COTIDIANO

Patrimônio da União vai exigir regularização das dragas

Cedida
Glenilson Figueiredo é o gerente
regional do Patrimônio da União


Resley Saab

O prefeito Raimundo Angelim esteve ontem na Vila Dom Moacir (14 quilômetros da capital pela BR-364, sentido Rio Branco/Porto Velho) para inspecionar as obras de saneamento básico e de educação ambiental realizadas naquela comunidade. Ali, a Prefeitura de Rio Branco investe R$ 166 mil na construção de banheiros de alFlaviano Schneider

As dragas que extraem areia às margens do Rio Acre serão notificadas a partir de amanhã pela Gerência Regional do Patrimônio da União (GRPU) para que regularizem sua atividade junto ao órgão. Após a notificação, as dragas que estiverem irregulares terão 30 dias (prorrogáveis por até mais 30) para apresentarem sua documentação completa. Segundo levantamento preliminar há 33 dragas extraindo areia na região de Rio Branco e todas estariam irregulares.

E mais. Segundo denúncia de moradores ribeirinhos ao GRPU, algumas dragas, além de retirarem ilegalmente areia do rio ainda estão derramando óleo diesel, contaminando a água do rio e o espaço que ocupam. A margem do rio é propriedade da União e muitas dragas não têm autorização para extração de recursos naturais e nem de se localizarem em área pública.

Para o gerente regional do Patrimônio da União, Glenilson Figueiredo, é um absurdo o que estão fazendo com o rio que é a principal fonte de abastecimento de água de Rio Branco. Ele explica que a extração de areia é uma atividade altamente agressora do ambiente, pois desconfigura a calha natural de um rio, leva a um aumento da vazão de água e acelera o ritmo de erosão das margens. A extração em baixadas deixa buracos que resultam em lagos propícios à proliferação dos mosquitos transmissores da dengue e da malária. Finalmente, a retirada da cobertura vegetal da área torna o solo estéril.

Glenilson conta como se dá a degradação do ambiente no processo de retirada de areia. Uma draga é ancorada dentro do rio e a areia retirada do fundo é levada através de canos para uma área próxima. Como os canos estão furados, parte da água que vem junto com a areia alaga o percurso até o local onde o material é depositado. Uma patrol encarrega-se de encher os caminhões que chegam ao local por meio de uma estrada feita pelos exploradores, geralmente criando grandes crateras nos locais. Segundo ele, em decorrência da exploração irregular, o rio Acre está com o leito assoreado e suas margens devastadas, podendo-se em várias partes atravessar o rio andando.

Na operação de notificação o GRPU terá o apoio da Polícia Federal. Depois de passado o período de carência para regularização da documentação, as dragas que continuarem a extrair areia irregularmente serão multadas em valores que podem alcançar R$ 7 mil.

 

 
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