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Moradores andam mais de dois quilômetros para buscar água

Vertentes abastecem necessidades básicas de moradores da vila Custódio Freire

Marcos Vicentti
Moradores da vila Custódio Freire reclamam das dificuldades de abastecimento de água. Eles realizam grande esforço para garantir a água para as necessidades básicas


Renata Brasileiro

O Dia Mundial da Água foi pouco comemorado em todo o mundo. Mesmo na Amazônia, região que reserva 70% de água doce de todo o Brasil, as dificuldades de abastecimento nas residências é um fato que vem trazendo uma série de transtornos no dia-a-dia das pessoas e até complicações de saúde.

É com essa ameaça que vivem os moradores do vila Custódio Freire, próximo ao Aeroporto Internacional de Rio Branco. Lá não há água encanada, e para suprir essa necessidade os moradores com algum poder aquisitivo compram de duas a três vezes por semana de caminhões-pipa. Já os que não se encontram em uma situação favorável buscam o recurso dentro de uma fazenda próxima às margens da estrada, onde existem quatro vertentes.

“É essa água que salva a gente. Aqui nós lavamos roupa, tomamos banho e levamos para casa para beber. Não temos outra alternativa a não ser essa”, disse a dona de casa Raimunda Mendes.

Cerca de dois quilômetros é o que Raimunda caminha por dia, com dois baldes nas mãos, para chegar às vertentes. Na volta ela conta com o apoio dos filhos pequenos, de sete e três anos, para dividir peso. A mais nova se responsabiliza pelo sabão, algumas peças de roupas, escova e itens mais leves. Já ela e o filho de sete anos tomam o caminho de volta com os baldes abarrotados de água.

Para não ter que retornar outras vezes ao local, a quantidade que é levada entra em uma forte política de economia dentro de casa, revela Raimunda.

“São seis filhos, meu marido e eu para utilizar a água. Como não dá para todo mundo, a gente só usa em caso de necessidade”, destacou.

A mesma luta é vivida pelo autônomo Roberval Feitosa. Na manhã de ontem, enquanto a vizinha lavava a roupa, ele enchia dois vasos de 20 litros com água para beber. A água é de confiança, diz ele. Mas, em todo caso, ele côa antes de encher as garrafas e pôr na geladeira.

“A nossa vida é assim: todo dia a gente tem que acordar e enfrentar essa luta em busca de água. Quando sobra um dinheiro do orçamento até compro água mineral. Mas água para tomar banho nunca comprei. Sai muito caro e dura pouco”, lamenta o autônomo, que sonha com a chegada do abastecimento regular em seu bairro.

Sindicatos se mobilizam pela preservação dos recursos hídricos

O problema vivido pelos moradores da vila Custódio Freire também está presente em outros bairros de Rio Branco, o que faz com que os moradores usem água imprópria para o consumo humano, sendo ela de igarapés ou rios contaminados.

De acordo com dados divulgados ontem pelo Sindicato dos Urbanitários, a cada R$ 1 investido em saneamento são poupados R$ 4 em saúde. No Acre, a água contaminada é a causa de 80% das doenças. O dado está ligado ainda a outro fator: 65% dos pacientes internados foram contaminados pela água.

“Isso é muito preocupante. É preciso que as autoridades e a população tomem uma postura para evitar que o problema se torne ainda mais grave. Se cada um evitar a poluição, ainda poderemos salvar nossos rios e igarapés”, disse o presidente do Sindicato dos Urbanitários, Marcelo Jucá.

Foi para chamar a atenção da população de Rio Branco que o presidente, em nome do sindicato, esteve no semáforo do Senadinho com representantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT), do Sindicato dos Profissionais Auxiliares, Técnicos e Enfermeiros (Spat) e do Sindicato dos Bancários, promovendo uma blitz educativa.

Na oportunidade, os sindicalistas distribuíam informativos que continham a importância da água para o planeta. O material informava, entre outras coisas, que estudos da ONU estimam que, em 18 anos, pelo menos 1,8 bilhão de pessoas - quase um terço da população do planeta - estará sem água.

“Não poderíamos deixar de nos mobilizar para levar informações como essa à população. Precisamos cuidar do que temos para que possamos comemorar o Dia Mundial da Água nos anos seguintes”, destacou.

 
 
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Rio Branco-AC, 23 de março de 2007
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