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A fantástica fábrica de tigela de seringueiro |
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Todos os dias, seu Raimundo Alves Coelho, 60, transforma centenas de latas de alumínio – principalmente de óleo de cozinha – em tigelas para a coleta do leite da seringueira. Em oito dias, ele é capaz de produzir um milheiro, que é vendido a R$ 80. A pequena fábrica de tigelinhas existe há cinco anos no bairro Ayrton Senna. Modesta, não há nenhum aviso indicando o lugar. Só quem olhar pela janela é que descobre que ali é um dos locais das responsáveis por manter vivo o ofício-símbolo do Acre, o corte de seringueiras para a extração do látex. ILUMINAÇÃO – Além dessas peças, seu Raimundo também produz, em menor escala, outros objetos imprescindíveis para os seringueiros de ontem e de hoje: lamparinas e porongas. Enquanto a primeira serve para iluminar a casa do trabalhador, a segunda – acoplada ao capacete – garante a iluminação pelas estradas da borracha. As latas que ele usa são todas compradas, a dois centavos cada. “Passei trinta e seis anos da minha vida cortando seringueiras. Quando vim para a cidade, uma repórter me deu força para que eu começasse a produzir as tigelas. Mandei uma carta para o Jorge Viana e deu certo”, relata Coelho. Com o apoio do governador, que enviava uma ajuda de custo para a produção das tigelas, ele começou o negócio e desde então não parou mais. “Agora, eu vendo as tigelas para a Secretaria da Floresta, extrativistas e seringueiros”. MELHORES ÉPOCAS – Nas melhores épocas para cortar seringas, entre os meses de maio e junho, Raimundo Coelho já chegou a vender 18 mil tigelas de uma vez. A R$ 80 cada milheiro. “O ruim é que, quando essa época passa, é difícil eles quererem comprar mais. Já tem muito. Mas ainda assim continuo.” Para se manter no período de baixa vendagem, o ex-seringueiro também conserta peças de eletrodomésticos, a R$ 10. Mas o que ainda rende mais no fim do mês são as tigelas, as lamparinas e as porongas. Como se o antigo ofício quisesse se manter vivo e mais forte do que nunca na mente desse ex-seringueiro. |
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