COTIDIANO

Imac sobrevoa regiões do Acre para identificar pontos de desmate

Três áreas com volume grande de madeira derrubada e nenhum foco de queimada foram identificadas no Alto Acre

Regiclay Saady
Técnico do Imac faz o monitoramento da área por meio de aparelho GPS


Renata Brasileiro

A floresta acreana respira sossegada após dois anos de queimadas e desmates excessivos. Esta avaliação foi feita na manhã de ontem pelo Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac), após um sobrevôo pelo Baixo e Alto Acre, abrangendo a Reserva Extrativista Chico Mendes e as faixas de fronteira entre os países vizinhos, Bolívia e Peru.

Nesta mesma época, no ano passado, a situação era diferente. Os focos de queimadas chegavam a atrapalhar a visibilidade dos pilotos que conduziam as equipes de ambientalistas às regiões.

Em 2005, quando o Estado enfrentou o maior prejuízo ambiental de sua história, os desmates e incêndios florestais chegaram ao extremo de forçar ao governador do Estado a decretar situação de emergência.

“Felizmente este ano estamos com este saldo positivo. Depois de quase três horas de sobrevôo nos municípios acreanos encontramos três pontos de desmate e nenhum foco de queimada”, destacou o diretor do Imac, Fernando Lima.

Os municípios sobrevoados ontem foram Brasiléia, Assis Brasil, Epitaciolândia, Xapuri, Vila Capixaba, Senador Guiomar, Plácido de Castro, além de regiões da Bolívia e do Peru, que são bem próximas do Acre.

A missão, coordenada pelo diretor do instituto, com o apoio da agente ambiental Salena Teles, teve como objetivo identificar os pontos de desmatamento através de GPS, para que em seguida, uma equipe do órgão se desloque via terrestre até o local para proceder como rege a lei.

“A equipe do Imac avaliará com mais precisão o tamanho do prejuízo de cada área e aplicará uma multa ao responsável pelo desmatamento. Esta multa pode ser de R$ 5 mil por hectare, se a área estiver em reserva legal, e de R$ 1 mil por hectare, se for uma área comum”, completou o diretor.

A competência pela lavratura do auto de infração ambiental no Acre está restrita aos agentes fiscais do Imac, que o fazem com base no Auto de Constatação (instrumento similar a uma notificação ambiental).

De acordo com o instituto, as diretrizes e estratégias de operações de fiscalização implementadas em todos os biomas (água, ar e solo) visam defender os interesses do Estado na manutenção e integridade dos bens de uso comum, zelando pela segurança, pela saúde, pelo bem estar social, e pelo desenvolvimento econômico sustentado.

Sobrevôos semanais no combate ao crime ambiental

A meta do Imac é que a partir de agora a atividade de sobrevôo seja realizada três vezes por semana, no intuito de vistoriar toda a região do Estado e manter o controle do que vem sendo feito nela por fazendeiros e pequenos proprietários.

O trabalho contínuo deverá durar até o fim de setembro, que é o período em que os donos de terras aproveitam para desmatar e queimar em razão da estiagem.

Mesmo com a avaliação positiva de ontem, o órgão não sossegará enquanto o período conhecido como “critico” não passar. É uma medida preventiva para que não aconteça no Estado o mesmo caos presenciado em 2005, nesta mesma época.

“Temos que estar bem preparados e alertas para todas as situações. É por isso que não vamos ficar de braços cruzados mesmo notando que este ano os donos de propriedades tem tido mais consciência quanto ao desmatamento e quanto às queimadas”, reforçou Lima.

Ao sobrevoar a Reserva Extrativista Chico Mendes, o diretor disse que o modo em que ela se encontra é a prova viva de que o Acre está respirando bem.

Recheada de verdes, com castanheira, cumaru, cedro e outras árvores de grande cobiça do homem, a área se mostra totalmente recuperada do incêndio que a atingiu há dois anos. Hoje, o colorido dos ipês toma conta da paisagem.

Monitoramento ambiental

A fiscalização ambiental é parte de uma ação do Imac no combate ao desmatamento, mas não é a única. Paralelamente à ela, o instituto também desenvolve monitoramento ambiental, que consiste no processo de coleta de dados, estudo e acompanhamento contínuo e sistemático das variáveis ambientais.

Este instrumento tem por objetivo identificar e avaliar, qualitativa e quantitativamente, as condições dos recursos naturais em um determinado momento. Incluem-se neste processo, as variações temporais, assim como as variáveis sociais, econômicas e institucionais.

É por meio do monitoramento ambiental que se pratica o controle e avaliação dos fatores que influenciam no estado de conservação, preservação, degradação e recuperação ambiental.

No Acre, o monitoramento ambiental acompanha o incremento do desmatamento no Estado. Além disso, o instituto monitora: a cobertura florestal do Estado, os focos de calor durante o período de queimadas, qualidade de água nos rios, e índices fluviométricos e pluviométricos.

O Estado está se estruturando para implantar uma rede de monitoramento da qualidade de água através do Programa Nacional do Meio Ambiente II e do Projeto de Desenvolvimento Sustentável para o Estado do Acre - Projeto BID, aprimorando ainda mais as técnicas e as ações de monitoramento do IMAC.

 

 
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