| OPINIÃO | ||
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Maria Regina Canhos Vicentin * |
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| A rejeição e o olhar amigo Num pequeno vilarejo duas crianças nasceram praticamente juntas. Mesmo sexo, mesmo bairro, mesma classe social. Apenas as famílias eram diferentes. Uma era composta por pai, mãe e filho. O casal vivia em harmonia, o filho havia sido desejado e era amado. A outra era composta por mãe e filho. O pai havia sumido assim que teve a notícia de que iria ter um bebê. A criança foi acolhida e desejada apenas pela mãe. O tempo foi passando, ambos crescendo. A amizade entre eles era visível. Estudavam na mesma escola e, por coincidência, na mesma sala de aula. Tinham colegas em comum, gostavam das mesmas coisas, estavam sempre juntos. Uma afeição muito grande começou a surgir entre eles. O menino sem pai se destacava a cada dia. Estudava mais, tirava notas melhores, sabia tocar diversos instrumentos musicais, possuía educação ímpar. Isso, sem dúvida, estimulava no outro a busca por um melhor desempenho. Era inegável que seu amigo apresentava muitas qualidades e, em termos comparativos, às vezes o menino com pai se sentia inferiorizado. Não demorou muito para que uma questão em particular começasse a povoar insistentemente a sua mente e o seu coração infantil. Levado por um impulso, certo dia, o menino com pai, perguntou para sua mãe: - Como é que um pai pode não gostar de um menino tão legal e inteligente quanto meu amigo? Obviamente, ele não conseguia compreender por que mesmo com desempenho tão melhor que o seu, o amigo não era sequer visitado por seu pai biológico. Foi difícil para a mãe explicar que qualquer coisa que o menino sem pai fizesse, talvez ainda não fosse o suficiente para tocar o coração de quem sempre esteve longe. Mas, sem dúvida alguma, ela pôde compreender que seu filho sofria pelo amigo, principalmente por considerá-lo merecedor de todo amor e atenção que esse pai omisso e ausente vinha lhe negando desde o início. Essa história ilustra bem o que um olhar amigo é capaz de captar em tenra idade, mesmo quando muitos acreditam que as crianças não percebem as coisas somente porque, às vezes, não conseguem verbalizá-las convenientemente. O coração infantil sofre muito com a rejeição sim, e a percebe sim. Que o digam os muitos filhos sem pai. Filhos de mães-solteiras não reconhecidos, não desejados, não amados por seus pais desde a primeira infância. Sentir-se rejeitado é um verdadeiro caos emocional. O abandono deveria ser proibido, e acho que só não o é, porque o desamor é ainda pior. Imaginem o que seria crescer numa casa sem amor. A rejeição colabora para a multiplicação de pessoas em pedaços. Corações e lares despedaçados. Se houvesse mais amor com certeza haveria menos rejeição. Voltando às nossas crianças, ambos cresceram amigos, hoje são adultos. O menino com pai sempre mais relaxado, distraído, e risonho. O menino sem pai mais competitivo, ansioso, e preocupado. Às vezes, mesmo sem querer, a vida força as pessoas a seguirem continuamente provando que são merecedoras de atenção e afeto. Acho que foi isso que aconteceu com o menino sem pai, e várias vezes ele se sentiu infeliz. Penso que tudo poderia ter sido bem diferente se o pai dele tivesse tido tempo de conhecer melhor a mãe. Se tivesse se aproximado dela por amor e não apenas por interesse sexual. Se tivesse assumido a responsabilidade do filho que ajudou a gerar. E principalmente, se tivesse permanecido junto da família. Parafraseando Saint-Exupery, somos eternamente responsáveis por tudo aquilo que cativamos. * Psicóloga e escritora. Fique atento ao próximo lançamento da autora que irá abordar o relacionamento conjugal. |
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| GIRO GERAL |
| Com Moisés Alencastro |
| NA TRIBO |
| Com Roberta Lima |
| PORONGA |
| Da Redação |
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