam investir na criação de frangos caipiras melhorados. Agora eles avaliam os resultados e olham para o futuro com novas perspectivas de vida.

Para quem passou a vida tendo galinhas no quintal, parecia simples montar uma granja, mas a experiência mostrou que a produção industrial em escala exige algumas práticas e técnicas que ainda não eram dominadas pelos produtores. Isso fez de cada dia um aprendizado com alegrias e decepções, mas agora já se animam com os primeiros resultados.

Reunindo oito famílias eles fundaram o Grupo de Produtores Acrefrango que recebeu financiamento de R$ 30 mil do Banco do Brasil através de seu programa de estímulo ao Desenvolvimento Regional Sustentável (DRS). O dinheiro foi usado na a montagem dos galpões e custeio da criação.

“Na primeira cria pegamos 1.500 pintos, mas só conseguimos tirar 1.200, perdemos muitos por falta de experiência no jeito de cuidar de tanto pinto junto. Agora a gente já sabe o que fazer, então pegamos mais 1.200 que dão gosto de ver”, explica Alberto Vieira dos Santos, 55 anos, pai de cinco filhos. Ele reconhece que todo começo é trabalhoso. “A primeira dificuldade foi criar e engordar os pintos, mas complicado mesmo foi a comercialização porque a gente nunca tinha vendido tantos frangos de uma vez só.”

Outro dilema enfrentado pelos produtores era o modo de vender os frangos vivos ou abatidos. “Decidimos vender as aves em pé. O pessoal gosta de comprar o frango vivo para matar do jeito deles. Pra vender o frango limpo, tem de montar um abatedouro e obedecer um monte de regra que a gente não tem condição. Além do mais, pagam só R$ 12 pelo frango abatido e R$ 10 pelo frango em pé aqui na porta da colônia, por tudo isso, essa é a melhor maneira de vender”.

Os primeiros 1.200 frangos já saíram, outros estão chegando no ponto de venda. Há pintainhos em três fases de crescimento porque o negócio tem de ser administrado de maneira a que não faltem aves para atender aos clientes. “Não falta freguês, se a gente tivesse mais frango estaria vendendo tudo. É um bom negócio, embora a gente ainda não tenha tirado lucro para por no bolso, o primeiro lote pagou as contas e deu dinheiro para a gente garantir a continuidade da produção”.

 

 
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