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Presente dos deuses |
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Pamonhas doce e salgadas, canjicas com coco ou castanha, milho verde manteiga são algumas das delícias que já estão à venda nas beiras de rua de Rio Branco com as quituteiras aproveitando a safra semeada pelos agricultores que conseguiram preparar a terra, a tempo, num ano de queimadas proibidas. Maria Ângela Souza da Silva tem 38 anos, mãe de cinco filhos, moradora da Sobral e que ganha a vida como ambulante perambulando pelas ruas da capital em busca dos clientes. Durante a maior parte do ano trabalha vendendo bananinha frita e pipoca, mas quando chega o tempo do milho verde é que ela vê suas vendas aumentarem. Símbolo da fartura das Américas, o milho integra a cultura brasileira sendo comido assado, cozido, nos mais diversos pratos salgados ou doces e ainda como bebidas variadas com e sem álcool. No Acre as preferidas da população são as doces canjicas com sabor enriquecido pela castanha e uma pitada de canela completando a receita. “Canjica é o que mais vende, já vendi mais de 200 num dia. Pamonhas vendo uma base de 50. Milho verde também arrebenta, é de 100 a 150 por dia. A gente tem que aproveitar a safra”. O milho é encomendado aos agricultores na base de 5 a 8 reais a mão (50 espigas), a mãe e uma irmã de Maria (todas desempregadas) que descascam e preparam as guloseimas típicas dos períodos de novembro a fevereiro, daí só de junho a julho durante as tradicionais festas juninas. Nos impérios Inca e Asteca o milho era tido como um presente dos deuses. E continua divino. |
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