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Cooperação, a chave da sobrevivência Para sobreviver nesses tempos de globalização, as empresas estão tendo de se organizar cooperativamente em todo o mundo |
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Juracy Xangai As mais de duas mil associações comerciais e empresariais que se espalham pela maioria dos municípios do Brasil são, antes de tudo, negócios que precisam ser muito bem gerenciados com suas ações voltadas à prestação de serviços para a classe empresarial de forma que ela possa contribuir mais para o desenvolvimento de suas cidades. Esse foi o tema central dos treinamentos, palestras e debates dos quais participaram os representantes de 14 associações comerciais e empresariais de todo o interior do Acre durante o IV Seminário do Projeto Empreender, que aconteceu durante todo o dia do último sábado e domingo no auditório do Hotel Pinheiro. Voltado ao desenvolvimento empresarial e para a sobrevivência das empresas nesses tempos de mudança global, ele foi premiado como um dos quatro melhores programas de desenvolvimento empresarial do mundo durante evento do setor realizado em Durban, na África do Sul, em junho do ano passado. Trabalho de muitos Tendo como lema “Unir para Crescer”, o seminário foi organizado e realizado numa parceria entre a Federação das Associações Comerciais do Acre (Federacre) e o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-AC) e a Confederação das Associações Comerciais do Brasil (CACB), representada pelo engenheiro Carlos Rezende, coordenador executivo nacional do Empreender. Além das instituições, a execução do projeto acontece sempre com o apoio de empresas privadas. O projeto Empreender foi instalado no Acre há quatro anos, mas diversos problemas, principalmente o de que ele deve ser assumido pelas associações, acabou parando duas vezes e é retomado agora, já com prejuízos, pois em 2007 a CACB estará liberando dinheiro para a realização do projeto Empreendedor Competitivo, ao qual, não teremos direito por estarmos reiniciando agora o projeto que já deveria estar em pleno andamento como acontece no restante do país. O desafio maior para o sucesso do projeto no Norte e Nordeste está na densidade empresarial. Em termos comparativos, o pior índice empresarial do Paraná registra um negócio para cada 50 pessoas, que por sua vez, é o melhor índice em São Luiz no Maranhão. Em Rio Branco essa densidade varia de 60 a 120 de acordo com o setor. A situação se complica ainda mais porque os levantamentos indicam que os brasileiros estão dentre os povos mais empreendedores do mundo, o problema está em que esses negócios não são criados de maneira planejada, ou seja, a maioria os cria quando perde o emprego ou sente qualquer outra necessidade urgente. Por conta disso para cada 100 empresas abertas, 80 morrem antes de completar três anos. Aumentar o índice de sobrevivência das empresas é uma da metas principais do empreender. Outro grande problema está na informalidade, não pela existência delas que é uma questão social, mas muito mais pelo fato de que assim elas tem mais dificuldade para crescer. Isto porque oficialmente não existem, então não podem vender ou comprar do governo, nem mesmo pegar um empréstimo para ampliar e modernizar a atividade. Situação que se espera ver solucionada ou, pelo menos, aliviada com a aprovação da Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas, ou Super Simples como está sendo apelidada. “Não há receita pronta como se fosse um bolo, no Projeto Empreender os empresários se reúnem, discutem os problemas dentro do contexto de sua realidade local, propõem soluções coletivas apoiando-se entre si. Os representantes do projeto agem como moderadores e orientadores do processo, mas não devem interferir nele porque pertence aos empresários. O importante é renunciar a velhos conceitos que já não estão funcionando direito e fazer diferente, inovar agindo cooperativamente respeitando a individualidade de cada empresa”, explica Ana Márcia Ferreira consultora do Projeto Empreender no Acre. Coordenador do projeto empreender pelo Sebrae do Acre, Tristão Cavalcanti apresentou aos presidentes das associações comerciais e empresariais do Acre as diretrizes que regem o Projeto Empreender dentro da programa de Gestão Estratégica Orientada para Resultados (Geor). Emerson Gomes superintendente do Serviço de Aprendizado Cooperativo (Secoop-Ac/OCB) realizou palestra sobre a cultura cooperativa destacando que essa é a melhor forma de distribuir renda à população como para garantir a sobrevivência das empresas formando verdadeiras redes de negócio. Destacou que dentre as 20 maiores empresas da Europa, oito são cooperativas e, de cada cem empresas existentes no Canadá, 98 funcionam em sistema cooperativo. Novo ânimo Presidente da recém-fundada Associação Comercial e Empresarial de Capixaba, Rosenilce Alves de Souza foi enfática: “Este treinamento me deu novo ânimo para continuar lutando porque entendi que não sou só eu que enfrento tantos problemas, mas todos, por isso é tão importante trocarmos informações e experiência a fim de que assim possamos avançar juntos”. Já Eurico da Silva Feitosa, presidente da Associação Comercial de Senador Guiomard, e seu tesoureiro Juarez apresentaram os resultados positivos que vem alcançando à frente de sua recém-criada associação. “Graças ao apoio de nossa diretoria, especialmente, dos demais empresários, Câmara Municipal conseguimos implementar 60 pequenas medidas que estão fazendo uma grande diferença na vida em nossa cidade”. A chave do sucesso, segundo Eurico está na seriedade e na objetividade ao agir, porque os empresários não gostam de perder tempo, por isso é preciso agir com bom senso. “O certo é prestar atenção no que as pessoas querem e orientar essa vontade para o que realmente importa”. Unir para não se extinguir O coordenador nacional do empreender, Carlos Rezende foi esclarecedor: “A globalização, internet e rapidez das informações exige que os empresários e produtores de todos os setores se organizem em grupos para garantir sua sobrevivência futura no mundo dos negócios”, adverte Rezende para então aconselhar: “Para viver e atuar de modo cooperativo, é preciso realizar uma mudança cultural onde aquilo que é bom para os outros também seja bom pra nós”. Simplificando, para sobreviver às mudanças que estão acontecendo no mundo, não há mais espaço para o individualismo, é necessário se agrupar com cada um fazendo sua parte, agindo de maneira ética e respeitando a individualidade pessoal de cada um. A idéia não formar grandes cooperativas, mas agrupamentos cooperativos onde comerciantes e empresários dos mais diversos setores que vão do agrícola e florestal ao industrial, formem organizações em que se apóiem mutuamente na realização de compras coletivas a preços compensadores à apresentação das reivindicações do setor aos prefeitos, governadores e o presidente, se necessário. A Associação Comercial de Campo Largo (Ascal) no Paraná é um exemplo prático disto. Situada a cerca de 50 quilômetros de Curitiba viu seus clientes sendo “roubados” pelos grandes supermercados que ofereciam até ônibus grátis para leva-los às compras. Os comerciantes locais se juntaram, organizaram compras coletivas que lhes permitiram oferecer produtos a preços mais compensadores, ao mesmo tempo realizaram uma ampla campanha de marketing esclarecendo os moradores de que as compras em Curitiba estavam gerando desemprego em Campo Largo. “Os resultados foram tão bons que além de recuperar os clientes eles ainda conseguiram aumentar suas vendas em 30% com relação ao que vendiam antes. A chave foi a união de todos para garantir a circulação do dinheiro na comunidade”. Rabo preso Mas para isso é necessário atuar de maneira séria e positiva no sentido de ajudar o desenvolvimento de seu negócio sem desrespeitar a lei, pois quando isso acontece, o setor fica amarrado de tal forma que ao se manifestar pode receber retaliações. Taxativo ele afirmou: “Associação comercial é um negócio, não uma instituição filantrópica, por isso seus recursos devem ser investidos e tratados de modo profissional para que dêem retorno aos seus associados. A fim de que as coisas se desenvolvam é preciso ter uma diretoria preparada e competente, pois seja a associação ou qualquer outro negócio, o que mais pesa no mercado é a marca, ou seja, o nome da empresa ou instituição. É através dos resultados que ela consegue ter credibilidade em qualquer lugar”. Lembrou que um dos principais motivos das associações e outras entidades, viverem momentos de alta e de baixa credibilidade está no fato de que a maioria delas não tem um projeto de médio e longo prazo determinando seus objetivos, ou seja, não planejam seus passos e ações com antecedência suficiente para ir fazendo o controle e correções conforme mudam as situações. Mais do que cobrar mensalidades e instalar serviços de proteção ao crédito (SPC) que são fundamentais para combater os mal pagadores, a CACB orienta as associações para que funcionem como apoio em prestadora de serviços aos empreendedores. Além de cursos e treinamentos, há a necessidade de instalar as câmaras de arbitragem que apressam a solução legal de pendengas entre empresas ou empresas e clientes, além de oferecer serviços como cartão de crédito e até planos de saúde. Participar é preciso Esses são alguns dos fatores fundamentais a serem executados a fim de atrair os empreendedores para dentro das associações, mas também há a necessidade dessas associações participarem mais ativamente da vida política de seus municípios, estados e país oferecendo reivindicações e sugestões de modificação como também a criação de novas leis, além de atuar mais efetivamente no apoio ao desenvolvimento e fiscalização da aplicação do dinheiro público. “As mais de 1,5 milhão de assinaturas de empresários contra a aplicação da lei 232 que o governo federal queria aprovar no ano passado, só aconteceu com a rapidez necessária porque o setor está mais organizado. No sudeste e sul há associações comerciais participando com poder de decisão nos conselhos de desenvolvimento de seus municípios e estados, em outras, empresários aposentados e outros profissionais acompanham a realização de obras e até as compras efetuadas pelo poder público”, esclarece Rezende. Em seguida exemplificou: “Numa determinada prefeitura do Paraná, um comprimido de uso comum que era vendido normalmente a nove centavos foi comprado por 90 centavos, a associação percebeu, denunciou e a compra foi desfeita. Isso vem sendo cada vez mais comum, pois o dinheiro que é desviado pela corrupção é o que falta para garantir o desenvolvimento econômico e social dos municípios e do país”. Qualidade no atendimento Ao longo de 2007 a CACB estará realizando um processo de certificação das mais de duas mil associações comerciais existentes no Brasil, então essas entidades serão classificadas de acordo com as condições que serviços elas podem oferecer e que tipo de investimentos podem e devem receber. “Dependendo das competências desenvolvidas por estas associações elas podem conquistar repasses de recursos nacionais e até internacionais, o importante são os resultados práticos que vem conseguindo”. A associação de Maringá no Paraná, por exemplo, tem assento efetivo e voz ativa no Conselho de Desenvolvimento do município, já a de Joinville em Santa Catarina é uma das responsáveis pelo plano de desenvolvimento estratégico do município, ou seja, de seu plano de desenvolvimento, uso do solo nos espaços urbano e rural. “Há várias cidades no Rio Grande do Sul, onde quem quer ser candidato a prefeito precisa ser aprovado pela associação comercial. Isto porque nela estão representados os principais setores da cidade, desde o rural até o industrial e se o futuro prefeito não estiver preparado para governar ele não será nem candidato”. |
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