COTIDIANO

Fim da greve da Educação

Maioria vota pelo fim da paralisação em assembléia, mas categoria pede apoio à Aleac para continuar a luta

Marcos Vicentti
Movimento vinha dando
sinais de desgaste


Marcela Barrozo

Depois de 12 dias de greve, os servidores da Educação do Acre decidiram terminar o protesto em votação realizada ontem na quadra do Colégio Estadual Barão do Rio Branco (CEBRB).
A manifestação, que começou com adesão de milhares de sindicalistas inclusive no interior do Estado, encerrou-se ontem com a presença de algumas dezenas de servidores – fato que vinha ocorrendo nos últimos dias.

Segundo a presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Acre (Sinteac), Elza Lopes, a maioria dos presentes optou pelo fim da paralisação do ano letivo. Não foi uma unanimidade. Ainda assim, o fato de diversas escolas burlarem a decisão de manter a greve mostra que o movimento já não tinha mais a mesma força que há quase duas semanas, quando iniciou.

ALEAC – Mesmo com o início (geral) das aulas, os sindicalistas afirmam que a luta pela vitória nos três pontos de divergência com o governo continuará. Ainda ontem, uma comissão se reuniu com os deputados da Assembléia Legislativa do Acre (Aleac) para tentar obter apoio dos parlamentares.

“Eles se comprometeram em lutar junto com a gente por esses três itens”, diz Elza Lopes. Também ficou decidido que os servidores farão visitas às comunidades acreanas para explicar o que vem ocorrendo, além de providenciar um abaixo-assinado a ser enviado ao governador Jorge Viana.

DIVERGÊNCIAS – Nesses 12 dias de negociação, os sindicalistas obtiveram vitórias em três itens: conquista do direito à progressão dos professores (de três em três anos subir um patamar ou letra na escala da Educação), fim da letra de acesso aos recém-formados e aposentadoria na letra G (criada pelo governo, já que antes a escala só ia até a letra F).

Porém, não houve avanço quanto à isonomia do teto salarial em relação às demais secretarias estaduais (governo propôs R$ 2.240, servidores pedem R$ 3.183), à criação do Fundo Previdenciário para os aposentados e ao aumento salarial para os funcionários de apoio (cuja proposta do governo era de aumento de R$ 50).

Contudo, a própria diretoria do Sinteac, desde a primeira assembléia, reconheceu que foram muitas as vitórias após dois anos de tentativas frustradas.

RAZÃO – Apontada como “mancomunada com o governo”, Elza Lopes chegou a ser hostilizada por facções mais radicais do movimento por ser a favor de uma negociação sem precisar apelar para a greve. “Mas a história vai se encarregar de mostrar que nós sempre estivemos com a razão”, previu.

 

 
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Rio Branco-AC, 23 de fevereiro de 2005
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